Bem...
... a questão do bonito ser importante para mim é simples. Usuários
são antes de tudo pessoas e pessoas gostam de coisas bonitas e ponto
final.

Ninguém compra um carro apenas por causa do motor. Muitas pessoas que
têm carros não buscan apenas resolver seu problema de transporte.
Ninguém compra um celular só porque ele "funciona". Em minha opinião o
que acontece com software é que, ao contrário das outras áreas
(egenharia, construção civil, arquitetura, etc) que já existem há
muitos anos, ainda é uma área relativamente nova. Em todas estas áreas
num primeiro instante as coisas tendem a ser feias, toscas, por uma
questão de prioridade: prioriza-se a solução do problema essencial.
Mas passada esta fase (que acredito que estamos chegando próximo no
que diz respeito ao desenvolvimento de software) começa a pesar os
fatores humanos, os fatores psicológicos, etc. Como diria Donald
Norman "As coisas mais bonitas funcionam melhor". Por que? Porque
somos seres humanos e as coisas mais bonitas colocam nosso cérebro num
estado muito mais propicio para uma determinada atividade: seja
dirigir um carro, manusear um celular ou usar uma aplicação. Aqui
entra uma outra tese minha junto com o TI-Centrismo que é o tradeoff
com foco no valor agregado.

(F E R R O U!!! Vou escrever pra caramba agora)

Desenvolver softwares é também saber tomar as decições certas com foco
no todo e não em partes isoladas. E este conceito é sutil mas
poderoso. Daí a importância do Tradeoff - que para quem não sabe é
você escolher entre uma coisa e outra mas sempre sair perdendo umas
coisas e ganhando outras. Mas o grande problema do Tradeoff em
desenvolvimento do Software é que ele é guiado pelo TI-Centrismo.
Vejam exemplos:

Tabela de Tradeoff Atual nas empresas que desenvolvem Software
===================================================

Estética VS. Simplicidade de Implementação = O vencedor é Simplicidade
de Implementação
Estética VS. Não fazer POG (ver POG do Bem no meu post sobre TI-
Centrismo) = O vencedor é "Não fazer POG"

E, mais recente:
Estética VS. Usabilidade = O vencedor é usabilidade

Ou seja, a visão TI-Centrista faz a estética sempre perder. Vou
explicar agora porque isso é ruim visando o sofware como um todo.

Se a informática fosse uma ciência exata literalmente a regra acima
poderia ser aplicada em todas as situações - como é de fato feito na
maioria das empresas que desenvolvem software. Mas e se a minha
premissa de que a estética é importante por que somos seres humanos
estiver certa? Será que, visando o produto final, visando a
experiência como um todo, não seria interessante considerar
eventualmente fazer um POG para oferecer uma melhor estética pois o
usuário vai se sentir melhor na sua aplicação? Será que você não
deveria considerar que a Usabilidade não precisa ser a melhor do mundo
num dado contexto para deixar o Designer Gráfico mais livre para
trabalhar a estética (sim, a Usabilidade cria restrições para o Design
Visual)?

Vamos a um exemplo real de Usabilidade Vs. Estética para ficar claro o
que eu chamo de Tradeoff com foco no valor agregado:

Antigamente na DClick os arquitetos de informação definiam a
usabilidade e depois restava ao Designer colorir os wireframes. Toda e
qualquer alteração proposta pelo designer era recusada com argumentos
dos arquitetos do tipo: "isso é ruim. o usuário terá que dar dois
cliques no lugar de um". Mas espere um pouco? Com que frequencia ele
terá que dar dois cliques? Não muita - disseram os arquitetos. Então
isso é realmente um problema? - perguntou Beck Novaes. Não, não é um
problema grande! Então vamos priorizar a estética que no final das
contas vai agregar mais à solução visto que não é com frequencia que o
usuário terá que dar dois cliques. Isto é Tradeoff com foco no valor
agregado! Você precisa abstrair e pensar num contexto maior: o produto
final. Assim, não se deve tomar como regra nenhum dos itens descritos
na tabela de tradeoff acima.

O que temos que ter em mente que nosso cérebro (novamente ele) não
avalia nada isoladamente. Assim, o usuário falar se uma app é boa ou
não vai depender do conjunto da obra. Você precisa encontrar um
equilibrio entre a estética e a parte funcional. As vezes você deve
deixar de fazer algo assim tão performático pois é algo que não
acontece com frequencia para dedicar mais tempo a fazer algo mais
bonito numa parte do software que o usuário passa a maior parte do
tempo. As vezes você deve deixar de querer a melhor usabilidade do
mundo se o problema de usabilidade não for assim tão grave e, por
outro lado, isto deixa o designer livre para fazer algo realmente mais
bonito. Por que? Porque é disso que o usuário vai lembrar quando ele
pensar sobre o software. Não digo que ele vai lembra APENAS da
estética. Não digo que ele vai lembrar APENAS do funcional. Ele vai
lembrar do conjunto da obra (já ouviram falar de Gestalt?). Ele vai
lembrar das animações e isso o fará pensar que, junto com outras
coisas, o software é bom. Ele vai lembrar do que ele pode fazer
(funcionalidades) e isso o fara pensar que o softeware, em conjunto
com a estética, é bom. Então, permitam-me refazer a tabelinha de
tradeoff:

