Humberto Adami Santos Junior
[EMAIL PROTECTED]
-----Mensagem Original-----
Enviada em: Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2000 18:39
Assunto: [01/2000-ambiente-rs] Relat�rio de Atividades

Niter�i, 3 de fevereiro de 2000

� Exma Subsecret�ria de Estado de Meio Ambiente

Dra. Isaura Fraga

Assunto: Relat�rio de Atividades de A��es na Ba�a de Guanabara

Senhora Subsecret�ria,

Conforme solicitado, remeto este relat�rio de atividades das atua��es da Coopernatureza no epis�dio do acidente com �leo na Ba�a de Guanabara. Temos a percep��o clara de que diante de graves acidentes, significa perda de energia ficar buscando culpados ou dedicar-se a acusar os culpados, quando a tarefa mais importante no momento � arrega�ar as mangas e ajudar no que for preciso. Culpados e respons�veis devem ser buscado, naturalmente, mas num segundo momento, depois de passada a emerg�ncia. Por isso, a Coopernatureza procurou, neste primeiro momento, dedicar-se � a��es emergenciais de resgate e salvamento de animais, limpeza de pedras, praias, ilhas, etc.nos associando a parceiros, onde estiverem, para ajudar na solu��o do problema.

Num segundo momento, j� na fase de apura��o de responsabilidades, esperamos contar com V.Sa. no sentido de organizar um Centro Permanente de Servi�o Voluntariado Ambiental, coordenado pela Sociedade Civil, mas em parceria com esta Secretaria, bem como empresas privadas e demais parceiros, para atuar na mobiliza��o de volunt�rios para a��es organizadas n�o s� em acidentes como este, no litoral, mas tamb�m em combate a inc�ndios florestais, e outros acidentes, onde esteja presente a necessidade de resgate e recupera��o de animais silvestres e prote��o especial aos pescadores e popula��es tradicionais, sem d�vida o lado mais fr�gil de todo grande acidente.

No dia seguinte ao acidente, 19/01/2000, recebemos a convoca��o da Joana Darc, Secret�ria Municipal de Meio Ambiente de Mag�, atrav�s da Coordena��o do G15 em Niter�i, para ajudarmos na mitiga��o e recupera��o dos danos. Iniciamos ent�o a organiza��o de um grupo de volunt�rios para contribuir especialmente no resgate e limpeza dos animais e limpeza dos manguezais. O trabalho s� foi poss�vel com a participa��o de nossos parceiros, a saber:

a) Funda��o SOS Mata Atl�ntica - conseguiu a doa��o de 15 sacos de Ecosorb (a mesma turfa canadense j� utilizada pela Petrobras na Limpeza das praias), que foi utilizada na limpeza dos manguezais no Rio Suru�; conseguiu o pagamento de 67 quentinhas para os 50 volunt�rios e ainda 17 quentinhas a mais para atender ao Corpo de Bombeiros, que n�o estava contemplado nas quentinhas pagas pela Petrobras, n�o sei por que motivo. Tamb�m contribuiu com o aluguel de um barco de pescadores. Doou 50 macac�es, 50 botas e 50 pares de luvas, para atender aos volunt�rios. Este material, ap�s o uso, foi doado � Secretaria de Meio Ambiente de Mag�, aos cuidados da Secret�ria Joana Darc.

b) ONGs Ambientalistas Grude, UNIVERDE, APREC, JAN - Jovens Ambientalistas de Niter�i, entre outros, que atenderam � nossa convoca��o e contribu�ram com volunt�rios.

c) CRBIO 2 - Conselho Regional de Biologia - Regi�o RJ/ES - designou um grupo de bi�logos para atuar em conjunto com os volunt�rios, inclusive quanto a orienta��es t�cnicas, e doou camisetas para que os volunt�rios pudessem substituir pelas sujas ap�s o trabalho.

c) Fetranspor - conseguiu a cess�o gratuita de um �nibus, da Via��o Tr�s Amigos, para transporte dos volunt�rios desde a Av. 1� de mar�o, em, frente � ALERJ, at� a Praia do Lim�o, em Mag�, e da� at� o Rio Suru�, e retorno. O �nibus ficou em p�ssimas condi��es de limpeza, pois os volunt�rios estavam sujos da lama do manguezal quando retornaram do trabalho, e constaram que n�o havia �gua para higiene pessoal. Alguns volunt�rios, que vieram de S�o Paulo, tiveram de se lavar na rodovi�ria, antes de embarcar de volta.

d) Toyota - emprestou por dois dias uma caminhonete Toyota, que foi fundamental para o transporte dos sacos de Ecosorb, volunt�rios e coordenadores, etc.

e) Ecoboat - a empresa participou com uma lancha e um bote r�pido, que foram fundamentais para o resgate de animais nos currais.

No dia 22, S�bado, estivemos com 50 volunt�rios na Praia do Lim�o, em Mag�, onde conseguimos resgatar e recuperar 15 mergulh�es e 2 soc�s, que estavam cobertos por �leo e de outra forma iriam morrer.

