On 25/07/2014, at 12:55, Fábio de Sousa <[email protected]> wrote:

> Senti uma irônia no comentário do nosso amigo ou estou enganado? "Efeito
> Ubuntu", "kuruminização".....
> Eu uso FreeBSD, linux, testo todas as distros!
> Me desculpe amigo, mas no meu entendimento, qualquer movimento de software
> livre, que venha disseminar o conhecimento e abrir novo horizontes é
> válido!
> Respeito sua opinião, mas não concordo!
> 

Eu acho que não era essa a intenção original do e-mail do Helio, e sim sobre o 
worm em si.

Mas se formos entrar nessa discussão em específico, eu consigo ver o lado 
positivo da Ubuntuzação do Linux ou a tentativa similar do PC-BSD. Isso permite 
que minha irmã, minha vó, sua mãe, usem software livre sem ter uma curva de 
aprendizado impactante, ao invés de usarem Windows ou Mac OS. Isso é bom pra 
escolas, pra comunidade em geral, colocam o SL como alternativa de fato a SOs 
proprietários de usuários finais. E ponto. Isso dito, não vejo outra vantagem.

Sob uma ótica de profissionais de TI minha posição muda. Acho detestável, me 
incomoda. Conheci escolas que ensinam “Linux” com Ubuntu, conheço 
“profissionais” com “experiência” em Ubuntu, e no entanto nunca configuraram o 
X uma vez na vida, na unha. Nunca colocaram o icewm ou enlightenment ou 
blackbox ou sequer windowmaker pra subir sozinho. Nunca editaram um rc pra 
gerar ícones no desktop. E to focando so em coisas de Desktop, sem nem querer 
me estender a compilação de kernel, ou sequer instalação de um software na unha.

Nego adora sair dando apt, dpkg, e ver as coisas instaladas sem problemas e sem 
trabalho. Ou as vezes pior, vai pela interface gráfica do ubuntu mesmo. E pior, 
agora que o “pkg” no FreeBSD ficou bom, funcional, muito melhor que o pkg_tools 
vejo gente preferindo cada vez mais dar “pkg install xyz” e esperar tudo se 
resolver sozinho do que meramente compilar por ports.

Por incrivel que pareça "make menuconfig” pra um novo “profissional Linux” não 
é algo obvio. Boa parte deles não sabe o que isso faz nem onde se da esse 
comando nem com que objetivo. As vezes pior, um mero ./configure --alguma-coisa 
; make ; make install passa a ser algo do dia-a-dia dessa nova geração que 
instala pacotes prontos e sai usando.

Cada vez é mais comum gerações de profissionais de TI que tem Linux no 
curriculum mas nunca recompilaram seu próprio kernel e ou nem sequer usam um 
único software em sua maquina pessoal que foi compilado por eles mesmos.

Como é que um cara desses vai diagnosticar problemas quando eles surgirem? Como 
é que um cara desses vai sequer usar o X com gnome/kde no FreeBSD se não vier 
pronto?

Agora eu pergunto, da nova geração de Linuxers alguém conhece algum que consiga 
instalar um qmail na unha? qmail com vpopmail que seja? E que quando o 
qmail-start não sobe consegue diagnosticar?

São cada vez mais raros.

Olha a comunidade Debian brasileira da década passada, quantos novos 
empacotadores Debian surgiam todos anos, contribuindo, ajudando, metendo a mão. 
Olha na década atual a taxa de crescimento de contribuidores na mesma função.

Curioso que a user-base de Linux aumentou mas da comunidade que suporta, não 
aumente mais como era na década passada.

Veja quantos novos commiters de source e ports entravam no FreeBSD antes, e 
veja hoje. Vejam quantos novos contribuidores de Linux faziam coisas legais, 
criavam novos projetos de SL antes, e quantos contribuem hoje.

Veja o historico de commits no source do Linux e procure novos nomes la. Mesma 
coisa pros empacotadores Linux, commiters de source FreeBSD ou ports.

Tem renovação claro, mas a taxa hoje é muito menor. Com uma userbase cada vez 
maior. Que sentido isso faz?

Eu preferia muito mais uma época em que um novo usuário Linux instalava 
slackware, debian, e apanhava feito cão pra fazer o básico. Não pq eu sou 
sádico e adoro ver o sofrimento alheio. Mas pq o cidadão aprendia… e depois de 
apanhar e aprender, sabia fazer de novo com a mãos atadas e o principal, 
conseguia ajudar / diagnosticar, escrevia blog posts ou artigos sobre as formas 
geniais que ele usou pra resolver seus problemas. 

Hoje essa “formação natural” não existe mais nas novas gerações. Até o debian 
ficou mais fácil, mais pronto. FreeBSD com o novo pkg de alguma forma (ainda 
saudável, ao meu ver) segue esse caminho. É estranho dizer que as vezes o 
pkg_tools da saudade, mas é bom ver coisas não funcionando pra você poder 
arrumar sozinho. 

Aqui na FreeBSD eu e o Jean brincamos que vamos montar um “curso de macho” onde 
o cidadão vai ter que passar uma semana mandando e lendo e-mail por telnet. 
Navegando na web por telnet, editando texto com vi (não vim) na segunda semana 
a gente deixa ele ir pras facilidades de poder usar mail com fetchmail, lynx, 
depois evoluir pra mutt, pine, quem sabe até um links. Só então poder usar vim, 
ee, pico, nano. Mas sem mceditor hehehe. Se quiser usar twitter terá que ser na 
CLI, gtalk, google drive.

E depois de um mês de introdução ao curso de macho poderá instalar o X e usar 
blackbox. Poderá ter ícone e até uma dock alternativa tipo idesk. Depois icewm, 
depois wm. E quem sabe um dia KDE, gnome ou até Unity. Mas ai será por escolha 
própria, por opção.

Ha 10 anos atrás isso seria desnecessário. Usar pine, mutt, fetchmail no cron 
seria algo obvio e intuitivo. 

Saudade de quando usar BitchX e X-Chat era lamme. E fodao era usar epic com 
rotinas proprias ou um cliente que voce mesmo fez, escrito em Erlang ou Perl 
com Net::IRC (DEAD SINCE 2004 hehe).

--
Patrick Tracanelli

FreeBSD Brasil LTDA.
Tel.: (31) 3516-0800
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"Long live Hanin Elias, Kim Deal!"

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