Tabela de Tradeoff que eu gosto de usar nos projetos que participo
===================================================

Estética VS. Simplicidade de Implementação = O vencedor depende do que
agrega mais valor para o usuário
Estética VS. Não fazer POG do Bem (ver meu post sobre TI-Centrismo) =
O vencedor depende do que agrega mais valor para o usuário
Estética VS. Usabilidade = O vencedor depende do que agrega mais valor
para o usuário

Isto é Tradeoff com foco no valor agregado e não em paradgmas
irraigados na cultura das organizações devido ao TI-Centrismo.


[]'s
Beck Novaes



On 19 ago, 23:16, Eduardo Kraus <[email protected]> wrote:
>  Diferente de site, sistema o cliente nunca comprou o meus pelas belezas. Se
> os sistemas se vendessem por beleza, os softwares da SAP estariam falidos.
>
> Os da PeopleSoft nem se fala.
>
> O Cliente quer saber de um sistema que atenda os requisitos dele. que
> resolva o problema dele e quer saber se você terá condições de dar suporte
> rapido ao problema dele. Se beleza fosse quesito de venda, todos adorariam o
> Vista.....
>
> O Cliente paga beleza quando precisa apresentar aos outros, tipo o painel de
> entrada. Agora um sistema ele quer saber que irá resolver os problemas dele.
>
> Eu posso dizer que o cliente de sistema preza muito mais pela resolução do
> problema que da usabilidade dele. É muito subjetivo, você ter um sistema com
> milhares de atalhos, altamente usuál e didático, mais se não resolver o
> problema o cliente não quer.
>
> Todos, todos os meus clientes querem saber se o meu sistema resolverá o
> problema, mais nada. Eu já ganhei de muitos outras empresas que ofereciam
> sistemas mais complexos, e mais bonitos, mais não resolviam o problema.
>
> Isso também se refere a sites, quantos sites feios vendem mais que o seu, ou
> o meu... Porque será? Eles atendem a minha solicitação.... Resolvem o meu
> problema... E o seu....
>
>   *Eduardo Kraus*
> Desenvolvedor
>  [email protected]http://blog.mxml.com.brhttp://twitter.com/EduardoKraus
>
> 2009/8/19 GuiSjlender <[email protected]>
>
>
>
> > Não podemos esquecer do seguinte...
>
> > Quem irá usar o nosso sistema final é o usuário, o cliente... ou
> > seja... pra quem não faz idéia do que é uma TAG ou coisa do tipo... o
> > layout é um fator muito apreciado pelo mesmo.
>
> > Usando o Catalyst o código fica bem comprido e aparentemente poluido,
> > mas, fazer transações e animações no muque igual ao Catalyst não é bem
> > assim não é?!
>
> > Sou do seguinte pensamento...
>
> > Vale estudar um pouco a estrutura do Catalyst e poder criar um sistema
> > 100% completo tanto na parte backend quanto frontend do que não ser
> > reconhecido o seu sistema ótimo pelo fato de não ser agradável aos
> > olhos do cliente.
>
> > É isso! hehehe
>
> > Abraços
>
> > On 19 ago, 12:31, Eduardo Kraus <[email protected]> wrote:
> > >  O Catalyst é uma ferramenta que esta vindo para que o designer trabalhem
> > em
> > > Flex  e montar as telas para o programador.
>
> > > Mais será que irá ajudar?
>
> > > Sou da teoria que o programador deve saber o básico de designer, o
> > > suficiente para abrir Photoshop ou Fireworks e exportar as imagens para
> > usar
> > > no aplicativo.
>
> > > O Catalyst com certeza irá fazer com que o design trabalhe em Flex, mais
> > o
> > > quanto isso será util? Quanto irá atrapalhar o desenvolvimento com
> > geração
> > > de códigos que não são meus, e que terei que entender primeiro, visto que
> > o
> > > Catalyst gerará o código visual, mais não o código de interação.
>
> > > Então agora pensando, quase 80% das minhas linhas de código são AS, e
> > apenas
> > > 20% são MXML de layout. Será que vale a pena inserir um código não meu,
> > não
> > > seguindo meu padrão, no meu Projeto.
>
> > > Neste caso estou sim pensando no TI-Centrismo, mais nesta parte do
> > projeto
> > > tenho que pensar em quem dará manutenção no software, ou memso em quem
> > > programará o software . . .
>
> > > Será que ajudará?
>
> > >   *Eduardo Kraus*
> > > Desenvolvedor
> > >  [email protected]http://blog.mxml.com.brhttp://
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