MUITO PARECIDO COM SANTA JULIANA — De Nicomédia. Também no século IV, ano 311. Tirano, Evilácio. Também na perseguição de Diocleciano.

Quando após o cruel tormento foi devolvida ao cárcere, a santa sarou instantaneamente de todas as chicotadas. E de todas as queimaduras que lhe infligiram por todo o corpo com feixes de palha ardentes. E com ferro incandescente que a obrigaram a segurar nas mãos. E recuperou no mesmo instante toda a sua destacada beleza e juventude de 18 anos, que o fogo enrugara. E os cabelos que primeiro lhe arrancaram e que depois o fogo consumira completamente.

No dia seguinte, levada de novo perante Evilácio, Santa Juliana estava em toda sua anterior e esplendorosa beleza. O juiz decretou novos tormentos. Agora o fogo nada pôde contra ela.

A multidão começou a gritar: “Não há mais Deus que o Deus de Juliana”. Em contrapartida, o tirano, vendo que o fogo nada podia contra essa nova e tão poderosa “magia”, tentou uma ação humana mais direta. Assim Santa Juliana e mais de 500 testemunhas de boa vontade, homens e mulheres, que lá mesmo aceitaram a prova irrecusável do milagre, alcançaram naquele dia, decapitados, a palma do martírio22.

— Mas outros muitos, que não têm boa vontade ou que S. doentes, querem excluir os milagres do rol dos fatos!

*** Entre esses negadores estão também alguns falsos parapsicólogos que pretensamente em nome da ciência propagam horóscopos e astrologias, influências de cristais, poderes das pirâmides, força infinita da mente e mil outras imbecilidades. Com a mesma imbecilidade proclamam que os milagres não lhes interessam. E que os milagres não pertencem à ciência. Nem sequer à parapsicologia, a ciência dos fatos incomuns e maravilhosos! Não pertenceriam à ciência, dizem, porque a ciência só estuda fatos (oh!, até que S. capazes de dizer uma verdade!)

— Simplesmente por estarem relacionados com religião, esses fatos, mesmo antes de estudados, deixam de ser fatos!!! Pode haver maior poder mágico (para não denegrir o termo poder milagroso), que o desses… imbecis?

OUTRO EXEMPLO, NO SÉCULO XII — Dentre os milagres alcançados pela admirável confiança e intimidade que S. Bernardo de Abbeville (1046-1117) depositava em Deus, um é precisamente de cicatrização imediata. Durante os trabalhos no mosteiro, onde havia uns quinhentos monges, um jovem noviço caiu sob um carro puxado por cinco juntas de bois, ficando dilacerado pelas rodas que passaram sobre ele.

Mas respirava… Carregaram-no para morrer na enfermaria. O abade, S. Bernardo, simplesmente (?!) pegou-o pela mão e levantou-o sem traço nenhum do terrível acidente23.

OUTRO EXEMPLO. NO FIM DO SÉCULO XVII — O papa Inocêncio XI (1611-1689) foi beatificado em 1956. Para a introdução da causa foi escolhido o seguinte milagre, acontecido em 1690.

Inácio Diamantes, de 65 anos, jardineiro empregado, tinha uma chaga na perna esquerda.

A sra. Margarida Camila, que ajudava o paciente, descreve que a perna estava muito inchada, negra e avermelhada; a chaga era muito purulenta, cheia de carne putrefata; a putrefação, que ia caindo, era tanta, que no último ano do seu padecimento quase nada ficava da barriga da perna.

“Um dia” — afirma outra testemunha — “eu vi um pedaço de carne (putrefata) que se desligara. Peguei-o, e vi que por baixo toda a carne estava comida (…) Ao lado da chaga havia dois abscessos que também comiam a carne.”

Testemunhou o filho, João Francisco, de 32 anos: “Meu pai tinha na barriga da perna esquerda uma chaga que piorava e crescia cada vez mais, de modo que a perna estava quase toda comida. Cheirava mal e empestava o ar, e no fundo da chaga viam-se os nervos”.

O médico que o atendia, dr. João Batista, cirurgião, garante: “Sofreu durante uns dois anos de uma chaga (…), as bordas estavam pálidas e inchadas, e ao redor da ferida desigualmente inflamadas e vermelhas (…) Este gênero de feridas que vão corroendo degenera habitualmente em câncer (…) Considerei e considero a ferida como incurável, por causa de sua longa duração, por causa do mau estado físico do paciente (…) e por causa das sempre novas complicações que surgiam”.

No depoimento para o processo o próprio Inácio Diamantes declarou que a dor era tanta que “penso não deve haver maiores no mundo. Dores tinha-as eu sempre, principalmente à noite, causadas pela carne que era devorada. As dores haviam crescido (nas últimas) 36-40 horas a tal ponto, que eu, atormentado pelo desespero, me quis jogar da janela abaixo, sendo impedido por meu filho e esposa. Quis cortar--me o pescoço, mas eles (de novo) impediram-me. Naquelas horas não podia sossegar um segundo nem comer qualquer coisa”.

Naquela noite de depresS. e angústia enlouquecedora, Inácio Diamantes acudiu à intercesS. do papa Inocêncio XI, que morrera no ano anterior com grande fama de santidade. Com profunda piedade e desespero, “pensei nele e disse-lhe: Santo Padre, vós alcançastes de Deus tantos e tão elevados milagres, fazei o mesmo comigo de forma que eu possa ganhar o meu pão. Chamei em seguida minha esposa e pedi-lhe uma relíquia (de Inocêncio XI), que tínhamos numa bolsinha de pano” (…)

“De novo invoquei o servo de Deus e pus a relíquia sobre a chaga, isto é, sobre as bandagens, mantendo-a com a mão por cima”.

