Recebi hoje este e-mail do Instituto Ambiental Vidagua:
 
Uma Campanha do Instituto Ambiental Vidágua
enviada a 1.200 formadores de opinião
Hoje será inaugurada a obra que causou o maior desastre ambiental ocorrido em todo o Brasil !

Hoje, dia 23 de fevereiro, o Governo Federal e o Governo do Estado de São Paulo inauguram o maior desastre sócio-ambiental dos últimos tempos em todo o Mundo: a Usina Hidrelétrica de Porto Primavera.

O Instituto Ambiental Vidágua, entidade civil, sem fins lucrativos, vem a público pedir a todos os ambientalistas, pesquisadores e cidadãos conscientes, que enviem mensagens de repúdio a esta inauguração, um símbolo de corrupção e de destruição do meio ambiente !

Conheça o desastre ambiental de Porto Primavera !

O governo gastou 19 bilhões de reais, em vinte anos, para construir a Usina Hidrelétrica de Porto Primavera, recém batizada de Sérgio Motta, situada no Rio Paraná, no município de Rosana, divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul. Vale ressaltar que com todo este dinheiro a obra ainda está incompleta, pois apenas 3 turbinas estão instaladas.

Este dinheiro dava para construir 35 estádios como o Maracanã ou cerca de 400.000 escolas públicas de médio porte. Porém o que mais chama a atenção é o tamanho do reservatório de água (o maior reservatório artificial do país), ocupando uma área de 2.250 quilômetros quadrados, 250 Km de comprimento, área equivalente a 7 Baías da Guanabara e 3 vezes o Reservatório de Itaipu, porém produzindo energia em quantidade extremamente menor. Este reservatório é ocupa aproximadamente 25 % de toda a área que já havia sido inundada no Estado de são Paulo, pela CESP em seus outros 19 reservatórios. Com esta obra. Milhares de espécies ameaçadas de extinção desapareceram para sempre.

Produzirá com todas as suas turbinas instaladas um aumento de apenas 9 % de energia firme, ou seja, 900 megawatts. Se começasse a ser construída hoje, esta obra nunca teria sido construída em virtude da baixa produção de energia e dos altos impactos ambientais.

Seu enchimento no final do ano passado, só foi possível após uma grande batalha judicial. A CESP - Companhia Energética do Estado, conseguiu derrubar a liminar da Justiça Federal de Presidente Prudente - SP que impedia o enchimento e assim às pressas, em 7 de novembro de 1998, inundou esta gigantesca área, abrigo de milhares de espécies. A grande maioria acabou morrendo afogada, em virtude da gigantesca área e do fracasso que foram as tentativas de captura realizadas pela Companhia Energética, em virtude da região formada por áreas alagadiças, matas fechadas e muitas ilhas de difícil acesso.

Nesta região, submersa viviam milhares de Cervos do Pantanal, mais de uma centena de Onças Pretas e Pardas e tantos outros bugios, macacos-prego, jaguatiricas, tamanduás, gambás, cuícas, pacas, cutias e tatus, que foram deixados à própria sorte, desaparecendo para sempre. Milhares de espécies vegetais, muitas em extinção, também nunca serão mais vistas ou observadas.

Cerca de 118 sítios arqueológicos que eram símbolos da passagem do homem pela região a milhares de anos, desapareceram submersos no reservatório.

Muitas Unidades de Conservação sumiram do mapa sem deixar qualquer vestígio, como a Lagoa São Paulo, um dos ecossistemas mais ricos do Planeta. Além disso tudo diversos município foram totalmente submersos, obrigando a comunidade fugir do enchimento do reservatório.

Conheça o descaso da CESP - Comapanhia Energética do Estado de São Paulo para com o meio ambiente !

No dia 13 de agosto de 1998, o Instituto Ambiental Vidágua, entidade civil sem fins lucrativos, com a finalidade de desenvolver projetos e programa ambientais, protocolou no Centro de Apoio das Promotorias do Meio Ambiente, Ministério Público Paulista uma representação contra a CESP - Companhia Energética Paulista, com fortes denúncias de crimes contra o meio ambiente, contra o consumidor e de improbidade administrativa.

Cópia foi enviada ao CENACON - Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça do Consumidor, que abriu inquérito para investigar as irregularidades.

A CESP - Companhia Energética de São Paulo, tem gasto muitos recursos de seu orçamento em publicidade e divulgação de seu trabalho no setor ambiental. Todos estes recursos, caso fossem aplicados na atenuação dos impactos ambientais decorrentes da produção energética seriam muito bem utilizados.

Na ampla publicidade, realizada em revistas periódicas de grande circulação, algumas das frases chegam realmente a chamar a atenção: "Faz parte da política da CESP, respeitar o meio para atingir o fim." "A CESP planta mudas, conserva espécies, cria alevinos, faz reassentamento urbano, rural e de pescadores." "A CESP respeita o meio ambiente para cumprir sua missão: gerar energia proporcionando melhor qualidade de vida".

Será que uma empresa que já inundou mais de 1.000.000 de hectares de terras com matas-ciliares, florestas e áreas agricultáveis, destruindo ou desequilibrando ecossistemas e extinguindo espécies endêmicas da fauna e da flora, respeita o meio ambiente ?

Será que uma empresa que inundou uma área de 225.000 hectares de varjões e matas-ciliares, em Porto Primavera, sem realizar esforços efetivos para capturar e salvar a fauna silvestre respeita o meio ambiente ?

