Concordo com voce. Planejamento Urbano e exclusão social caminham de mãos dadas.  Existe um abismo entre boas intenções e eficiência.Não sei se como disciplina autonoma seria uma boa solução. Às vezes tratar transversalmente o tema dá certo, como incluir a disciplina de Direito Urbanístico no curriculo básico de Engenharia, Arquitetura e Direito. A Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, em algumas licitações exigiu que um especialista em Direito Urbanístico integrasse a equipe de elaboração de PEU (plano de estruturação urbana)
Cordialmente
Elida Séguin
-----Mensagem original-----
De: Antonio Fernando Pinheiro Pedro <[EMAIL PROTECTED]>
Para: Armando Pedro <[EMAIL PROTECTED]>; Getúlio Alencar <[EMAIL PROTECTED]>
Cc: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>
Data: Quinta-feira, 21 de Outubro de 1999 22:05
Assunto: [DTOAMBIENTAL] Segurança Pública - hora de mudar o enfoque

Amigos,
 
A área da segurança pública não pode ser alvo da ação de indivíduos empiristas.
O Presidente da República e seus ministros de Justiça, bem como o governador do estado de São Paulo e seus secretários de segurança (o do primeiro e o deste mandato), têm adotado medidas desastrosas para o setor, que revelam o inconfessável desprezo ideológico que a atual gestão federal e do estado paulista possuem pelo aparelho de prevenção, investigação e repressão ao crime, que pretendem comandar.
Ocorre que a população, a economia nacional e o tecido social, são mais importantes que a vontade política deste ou daquele plantonista no poder, por mais vaidoso e idiossincrático que este seja, ou maior o volume de bajuladores que o cerquem...
Quando presidia a Comissão do Meio Ambiente da OAB/SP(até 1997), realizei uma série de seminários e fóruns abordando a Segurança Pública sob o enfoque dos interesses difusos, linkando-a com a questão ambiental. Pudemos reunir cientistas e cidadãos, policiais experimentados, advogados, engenheiros e arquitetos, desvinculando-os de certos "núcleos de estudos" ou "centros" disso e daquilo... ou "comissões de defesa" daquiloutro... enfim, aparelhos ideocráticos pouco engajados na solução dos problemas e mais interessados em criá-los, os quais têm desviado a atenção da opinião pública e governantes do real enfoque da segurança pública.
 Muitas das conclusões daqueles encontros refletiram-se em iniciativas governamentais, como a instalação pela Prefeitura de São Paulo de melhorias urbanísticas, criação de áreas verdes e instalação de núcleos para a prática de esportes e congraçamento comunitário nas áreas de periferia cujo solo é irregularmente ocupado. Dados recentes extraídos do Jardim Ângela, em São Paulo, revelam que nosso diagnóstico estava correto.
Ressalte-se, a propósito que a Professora Hermínia Maricato (FAU-USP) já havia trabalhado com esse vínculo violênica urbana x uso irregular do solo urbano, enfocando comunidades como o Jardim Ângela, sendo suas considerações objeto de análise de muitos dos que participaram dos eventos.
Descobri, outrossim, que a Segurança Pública deve ser tratada como DISCIPLINA JURÍDICA  AUTÔNOMA, vinculada ao Direito Público e à Tutela dos Interesses Difusos.
Essa matéria, portanto, deve ser libertada das mãos dos criminalistas, cujo enfoque, voltado mais para a análise das condutas delituosas, aplicação e execução das penas, pouco tem contribuído para a solução estrutural e sistêmica demandada.
Sugiro leitura á matéria publicada hoje na revista virtual Consultor Jurídico ( http://cf3.uol.com.br:8000/consultor/chama1.cfm?numero=1887 ) como start para uma nova abordagem sobre este tema, devendo magistrados, policiais, advogados, promotores, ambientalistas, administradores públicos e privados, se articularem no sentido de  forçarem nossos governantes a se despojarem de sua vaidade pessoal e apêgo ideológico, para adotarem medidas em favor do Brasil.
Aguardo um retorno e comentários.
 
Um abraço.
 
AFPP
 

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