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O EMPIRISMO RESTRITO — As bases do indeterminismo absoluto ou
contingentismo absoluto já haviam sido postas, erradamente neste ponto, pelos
mais antigos filósofos empiristas (“a experiência é a mãe da ciência”)
restritos, na Inglaterra. Embora excelente filósofo, John Locke
(1632-1704)15 restringiu demais ao
afirmar categoricamente (e
contraditoriamente!), que da experiência só se pode induzir probabilidades, nunca uma lei (a indução
pode chegar a provar que determinado efeito é decorrente da essência ou natureza de determinada causa;
insistiremos nisto). Por outro “motivo”, caiu muito mais profundamente
no mesmo erro o filósofo escocês David Hume (1711-1776), afirmando
categoricamente e portanto, também ele, contraditoriamente: da experiência ou da
indução não se podem deduzir leis. O “argumento” apresentado é bem idealista, apesar
de Hume, contraditoriamente, sempre haver pretendido ser decididamente
empirista: o princípio de causalidade não existe (?). É mera crença (?). Não
haveria uma real influência da causa no efeito (?). Seria uma simples sucesS.
(?) de fenômenos. Experimentando-os seguidos, os cientistas foram levados a
acreditar que um é causa do outro, mas isso não passaria de erro de apreciação.
Sempre. Segundo Hume nunca há causa-efeito. Nem leis, todas se reduzem a
enunciados de probabilidades de fenômenos semelhantes!16. E se remontássemos mais longe, ainda haveríamos de
encontrar mais antigas bases para o lançamento destes disparates modernos. Já
falamos, por exemplo, dos judeus asharitas, que achavam que o mundo não tinha
leis, sendo mantido constantemente pela ação livre de
Deus. Continua
a refutação MESMO
QUE TUDO FOSSE ACASO — Ficará
claro que o chamado indeterminismo absoluto na realidade é simplesmente o
determinismo relativo. Mas o
preconceito dos racionalistas e seus seguidores fica ainda mais patente e
desmascarado, porque mesmo que, não só como instrumento de linguagem senão
essencialmente, fosse verdade o indeterminismo absoluto, mesmo que tudo ficasse
submetido ao mero acaso, a meras probabilidades sem leis da natureza, mesmo
assim o milagre pairaria triunfante. Com muita acuidade e inteligência o expressa o pe.
Arioldo Beni. O que ele escreve dos milagres de Jesus menciona nos Evangelhos
poderia aplicá-lo a todos os milagres, se deles se tratasse: “Mesmo supondo
probabilísticas todas as leis da natureza, ainda assim os milagres de Jesus
permaneceriam sempre inexplicáveis de modo natural. Teriam acontecido segundo as
normas da probablidade, ou seja, ao acaso, e como este não tem consciência nem
memória não teriam obedecido a nenhuma ordem, mas apresentariam toda a
extravagância do capricho”. “E não é assim: os milagres operados por Cristo
realizam-se sempre onde, quando e como Ele quer. Mesmo supondo todas as leis da
natureza como estatísticas, vê-se em Jesus o poder de dominá-las, de dobrá-las à
sua vontade, de modo a dar aos fenômenos a direção por Ele desejada. E isso já
revelaria um poder preternatural (supranormal, em parapsicologia, ou sobrenatural, inclusive em teologia, é
preferível quando com referência aos milagres), certamente não menos admirável
que o de suspender (falando vulgarmente, pois exatamente o milagre não é suspender) uma lei determinista”17. DESABA
A “INTERLIGAÇÃO UNIVERSAL” — Já
ao falar do determinismo absoluto no capítulo 7 não pudemos menos que
ridicularizar a objeção racionalista completamente desproporcionada: não pode
haver um milagre neste pequeníssimo planeta Terra sem que desabem todos os
fundamentos do imensíssimo Cosmos! É megalomania demais. Muito parecida megalomania e deturpação absurda
foi a pseudofilosofia de Poincaré quando saiu da sua notabilíssima
especialização. Não seria possível prever nada, porque para prever a mínima
coisa que fosse haveria que conhecer até o mínimo detalhe todo o imenso cosmos e
cada uma de todas suas inumeráveis partes. Porque tudo está
interligado. Não precisaremos perder tempo, porque, pessoa
sumamente inteligente, logo o próprio Poincaré foi deixando cair em meio a seus
escritos afirmações, como lapsos, com as quais ele mesmo faz desabar toda sua
pseudofilosofia. Há leis, sim, e S. perfeitamente cognoscíveis, e descobri-las e
por elas guiar-se é a finalidade da ciência. Assim, por exemplo, escrevia contra o racionalista
Le Roy: “Não há forma de escapar deste dilema: ou a ciência não permite prever,
e então nada vale como norma de ação; ou pelo contrário permite prever de
maneira mais ou menos imperfeita (segundo se trate de leis da natureza ou de
formulações estatísticas) e então não carece de valor (teve de reconhecer!) como