Será que uma empresa que em vez de plantar mudas como diz a publicidade, vende ou mesmo, transfere o ônus da recuperação das margens dos reservatórios para os proprietários ribeirinhos. Observando as margens dos Reservatórios da CESP, qualquer um poderá observar a completa inexistência de reflorestamentos e de mata ciliar.

O Instituto Ambiental Vidágua, conseguiu reunir algumas informações sobre como a CESP respeita e cuida do meio ambiente em suas 20 usinas hidrelétricas no Estado de São Paulo: (Paraibuna, Jaguari, Corumbataí, Barra Bonita, Álvaro Souza Lima, Ibitinga, Mário Lopes Leitão, Nova Avanhandava, Três Irmãos, Ilha Solteira, Souza Dias, Água vermelha, Armando Salles de Oliveira, Caconde, Porto Primavera, Rosana, Taquaruçu, Capivara, Lucas N. Garcez, Xavantes e Armando Laydner), produzindo mais de 10 milhões de Quilowatts, gerando 95% da energia do Estado de São Paulo e 22 % da do país.

Destas 20 usinas, apenas 5 possuem viveiros de mudas (Paraibuna, Promissão, Jupiá, Ilha Solteira e Porto Primavera), em apenas 5 reservatórios a atividade da aqüicultura e da hidrobiologia é desenvolvida através de estações de aqüicultura (Paraibuna, Barra Bonita, Promissão, Salto Grande e Jupiá), apenas 3 possuem núcleos de educação ambiental (Paraibuna, Promissão e Ilha Solteira), e possui apenas 1 núcleo de fauna silvestre (Paraibuna) e uma única possui 1 Parque Zoológico (Ilha Solteira), e um dado preocupante a quase totalidade não tem escadas para peixes de piracema. Ou seja a grande maioria dos reservatórios não apresenta a mínima estrutura de controle ambiental ou desenvolve qualquer atividade ambiental.

Segundo levantamentos do Instituto Ambiental Vidágua a CESP afirma em sua publicidade que promove a criação de alevinos. Só não diz o que faz com os alevinos. Em apenas 5 reservatórios a atividade da aqüicultura e da hidrobiologia é desenvolvida (Paraibuna, Barra Bonita, Promissão, Salto Grande e Jupiá), e hoje grande parte dos alevinos são comercializados para produtores rurais, prefeituras, donos de criações comerciais ou para os populares PESQUES-PAGUES .

Analisando relatórios da própria CESP, constatamos que a CESP, durante muito tempo se utilizou de espécies exóticas, de outras Bacias Hidrográficas, de peixes para repovoar alguns reservatórios no Estado de São Paulo, como a Tilápia do Nilo, a Carpa, a Sardinha de Água Doce, o Apaiari, o Trairão, a Pescada do Piauí e até mesmo a Truta-Arco-Íris. Até 1995 foram 28.564.900 Tilápias do Nilo, 457.600 Apaiaris, 5.213.600 Carpas, 14.777.320 Sardinhas de Água Doce e 385.500 Trairões, sem contar as 224.900 Trutas soltas pela CESP no reservatório de Paraibuna. Neste mesmo período apenas 45.492 Dourados foram soltos, um peixe ameaçado pela falta de escadas.

Neste sentido os dados apresentados mostram uma situação de gravidade e de descaso com o meio ambiente e que precisa mudar !

O Instituto Ambiental Vidágua repudia esta Obra e você ?
Envie correspondência, fax, e-mail ou mesmo telefone, expressando sua indignação e seu repúdio para a inauguração desta obra, símbolo da ditadura militar e do descaso com o dinheiro público e com o meio ambiente.

    O Vidágua ainda está requisitando a todos que peçam a demissão do Diretor de Meio Ambiente da CESP, que vem desrespeitando de todas as formas possíveis nosso meio ambiente, negando e omitindo informações sobre o desastre ambiental.

    Abaixo listamos alguns endereços, telefones, fax, e e-mails de autoridades, que participarão desta inauguração ou que merecem ouvir nossos protestos de indignação.

Fernando Henrique Cardoso - Presidência da República

[EMAIL PROTECTED]

[EMAIL PROTECTED]

 

Para Michel Temer - Câmara dos Deputados

[EMAIL PROTECTED]

[EMAIL PROTECTED]

 

Para Antonio Carlos Magalhães - SENADO FEDERAL

[EMAIL PROTECTED]

 

Para o Secretário de Estado de Comunicação do Governo

Angelo Andrea Matarazzo - [EMAIL PROTECTED]

(Que foi presidente da CESP no período de janeiro de 1995 a janeiro de 1998)

 

Ministro de Minas e Energia

Rodolpho Tourinho Neto

(061) 3195041, 3195043 e fax (061)2261866

 

Mário Covas - Governador do Estado

Palácio dos Bandeirantes - Av. Morumbi 4500

São Paulo - SP

CEP 05698 - 900

Tel (011) 845-3344, 8453000 e Fax (011) 8453301

 

CESP - Companhia Energética do Estado de São Paulo

Presidente Guilherme Augusto Cirne de Toledo

Al. Min. Rocha Azevedo 25 - São Paulo - SP

CEP 01410-900

[EMAIL PROTECTED]

[EMAIL PROTECTED]

 

Atenciosamente,

 

Rodrigo Antonio de Agostinho

Secretário Executivo do Instituto Ambiental Vidágua

[EMAIL PROTECTED]


Acesse o site do Instituto Ambiental Vidágua, a mais completa página ambiental da WEB no Brasil, contendo legislação ambiental completa, educação ambiental e a maior lista de links ambientais do Brasil !

Http://home.techno.com.br/vidagua
 

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