I would greatly thank our Portuguese or Brazilian comrades for a
translation. This is unbelievable, even in Brazil. I am not sure that
Menem would have gone that far...


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To:                     (Recipient list suppressed)
From:                   "Simone R. Freitas" <[EMAIL PROTECTED]
Date sent:              Sat, 21 Oct 2000 21:35:09 -0200
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Subject:                [listageografia] [cidadaniabrasil] 
LADO_B_O_OUTRO_LADO_DA_MIDIA_BRASILEIRA?

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From: "Heitor Reis" <[EMAIL PROTECTED]
Mailing-List: list [EMAIL PROTECTED]; contact
[EMAIL PROTECTED]
Date: Sat, 21 Oct 2000 17:59:57 -0200


 LADO B O OUTRO LADO DA M�DIA BRASILEIRA

 A UEE, Uni�o Estadual dos Estudantes, promoveu durante o Festival
 de Inverno de Ouro Preto, um festival paralelo, chamado de "Lado
 B". Foi nesse lado que o p�blico teve oportunidade de participar de palestras
 que tentavam mostrar "o outro lado" da quest�o brasileira.  Foi
 na tarde do dia 13 de julho, uma quinta-feira, que o mais emocionante (e
 emocionado) debate aconteceu, com o audit�rio da Escola de Farm�cia lotado.
O tema era Literatura, Uma Vis�o Cr�tica da Realidade". Na  mesa,
 Ziraldo representando a revista Bundas, Jos� Eduardo, representando
a revista A Palavra, Jos� Carlos Rui, representando a revista Princ�pios e Jos�
Arbex Jr., a Caros Amigos. O rumo da palestra mudou depois que o editor
 da Palavra revelou: "Estou de luto, a Palavra acaba de encerrar
suas atividades". Ziraldo sentiu sua dor de est�mago com mais
for�a, e Jos� Arbex Jr. destilou o veneno de um dos mais l�cidos
pensadores do Brasil de  hoje.

Com voc�, a interven��o de Arbex  Jr, na �ntegra, sem cortes. Bom
apetite.


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 "Agrade�o o convite para a revista Caros Amigos vir participar do
debate.

 Eu confesso que tinha pensado numa outra interven��o, um pouco
mais voltada para os problemas da literatura, etcetera. Mas depois do que eu
acabei de ouvir aqui (referindo-se a morte da revista A Palavra) t�o
irritado que vou mudar o tom da minha interven��o.

 Ontem � noite, eu participei de um ato do MST, e na mesa estava o
 Jos� Celso, diretor do Teatro Oficina. Voc�s devem saber que o
 Oficina foi um dos  baluartes da resist�ncia contra a ditadura
 militar. Estava tamb�m Jo�o Pedro St�dille um dos dirigentes do MST.
E o ato foi feito para o lan�amento de um jornal especial do MST,
com tiragem de 500 mil exemplares,  que vai ser distribu�do no pa�s inteiro,
cuja fun��o � denunciar  uma campanha sistem�tica de cal�nias,
mentiras e difama��es que a m�dia vem promovendo contra o MST.

 Uma das den�ncias do ato, feita pelo pr�prio Jos� Celso, tem tudo
 a ver com o que acabou de ser dito aqui. O diretor do Oficina denunciou que
 o teatro que foi um dos baluartes da luta contra a ditadura est� sendo
pressionado por um grupo chamado S�lvio Santos. Querem dividir o Teatro
 Oficina para fazer um estacionamento. Olha, somando isso com o
 que ele acabou de falar (Jos� Eduardo divulgando a morte da Palavra),
voc�s v�o me desculpar, mas VA PARA A PUTA QUE O PARIU! (aplausos
calorosos).

Agora eu vou falar um pouco mais sobre o ato do MST, desculpem por eu
ter mudado o tom da interven��o. � o seguinte. Nesse jornal que o
MST acabou de  lan�ar se faz uma an�lise do que � a m�dia brasileira.
Esse jornal ao  denunciar o que ela � hoje mostra algumas coisas que  s�o, no
m�nimo,  esclarecedoras.No dia dois de maio, havia um �nibus, que saiu do
interior do Paran�, levando lavradores, gente de meia idade, trabalhadores da
terra, que foram se manifestar em Curitiba em defesa da reforma agr�ria. No
meio da estrada havia uma barreira policial cujo objetivo era impedir o
�nibus de chegar a Curitiba. Os lavradores foram obrigados a descer  do �nibus,
foram passados por uma revista humilhante. Um deles se  revoltou,
fez um gesto de revolta qualquer, passou a ser atacado. E  um senhor de 38
anos de idade, pai de cinco filhos, todos eles na  escola, um cidad�o digno,
trabalhador, honrado, honesto, chamado  senhor Ant�nio Tavares Pereira,
foi defender o amigo que estava jogado  no ch�o sendo mordido por
cachorros. Levou um tiro no abdome, morreu.    Qual a rea��o do
nosso amado presidente da Rep�blica? Declarou publicamente que a
morte desse senhor devia servir de advert�ncia para o povo brasileiro.
Quer dizer, um pai de cinco filhos, honrado, honesto, e assassinado
pela  Pol�cia Militar e o canalha que est� na presid�ncia da Rep�blica,
envolvido  agora num esc�ndalo de corrup��o num buraco sem fundo,
esse canalha diz que a morte de um trabalhador � uma advert�ncia para a
na��o brasileira, e o que faz a m�dia? Que fizeram?