meio de conhecimento”18. E em outra oportunidade: “A astronomia não só nos
ensinou que existem leis, senão também que estas leis S. inelutáveis (como leis
ou tendências naturais), que não se pactua com elas (…) A astronomia nos ensinou
que as leis S. infinitamente (?) precisas, e quando as enunciamos
aproximativamente (ou estatisticamente — acrescento eu) é porque as conhecemos
mal” (ou pelo modo de formulação —explico)19. PLENA
CONFUS. DOS “CIENTISTAS” —
Microfísica nada tem a ver com macrofísica. O princípio de indeterminação ou de
incerteza, que poderíamos considerar como eixo de toda a nova física enuncia-se
com preciS. assim: “É impossível perceber com certeza e simultaneamente todos os
aspectos de um microfenômeno”. Bem
aberta e claramente se fala de microfenômeno, nada tem a ver com
macrofenômeno nem com milagre. Cada quantum de cada átomo entre os
inumeráveis que compõem um pedaço de giz que tenho na mão mexe-se num movimento
aparentemente desordenado, ora para cima, ora para baixo, de repente para o
lado, logo em círculo… Mas com certeza podemos garantir que soltando plenamente
o giz ele cairá para baixo. Para expressarmo-nos com as formulações
estatísticas de que tanto gostam os cientistas modernos, diríamos que todos os
átomos que compõem o giz parece que se comportam indeterminadamente, mas as
desviações de cada átomo com referência à média esperável pelo acaso no conjunto
se compensam de acordo com a lei dos grandes números na estatística, e o giz
cairá infalivelmente. *** Afirmam os deslumbrados pelo indeterminismo:
“É pouco freqüente que os mortos se levantem, mas nada tem de misterioso que
Jesus haja revitalizado Lázaro. Nada há determinado. Mero cálculo de
probabilidades”. — Cômico. Ignorância supina, não fosse pura
deturpação. O princípio de indeterminação refere-se unicamente à microfísica. É
absolutamente absurda a pretenS. dos racionalistas de aplicá-lo ao comportamento
macroscópico e concretamente ao milagre. O comportamento dos objetos físicos,
por exemplo de um pedaço de giz quando a mão o solta, é perfeitamente previsível
até por pessoas cuja cultura nem sequer chegue à formulação da lei da gravidade.
Muito mais ignorantes seriam os racionalistas ”cientistas” e
“filósofos”. *** O especialista em física “não conhece nenhuma
lei determinista”, “nos livros modernos que chegam mais longe na teoria dos
fenômenos não se faz nenhuma referência ao determinismo”20. — Que me perdoe o grande físico sir Arthur
Eddington e tantos dos seus colegas e seguidores. Mas é uma pena que, no seu
entusiasmo, psicologicamente até certo
ponto compreensível, pelas suas descobertas na física quântica, se haja
metido a “filosofar”, sendo que evidentemente nada entende de
filosofia! — Na sua indução “filosófica” “esqueceram” quase
tudo, do microscópico ao macroscópico! Não é possível que eles “esqueçam” tantas
leis, inclusive da física quântica, da microfísica e da macrofísica. Não é
possível que, precisamente eles!, “não saibam” distinguir entre microfísica e
macrofísica, entre o microscópico e o macroscópico. — Não é possível que “desconheçam” a concluS. da
reta filosofia a partir de experiências tão corriqueiras como as do pedaço de
giz. Se não houvesse leis, os engenheiros não poderiam construir aviões nem
navios nem pontes. O chamado indeterminismo na microfísica designa unicamente a
vastidão do determinismo, em grande parte desconhecido por
nós. — Não é possível que “filosofando” sobre mecânica
quântica não dêem uma olhadela aos tratados de mecânica celeste e de toda a
física do universo: sem dúvida nestas obras “não se faz nenhuma referência ao
determinismo”, mas nem sequer um aluno de primeiro ano de filosofia deixará de
perceber que é supérfluo, por puramente evidente, falar de determinismo nos
tratados de astronomia. Não fosse assim Le Verrier não haveria atribuído as
perturbações de Urano a um outro planeta então desconhecido nem lhe teria
calculado a posição exata. Nem Gale, seguindo os cálculos de Le Verrier, teria
descoberto Netuno. — “Sapateiro, aos teus sapatos” é uma lei que
também vale para alguns grandes físicos da pequena física (microfísica, preferem
eles dizer), e para os grandes racionalistas “cientistas” do que pouco importa
mas que “nada sabem” de macrofísica e do tema tão importante dos milagres.
— Perante tão estapafúrdias afirmações
pseudofilosóficas de alguns grandes físicos, logo espalhadas pelos outros
racionalistas, é claro que outros grandes físicos, psicologicamente equlibrados,
reagiram imediatamente, como logo veremos. [Continua] * Centro Latino-Americano de Parapsicologia - Portugal®: http://www.terravista.pt/Mussulo/1287/ ******************************************************************* |