O grupo de volunt�rio recebeu instru��es, durante a viagem de �nibus, de bi�logos e especialistas da empresa doadora do Ecosorb, sobre a melhor forma de atuar no epis�dio e de uso do produto.

Ao chegar a Mag�, fomos recebidos pela Secret�ria Joana Darc, que nos tra�ou um quadro da situa��o e sugeriu as �reas em que o grupo de volunt�rios poderia ser �til. Seguindo estas instru��es, dividimos o grupo em tr�s. Um foi para o manguezal, num barco de pescador alugado pela SOS Mata Atl�ntica. Outro foi para os currais e rio Suru�, na lancha e bote da Ecoboat. Outro grupo, o maior, foi de �nibus para o Rio Suru�.

Na ocasi�o, o Presidente da Petrobr�s desceu de helic�ptero no Rio Suru�, e dirigiu-se ao nosso grupo, sendo recebido pela bi�loga volunt�ria Eli� Teixeira Leite, que relatou a gravidade do problema e a necessidade de uma melhor organiza��o e capacita��o de volunt�rios. O Presidente pediu que a Coopernatureza enviasse uma proposta, o que foi feito no dia 24.

Encaminhamos ao Presidente da Petrobr�s a proposta de cria��o do Centro Permanente de Servi�o Voluntariado Ambiental, para que a Ba�a de Guanabara possa ser melhor ajudada e para que a popula��o consternada possa encontrar uma forma de ser �til. Assim, poder�amos planejar minimamente nosso trabalho de Voluntariado Ambiental.

No dia 24, Segunda feira, agora em parceria com UNIVERDE, conseguimos reunir um grupo de 30 volunt�rios para atuar na �rea de S�o Gon�alo, com concentra��o na Praia da Luz. Nos dividimos em tr�s grupos. Dois percorreram ilhas e cercados, em dois barcos de pescadores alugados pela Petrobras, em busca de animais. Um grupo foi at� Paquet� e outro at� Piabet�, no fundo da Ba�a, percorrendo todas as ilhas, cercados e pedras, mas felizmente, n�o haviam aves mortas. As que estavam sujas ou intoxicadas, ainda conseguiam voar assim que os barcos chegavam mais perto.

O terceiro grupo dirigiu-se ao manguezal, da Praia da Luz at� a Ponta de Ita�ca, de onde saem os barcos para Paquet�. O manguezal, tanto a lama quanto os troncos das �rvores, estava coberto por uma camada de �leo mais ou menos fina. Havia grande quantidade de caranguejos 'goiamuns' mortos em suas tocas. N�o avistamos os caranguejos 'chama-mar�'. Notamos um sil�ncio pouco comum no mangue, indicador de um grande impacto causado pelo �leo sobre a fauna, especialmente caranguejos. Conseguimos aspergir 15 sacos do produto Ecosorb na �rea. Encontramos uma �nica ave morta, um bigu�.

Ap�s estas intensivas dos dias 22 e 24, continuamos enviando volunt�rios ao local, aos cuidados da Joana Darc, conforme combinado com ela, mas preferindo veterin�rios e pessoas com experi�ncia. Curioso � a participa��o de volunt�rios de outros estados, como M�rio Mantovanni, Daniel e Paula, que vieram de s�o Paulo, trabalharam com entusiasmo e voltaram no mesmo dia, sem reclamar pela aus�ncia de �gua para lavar a lama do mangue. Destaco ainda a intensa participa��o an�nima da jornalista Isabela Dutra, editora do Jornal Nacional, que ajudou a carregar �gua para a limpeza das aves, acabando por envolver-se a semana inteira no trabalho de limpeza das aves.

Durante nossa a��o, percebemos algumas necessidades que podem fornecer subs�dios para an�lises e fornecer elementos para um plano de Conting�ncia:

  1. banheiros com chuveiros, que permitam aos volunt�rios que retornarem do manguezal realizarem sua higiene antes de embarcarem de volta para suas resid�ncias. Tivemos grupos de volunt�rios vindos do Rio Grande do Sul e de S�o Paulo, e n�o havia como atend�-los. O �nico banheiro existente fica no �nico bar do local, sem infra-estrutura.
  2. Faixas e galhardetes com suporte com dizeres como "Volunt�rios - Inscri��es Aqui", A��o Volunt�ria Ambiental - Coordena��o", etc., para funcionar como refer�ncia, evitando que os volunt�rios perturbem o trabalho tentando localizar-se ou buscar informa��es sobre onde podem ajudar;
  3. Coletes de identifica��o de volunt�rios, escrito "Volunt�rio Ambiental";
  4. Estojo completo de primeiro socorros para ficar na base e estojos menores port�teis para acompanhar os guias dos grupos;
  5. R�dios-comunicadores para manter a comunica��o entre os coordenadores e os l�deres dos grupos no campo;
  6. Camisetas limpas para os volunt�rios trocarem pelas sujas ao final do trabalho. Nas camisetas dizeres semelhantes a: "Volunt�rio Ambiental - Eu ajudei a salvar animais na Ba�a de Guanabara";
  7. Material para inscri��o e cadastro de volunt�rios, chach�s, etc.
  8. Material de trabalho para os grupos de volunt�rios. Por exemplo, pu��s de cabo comprido e redes para resgate de animais, rastelo, ancinhos, p�s e carrinho de m�o para limpeza de praia, escovas de cerda dura para limpeza de pedras, material absorvente para retirada de �leo, etc.
  9. Recurso em dinheiro para contra��o de barcos de pescadores que levar�o os volunt�rios at� cercados para resgate de animais, manguezais, ilhas, etc.
  10. Macac�es e botas adequados para penetra��o no mangue,

