Amigos listeiros,
 
    Primeiramente, parabenizo a companheira pela forma galante de manifestar seu contraponto. Se nada que escrevo for aproveit�vel, ao menos serviu para despertar sua indigna��o.
    N�o vejo nada de inaudito vc concordar com o Celso, inaudito seria o contr�rio. Em verdade, o que vejo nesta lista, na avassaladora maioria das vezes, � esta cansativa unanimidade em rela��o ao tema da doa��o de �rg�os, tema extremamente pol�mico, que j� gerou debates apaixonados muito antes da bio�tica, e, incrivelmente, aqui � tratado unisonicamente.
    Claro que n�o serei leviano suficiente para afirma que aqui houve manipula��o, ou uma esp�cie de "lavagem cerebral", ou todos motivados por uma ideologia comum.
    N�o serei leviano porque procuro ser �tico. Vivemos numa democracia, e se adjetivasse desta maneira, de forma reversa, encontrar-me-ia numa contradi��o insan�vel. 
    Logo, se n�o compreendo manipula��o porque vivemos num regime de AMPLA liberdades p�blicas, aqui na lista manipula��o n�o devo encontrar, embora me cause sonora esp�cie este pensar un�ssono, tema que no mundo real �, como disse, muito pol�mico.
    O cidad�o � senhor de sua liberdade, e na democracia n�o devemos entender o cidad�o como um hiposuficiente, incapaz de se desvencilhar de uma id�ia e opini�o, enquanto vivemos num mundo de AMPLA liberdades.
    Certo � que n�o faltar�o pastores. Incutir�o em vc cidad�o - vc ser� uma ovelha, e vc cidad�o at� ruminar�, mas se lembre cidad�o, na democracia vc � o senhor de seus caminhos, este papo de ser manipulado � discurso velho.
    Cada qual escolhe o tijolo que quiser, constr�i sua casa do jeito que quiser. N�o pode se esta casa eventualmente cair, dizer que fui "manipulado" e revolver a culpa aos outros.
     
    Minha voz insulada n�o apresenta as justificativas t�cnicas e verdadeiras dos demais colegas, mas, t�o-somente, fatos incontest�veis que faz-me acreditar que n�o cometo qualquer absurdo em defender a doa��o de �rg�os:
1- Muitos pa�ses adotaram em sua legisla��o a doa��o presumida;
2- Nosso pa�s adota o sistema de doa��o presumida de �rg�os.
 
    Agora caro listeiro, reflita:
 
    1- Vc veicularia uma informa��o se vc mesmo n�o acredita que ela corresponda a certeza dos fatos?
    2- Vc acha que ser �tico � veicular os dois lados da moeda, o que vc acredita ser a certeza dos fatos, e o que vc n�o acredita?
    3- Se Vc conhecer algum �tico, candidato a santidade, cuidado para este n�o ser um simples pastor.
 
Hetan
 
 
    -----Mensagem original-----
De: Celso Galli Coimbra [mailto:[EMAIL PROTECTED]]
Enviada em: quinta-feira, 28 de junho de 2001 02:52
Para: [EMAIL PROTECTED]
Assunto: [Direitos Humanos] Extracao de orgaos

 
 
----- Original Message -----
From: "Maria Luiza de Carvalho Armando" & lt;[EMAIL PROTECTED]>
To: "ATTACorg" & lt;[EMAIL PROTECTED]>
Sent: Wednesday, June 27, 2001 1:57 AM
Subject: [AttBR] Extracao de orgaos
 
 
Esse n�o seria um assunto sobre o qual me pronunciaria;
no entanto, o estou fazendo, por dois motivos:
 
* Em primeiro lugar, para agradecer aos companheiros
que o trouxeram � discuss�o e que sobre ele t�m deposto,
porque eu n�o tinha nem id�ia de que assim fossem as
coisas, nunca me havia fixado muito no assunto; e o que
soube, por este meio, deixou-me espantada. Bem, agora,
tenho um problema mais... mas prefiro ter um problema
mais do que estar mal (ou des-) informada!
(Por acaso, Porto Alegre se tornou um grande centro de
transplantes; est� at� construindo - o grupo hospitalar
da
Santa Casa de Miseric�rdia - um imenso hospital
especializado.)
Trata-se, realmente, de um assunto a ser abordado sob o
�ngulo bio-�tico, �rea, em si mesmo, nova, mas que, de
toda forma, deve se haver com valores que n�o o s�o...
 