A partir daquele mesmo instante “não experimentei mais dores, e adormeci. Na manhã seguinte, quando acordei, estava a mão sobre a relíquia e não sentia a mais ligeira dor (…) Tirei as bandagens. Verifiquei não existir lá qualquer chaga. O buraco da perna enchera-se de carne e estava coberto com pele. Só ficara uma bolha, como uma cauterização médica. E pus-me a gritar: ‘Milagre, um milagre’, e não podendo me segurar de alegria, bati com a mão repetidas vezes no lugar onde estivera a chaga. Ouvia as batidas, mas não sentia dor nenhuma. Desde então nunca mais me doeu a perna” (…)

“Vendo que alcançara este tão grande favor, levantei-me imediatamente: compreendi que estava curado, incrivelmente bem da perna”.

O filho acrescenta que quando viu seu pai “curado e sadio, muito me espantei. Quis vê-lo imediatamente, e para meu espanto e incomensurável alegria vi que toda a ferida se tapara, com pele por cima, e estava como o resto da perna, tal como ainda agora” (um ano depois, quando se tomavam os depoimentos).

Inácio Diamantes, logo depois de sentir-se plenamente curado: “fui para o jardim onde capinei um pouco sem sentir qualquer fadiga. Depois caminhei à Missa (…) Peguei na enxada para cavar, como outrora, sem precisar de bengala ou muleta como durante a enfermidade”.

“Trabalhava com aquela perna sem dificuldade” — acrescenta uma testemunha — “e ao cavar com ela calcava a pá no chão, como se nunca lá houvesse tido nada (…) Eu o ouvi muitas vezes agradecendo ao santo papa, a quem tinha particular devoção”24.

No século XX, mais exemplos

* Maria Antônia Mirandelli vinha padecendo horrivelmente desde dezembro de 1908, quando começou a sentir fortes dores no calcanhar. Em janeiro de 1910 apareceu uma chaga de um centímetro de diâmetro com trajeto fistuloso até o osso calcâneo. O dr. Halma-Grand, cirurgião do hospital Hotel-Dieu, de Orléans, garante: “doença perfurante na planta com osteíte tuberculosa do calcâneo”.

Começaram uma novena em honra e súplica à então beata Joana D’Arc.

Durante a novena, uma noite o médico constata que a situação está ruim. O trajeto fistuloso está em grande parte cheio de material de excreção. Mas na manhã seguinte a matéria que estava sendo excretada havia desaparecido, e a cicatrização da fístula e da úlcera é completa, a pele está unida, não há aderências nos planos profundos.

Maria Antônia Mirandelli, que na véspera não podia nem encostar o pé no chão sem violentíssima dor, agora caminha e corre, golpeia com o calcanhar, feliz de poder mostrar a todos que está perfeitamente curada pelos méritos e intercesS. da “Donzela de Orléans”. Foi um dos milagres aprovados pela Sagrada Congregação dos Ritos para a canonização, em 1920, de Santa Joana D’Arc25.

* Em lourdes. Louise Jamain, após perder por tuberculose o pai, a mãe e quatro dos seus cinco irmãos, ela mesma fica também com tuberculose pulmonar, depois também tuberculose intestinal, e desde 1930 se acresce peritonite tuberculosa. Houve também apendicite, da que é operada com urgência no Hospital Saint-Louis de Paris.

Complicações e ocluS. intestinal por mais de 15 dias, com fortíssimas dores, a internam no Hospital de la Pitié. Pela boca vomita matérias fecais. Sofre quatro operações cirúrgicas em menos de um ano. Três meses depois os médicos têm de fazer-lhe três punções por congestão pulmonar e pleuresia esquerda. No ano seguinte, 1936, nova operação cirúrgica de peritonite tuberculosa, e pouco depois outra cirurgia para implantar um ânus artificial. Nova congestão pulmonar, com punções.

Em janeiro de 1937 o estado da paciente é desesperador, com quase absoluta anorexia: impossibilidade de receber qualquer alimentação sólida, e quase total intolerância intestinal para alimentação líquida: peritonite bacilar de forma oclusiva. As hemoptises S. agora freqüentes. Febre habitual de mais de 39 graus, chegando freqüentemente aos 40.

Assim, desenganada pelo Hospital Laennec de Paris, foi levada na peregrinação a Lourdes. No dia 31 de março é levada à piscina. Nada acontece. Aquela noite o pe. Wolff lhe administra os últimos sacramentos.

E nessa mesma noite, às três horas da madrugada de 1º de abril de 1937, quando estava sendo atendida para a morte iminente, Louise Jamain subitamente ficou completamente curada, de tudo. Come com apetite, dorme, levanta-se da cama, passeia… Depois, perfeita saúde. Louise tornou-se a sra. Mâitre e teve vários filhos. Come com apetite, dorme, levanta-se da cama, passeia…

Com referência às cicatrizações, que agora estudamos: não só as cavernas pulmonares e as inflamações, mas também a peritonite com a fístula ficou instantânea e perfeitamente cicatrizada, desapareceu.

Após numerosíssimas e demoradas verificações, em 14 de dezembro de 1951 a cura instantânea, múltipla, perfeita e permanente foi proclamada como indiscutível milagre26.

[continua] 
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    Fernando De Matos:
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