Eu n�o li um �nico editorial notando que havia algo estranho nas
palavras do senhor presidente da Rep�blica. N�o vi um  �nico artiguete de
cinco linhas, dizendo, "puta!!! Esse cidad�o t� amea�ando a na��o brasileira.

Ziraldo: Isto porque voc� n�o l� a Bundas!) (risos).



Exceto a Bundas... Mas eu n�o estou incluindo a Bundas aqui. A�
voc� pode falar, "n�o, mas isso a� foi um lapso, os editores n�o perceberam
o que aconteceu..." Ser�? Dois dias depois, um senhor chamado
Jos� Gregori, ministro da Justi�a, um  cara que lutava pelos
Direitos Humanos, era do Comit� de Justi�a e Paz, esse Jos�
Gregori declarou que o MST, ao invadir pr�dios p�blicos, havia  praticado
atentados. Quem � o MST? O MST � hoje um movimento que tem 150 mil
fam�lias assentadas  e 300 mil fam�lias acampadas. Portanto quando n�s
falamos MST n�s estamos  falando em 450 mil fam�lias. Portanto, em dois milh�es de 
brasileiros. Se um
ministro da Justi�a acusa um movimento com dois milh�es de
brasileiros de praticar atentado, no m�nimo este ministro tem que
provar o que ele diz.  Ou ent�o cair fora, porque ele n�o serve  para
representar o povo  brasileiro.



O que fez a midia? Cobrou do  ministro Jos� Gregori alguma prova,
exigiu que se apresentasse evid�ncias? Ao contr�rio: reproduziu
as suas palavras e  caiu de pau no MST em editoriais. N�o bastasse isso,
um pouco depois, l�  pelo dia 13 ou 14 de maio, n�o me lembro direito, o
Fernandinho  foi para S�o  Paulo, t�o amado que � do povo brasileiro, e
n�o conseguiu dormir na sua  casa, porque ele tentou entrar e o pr�dio
estava cercado de manifestantes. Para ele conseguir entrar teria que chamar a
pol�cia para dispersar os manifestantes. N�o quis correr esse desgaste, ficou no
hotel.

E ele declarou, cercado de amor que ele est� pelo povo brasileiro, que
iria adotar  contra o MST a solu��o da "toler�ncia zero". Sabe o que
quer dizer esse  termo "toler�ncia zero"? � o termo empregado pela  pol�cia
de Nova Iorque  contra as gangues de mafiosos, narcotraficantes,
assaltantes e bandidos. A narcotraficantes, a bandidos. E  o  que
faz a m�dia de novo se limita a reproduzir aquilo que diz o governo. Portanto
essa � a nossa m�dia. Tem mais do que isso. Adotando a toler�ncia zero
contra o MST, ou seja, contra "esse  bando de terroristas que faz
atentados por a�", o governo FHC  reconstruiu o Servi�o Nacional
de  Informa��es (SNI),Servi�o que re�ne todos aqueles dedicados a
espionar, a delatar e a vigiar os que fazem oposi��o ao regime do senhor FHC.