* Segundo, para discordar de HETAN (msg abaixo) e concordar
com Celso G. Coimbra. Isso de que n�o importa o tijolo,
se
n�s � que arquitetamos a casa � aqui uma met�fora
inadequada,
em primeiro lugar. Ademais, n�o se faz uma boa casa com
mau
tijolo! e qualquer oper�rio de constru��o poder�
corroborar esta
afirma��o minha. Acresce que, no caso, n�o somente se
fornece
o tijolo: se fornecem tamb�m as ferramentas da
constru��o:
o meio de comunica��o de massa - e quem n�o sabe disso! -
filtra todas as informa��es e orienta a sua leitura;
isso, por
princ�pio. � a pr�pria natureza do meio que o torna
pass�vel
de suspei��o. Ele corresponde precisamente � concep��o de
"popular" do famoso historiador da Arte Arnold Hauser:
algo que
� produzido POR um grupo PARA uma massa (Hauser distingue
"popular" e "folcl�rico"); e, se � produzido por um
GRUPO, j�
se torna por natureza pass�vel de suspei��o.
E o problema nem somos n�s, os mais aparelhados para a
cr�tica: � a grande massa a quem os "meios" se dirigem!
Ora, a Globo � pass�vel de suspei��o por esse motivo,
isto �,
repito, pela sua pr�pria natureza como "meio". Por isso
- por ser esse tipo de "meio" - e por muito mais, como
j� se tem dito e redito.
Mas eu n�o estou discutindo a Globo, estou discutindo a
fundamenta��o com que HETAN (n�o sei quem �) procurou
contestar Celso Galli.
 
* Descrita "a coisa" como Galli a descreveu - e o fez com
muita circunspec��o e economia -, essa mesma "coisa" fica
muito
feia! e a campanha por doa��o de �rg�os se torna pelo
menos
duvidosa. Para uma tal extra��o, s� me ocorre a palavra
francesa
"boucherie", que, justamente, vem de "boucher", isto �,
carniceiro.
(E me vem � mente um filme japon�s em que se fazia
precisamente
a mesma coisa, na �poca da guerra: extra��o de �rg�os de
uma
pessoa viva, para observa��es cient�ficas.) E acabo por
achar
que, nesse caso, a extra��o de �rg�os para implante tem de
ir fazer companhia ao aborto e � eutan�sia. Ao dizer isso,
n�o estou
tomando posi��o sobre nenhuma dessas interven��es, estou
apenas
definindo o n�vel em que o assunto, para mim, passa a ter
de ser
tratado.
 
E, � parte o com�rcio que possa haver de permeio,
parece-me que
se trata de escolher entre uma vida que "promete" ainda e
outra
que parece j� n�o "prometer".
A esse respeito, estou de acordo com Celso Galli: ningu�m
pode
julgar de forma absolutamente certa o desenrolar dos
processos. O
biol�gico � mais determinado do que o social - que tanto
discutimos
aqui (e para isso a lista existe)- ; mesmo assim, s� a
pretens�o de
serem deuses pode fazer com que cientistas e m�dicos se
julguem
infal�veis!
 
A meu ver, mais uma vez, se evidencia algo que, para mim,
�
evidente - e altamente irritante - na �rea dos
profissionais da
Sa�de em geral: ao passar a porta dos recintos que eles
comandam,
deixa-se de ser pessoa, gente: passa-se a ser OBJETO.
 
E o interessante (?!) � que o n�o aceitar esse ESTATUTO DE
OBJETO
� objeto... de rigorosa SAN��O! a rea��o a tais rebeldes �
ALTAMENTE REPRESSIVA!
 
Cordialmente,
MLCA (POA, RS)
_________________________________
-Original Message-----
From: Celso Galli Coimbra <
To: [EMAIL PROTECTED](...)
Date: Quarta-feira, 27 de Junho de 2001 0:12
Subject: [AttBR] Medicina-transplante: Doe sangue e nao
orgaos vitais. A questao da morte encefalica.
 
Prezadocolega,
Posso falar por experi�ncia pr�pria de quem est� no centro
dos acontecimentos sobre esse assunto h� bem mais de uma
d�cada. A rede globo manipula e censura toda not�cia que
n�o vai ao encontro dos interesses transplantadores.
(...)
==----- Original Message -----
From: Hetan
To: [EMAIL PROTECTED]
Sent: Sunday, June 24, 2001 8:11 AM
Subject: Re:Medicina/transplante- Doe sangue e �rg�os
 
N�o discrimine a fonte da informa��o. Sua linha de
racioc�nio sugere que nada que venha da Rede Globo serve,
ser� ?
Dif�cil est� posi��o ser defens�vel.
A informa��o � o tijolo, quem determina o desenho
da casa � cada um de n�s, n�o � verdade?
Na ditadura nos era imposto com que tijolos
dever�amos contruir uma casa. Hoje, na democracia, podemos
livremente escolher nossos tijolos. (...)
 
 
 
PARA SAIR: enviar mensagem vazia para [EMAIL PROTECTED]
 
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Para enviar mensagem, enderece-a no seu correio eletr�nico para
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recomend�vel ir at� o s�tio da lista e apertar o quadro "Conversion
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Por raz�es de seguran�a, os anexos (attachments) n�o entrar�o e a lista est�
sob modera��o, o que pode retardar a entrada das mensagens.
 
 
 
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