<http://www.uai.com.br/UAI/html/capa_informatica,id_sessao=8/capa_informatica.shtml>
 SOFTWARE LIVRE
O Pingüim é radical?
*Militantes do software livre defendem mudança cultural em prol do
desenvolvimento colaborativo do conhecimento e da informação*
  *Frederico Bottrel - Estado de Minas *
         Fotos: Frederico Bottrel/EM/D. A Press
  John Hall, diretor-executivo da Linux internacional, defende que os
governos devem parar de pagar para usar programas e investir em sistemas
abertos

Nos corredores da Latinoware, os participantes se espremiam para assistir às
palestras, com pequenos pingüins de pelúcia nos ombros. O evento para
discutir os rumos do software livre na América Latina, no início deste mês,
em Foz do Iguaçu, reuniu adeptos do movimento, representado pelo simpático
mascote do Linux, um dos mais conhecidos sistemas operacionais de código
aberto. Com os bonequinhos grudados na camisa, os militantes defenderam uma
mudança cultural. "A idéia é ter um software bom, aberto, gratuito. É muito
mais do que comprar um produto e pronto", acredita Presleyson Lima, da
comunidade Br.Office em Belo Horizonte.

Ele organizou a caravana de jovens mineiros que estavam entre os 3 mil
presentes. Conheceram "celebridades" do software livre como John "Maddog"
Hall, espécie de guru do Open Source. O diretor -executivo da Linux
Internacional falou sobre computação sustentável, assegurando que o futuro
está no software livre. A todo momento o barbudo era parado para tirar foto
com algum fã. Presleyson, é claro, trouxe a recordação para casa. Mas nem só
de tietagem o Latinoware foi feito.

Uma das principais apostas discutidas no evento foi na troca de informações
entre países de língua latina, para compartilhar experiências no
desenvolvimento de programas de código aberto. "Em vez de os governos
pagarem para usar os programas, deveriam investir no desenvolvimento de
sistemas e de projetos de softwares abertos, que promovem a educação, a
ciência e o acesso à tecnologia, a custos mais baixos", defendeu Maddog,
citando o Brasil como exemplo nessa área.

A discussão também teve efeitos práticos de cooperação. Entre Brasil e
Paraguai, por exemplo. Representantes do Serviço Federal de Processamento de
Dados (Serpro) repassaram ao governo paraguaio as tecnologias Zope/Plone
(para desenvolvimento de sites web em plataforma aberta); Ginga (o software
para TV Digital) e Expresso (solução para envio de e-mails). Todas essas
ferramentas são baseadas em código aberto.

   Mesmo com pingüins nos ombros e trabalhando na produção executiva do
evento, o casal de estudantes Lúcio e Cristiani confessou que, em casa, usa
Windows
*IMORAL* Enquanto alguns adeptos defendem a transformação gradual do ponto
de vista dos usuários de tecnologia, houve também espaço para os, digamos,
menos flexíveis. O professor de Linux, Antônio Marques, fez palestra que
misturava punk-rock, anarquismo e software livre. Entre citações que
passavam por Bakunin, Pierre Lévy e Paulo Coelho, ele disse que o software
proprietário é "imoral, antiético e anticientífico". O professor defendeu
que o combate aos programas-produtos deve ser extremo: "Nenhuma vírgula de
concessão". Pairou o climão de altruísmo custe o que custar.

Na sala ao lado, o discurso era bem mais amaciado. Cezar Taurion, da IBM,
defendeu que as empresas podem se apropriar do incentivo à inovação e do
desenvolvimento colaborativo, próprios ao universo open source, para gerar
modelos de negócios rentáveis: "O software livre permite que empresa e
sociedade trabalhem em sinergia e dá dinheiro também". Para ele, o modelo
open source deve ser encarado também pelo aspecto econômico e não apenas por
questões ideológicas ou emocionais. "Existe uma relação direta entre maior
uso de software e aumento de produtividade empresarial e econômica",
capitulou.

Com posturas bem díspares, os militantes não chegaram a se chocar
fisicamente, mas a pluralidade se fez presente nas idéias e nos diferentes
fervores na defesa dos argumentos, nas palestras e oficinas. Mesmo assim, os
pingüins continuaram nos ombros, até de quem não comprava tanto assim a
idéia. Era o caso dos estudantes Lúcio Ricken, de 21 anos, e Cristiani da
Silva, de 23, que trabalhavam na produção executiva do Latinoware. Era a
primeira vez que o casal teve de usar o Linux durante a preparação para o
evento. Em casa, os dois usam Windows. "Teria Linux, com certeza, mas no
momento eu manteria também o Windows, como opção. Não sei se me adaptaria",
diz Ricken. "É uma necessidade de se familiarizar mesmo", completa a
namorada.
Fonte:
http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_8/2008/11/13/em_noticia_interna,id_sessao=8&id_noticia=87839/em_noticia_interna.shtml


Att.

Presleyson Lima

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