Portanto n�s vivemos num per�odo em que, com a coniv�ncia e cumplicidade
da m�dia que n�o obstante se diz democr�tica, o senhor  presidente
declarou guerra ao povo brasileiro. E em nome dessa guerra est�
reconstruindo o aparato da ditadura militar. Com a  coniv�ncia de
uma m�dia fascist�ide. � essa que � a verdade, e essa verdade tem que
ser dita at� o fim, estamos vivendo sim senhor uma situa��o de guerra civil nesse
pa�s. Uma guerra civil n�o declarada, uma guerra civil  que se
pratica no  dia-a-dia. Em plena avenida Paulista, quando
professores v�o se manifestar por melhores sal�rios, desenvolvimento da
educa��o e da cultura, 38 pessoas  saem feridas. A pol�cia atacou com bombas
e cavalaria professores, que est�o lutando por melhores sal�rios! Isso �
guerra! Isso � uma guerra campal. Ontem nesse ato do MST n�s
tivemos not�cia de que a PM, em a��o no interior  do Estado de S�o Paulo,
invadiu um acampamento do MST e obrigou todas as mulheres a se despirem.
Inclusive senhoras de 75 anos de idade Isso � guerra. Essa merda desse pa�s
esta numa situa��o de guerra. E o que faz a m�dia? O que faz a m�dia?
Lambe o cu desse canalha. Essa � a verdade. E � com essa verdade que
n�s temos que lidar. � por isso que eu mudei completamente a minha
interven��o ao saber do fim da  Palavra. N�o d� mais para suportar isso.
Ent�o � �bvio que diante desse  quadro aqui, gente como o Ziraldo, revistas
como a Palavra, n�o tem espa�o. N�o interessa outra alternativa.
N�o interessa ter ve�culo de massa que fale outra coisa diferente do que diz
O Estado de S�o Paulo, a Folha de S�o Paulo, a Rede Globo. N�o interessa.
Pior do que n�o interessar: � perigoso.

A pergunta �: por que eles est�o de marca��o com o MST? Por uma
s� raz�o, n�o tem duas.Eles n�o est�o atacando o MST porque eles querem a
reforma agr�ria. O MST quer reforma agr�ria desde 89. Eles n�o
est�o atacando o MST porque ele � radical. Eles sabem que n�o �. Eles
est�o atacando o MST hoje sabe por qu�? Porque o MST est� dando um
"mau exemplo". Imagina se aqueles que n�o t�m teto, se aqueles que n�o t�m
escola, se aqueles que n�o t�m emprego, come�am a se organizar em
movimentos, come�am a ir para a rua e ocupar pr�dios p�blicos. Imagina o
que vai acontecer nesse pa�s. E a� eles criam essa situa��o de terror contra
o MST para impedir que o mal exemplo se  repita. Palavra � um mau exemplo.
� claro que nenhum empres�rio vai querer se juntar ao mau exemplo. N�s,
da Caros Amigos, ficamos sabendo, de um amigo nosso que  trabalha
em ag�ncia de publicidade, que os donos de ag�ncias foram advertidos
pelo Governo Federal. O governo avisou que n�o queria  an�ncios
na Caros Amigos.

N�s fizemos um acordo em Caros Amigos. Sabe qual o acordo? Nenhum
colaborador da revista cobra porra nenhuma para escrever. N�s n�o
ganhamos um tost�o para escrever em Caros Amigos. O que n�s fazemos?
Vamos acumulando as d�vidas. Caros Amigos deve um monte de dinheiro
para mim, por exemplo. Deve para o Aloysio Biondi (nota:Biondi morreu na
semana seguinte, de enfarte). todo mundo que escreve em Caros Amigos
acumula d�vidas. Se algum dia essa porra n�o emplacar, n�o der certo, n�o
vai pagar as d�vidas.

Se algu�m dependesse da revista para sobreviver estava ferrado.  Essa
foi a �nica maneira que n�s encontramos de viabilizar a publica��o.



Quando n�s vamos discutir cultura brasileira, passa por essa
situa��o midi�tica, que � essa investida que o Estado faz contra
a na��o brasileira, e n�o pode existir cultura brasileira sem existir na��o
brasileira. O que o estado brasileiro est� tentando fazer � destruir a na��o. Ent�o
est� na hora de defendermos a na��o brasileira. Se todo mundo que
est� aqui estiver de acordo comigo, vamos come�ar a reagir para  defender a
na��o brasileira.

Agir  em todos os campos em que possamos agir. E na medida em que
cada um possa  agir, seja fazendo seu  jornalzinho na escola, seja
participando de um movimento maior, seja  se dirigindo ao MST no dia 14 e
verificando onde � que vai ser a distribui��o do jornal para ajudar, seja atrav�s
da dissemina��o de informa��es via Internet, seja comprando
assinatura de Bundas; eu n�o sei  como, enfim, comprando a Caros
Amigos, evidentemente. Est� na hora de agir,  est� na hora de ocupar a pra�a.



N�o tem mais que esperar, acabou, chega. N�s  estamos esperando
mais o qu�, cidad�o? Vir o trator da multinacional que vai  comprar a Cemig
para destruir a casa de voc�s? � isso? � hora de ocupar a pra�a
p�blica, � isso que n�s temos que fazer. Fora disso, olha, n�o
tem  cultura brasileira, n�o tem na��o brasileira, n�o tem mais
nada.

Tem s� uma merda. Muito obrigado".


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