Passada a emerg�ncia, e na fase do Plano de Conting�ncia, � importante manter uma base permanente de refer�ncia para trabalho volunt�rio ambiental, chamada aqui de Centro Permanente de Volunt�rios Ambientais, e que pode ser patrocinada com recursos do FECAM e das empresas potenciais provocadoras de acidentes ambientais na Ba�a, e que disporia de um pequeno n�cleo administrativo e de coordena��o, remunerados para, e que manteria:

  1. Cadastro de volunt�rios pessoas f�sicas e jur�dicas, organizado por profiss�es, �reas de interesse, disponibilidade de hor�rio e recursos materiais, etc.
  2. Palestras de motiva��o e cursos de treinamento que ensine o resgate, captura, limpeza e tratamento de animais silvestres v�timas de acidentes com �leo, uso adequado de equipamentos e tecnologias, t�cnicas de limpeza de �reas naturais delicadas como manguezais e litoral, t�cnicas de an�lise e monitoramento ambiental, etc. Na etapa pr�tica do curso, os volunt�rios atuar�o em conjunto com ONGs, Prefeituras, Escoteiros e demais institui��es em a��es pr�ticas ambientais ao longo de todo o ano e n�o apenas durante emerg�ncias, em a��es como limpeza das margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, limpeza de Parques e Reservas Ecol�gicas, limpeza de manguezais, etc.
  3. Publica��o de boletim mensal para manter os volunt�rios informados, motivados e mobilizados para atuar em emerg�ncias.
  4. Sede adequada para pessoal administrativo e para treinamento e palestra a volunt�rios;
  5. Ve�culos adequados para terrenos dif�ceis;
  6. botes de borracha com fundo de fibra de vidro e motor de 25 HP cada um;
  7. botes de alum�nio do tipo "LeveForte", com motor de levantar;
  8. Lap-top com perif�ricos e acoplado a telefone celular e internet;
  9. GPS;
  10. Sistema de r�dios PX e VHF
  11. Filmadora, m�quina de fotografia e outros equipamentos para documenta��o e elabora��o de laudos;
  12. Mapas;
  13. Computadores ligados � internet,
  14. Telefones convencionais;
  15. Equipamentos para palestras e cursos (retroprojetor, v�deo, televisor, data-show, etc.)
  16. Recursos que permitam a manuten��o da Sede, ve�culos, telefones, computadores e outros equipamentos;
  17. Recursos para viagens e hospedagem de equipe de peritos ambientais para levantamento de dados e elabora��o de laudos, a��es de planejamento, etc.
  18. Recursos para deslocamento de grupos de volunt�rios diante de emerg�ncias.
  19. Recursos para a publica��o de manuais, cartilhas, produ��o de v�deos, etc., para forma��o e instru��es de volunt�rios;
  20. Entre outras necessidades.

Este Centro seria capaz de manter permanentemente mobilizados e motivados um grupo expressivo de volunt�rios, inclusive em parcerias com ONGs, Conselhos Regionais de Profissionais, Universidades, etc., para atuar a qualquer momento em a��es em defesa do meio ambiente, sempre dentro do esp�rito do 'fa�a a sua parte', 'seja parte da solu��o e n�o do problema'.

Estou enviando c�pia deste relat�rio para os parceiros citados acima, para que complementem as informa��es e observa��es deste relat�rio.

Atenciosamente,

Vilmar Berna - Pr�mio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente
Editor do Jornal do Meio Ambiente; presidente da Coopernatureza; Coordenador
Regional da EcoM�dias e Secret�rio-Geral do Sindicato dos Jornalistas do
Estado do RJ
Fa�a contato: [EMAIL PROTECTED]
Visite e divulgue o site http://www.jornal-do-meio-ambiente-com.br
Trav. Gon�alo Ferreira, 777 - Jurujuba, Niter�i, RJ CEP 24370-290
Tel/fax: (021) 610-2272 e Celular: (021) 9994-7634


Para divulgar seu evento na �rea ambiental utilize formul�rio espec�fico na p�gina do AgirAzul na Rede. - http://www.agirazul.com.br - Divulgue Ambiente-RS e o AgirAzul na Rede. Divulgue esta lista dentre seu circulo de relacionamento. Para assinar: [EMAIL PROTECTED] Para deixar de assinar: [EMAIL PROTECTED].
P�gina principal de eGroups.com: http://www.egroups.com/group/ambiente-rs
www.egroups.com - Simplificando las comunicaciones del grupo

Responder a