Pois é, Ana... esta questão dos livros didáticos é delicadíssima, pois
conta com o apoio maciço dos professores das redes, que acham que
precisam do bom e velho manual! No caso de escolas particulares é mais
fácil: a do meu filho, por exemplo, tem apostilas, atualizadas todos os
anos e que, quando chegarem os (ou as) tablets, as venderão "on line"
através do cartão de crédito,para download...
Nas escolas públicas, sabemos que o buraco é mais embaixo... A proposta
de uma pedagogia da autonomia, construtivista, na minha humilde opinião,
deve se estender a todas as classes - não curto este papo ideológico de
proletariado. Mesmo quem estuda em escola particular de classe média se
"enquadra" na categoria de oprimido de Paulo Freire. Nossa função (me
incluo aí na classe média, que paga uma fortuna de contribuição, e
precisa pagar outra ainda maior para ter assistência médica de
qualidade, outra maior ainda para educação de qualidade...e por aí vai!
Os pseudo-intelectuais que leram Karl Marx não entenderam que os
proletários são TODOS que não detém os meios de produção...e assim a
classe média se ilude.
Desculpem-me pelo "desabafo ideológico" mas ele se faz necessário para o
contexto da discussão. Como dizia Cazuza: " são caboclos querendo ser
ingleses..."
Concordo plenamente comvocê Ana! A mudança poderia ser devastadora e
tornaria nosso país um verdadeiro exemplo de democracia! Já temos nos
repositórios de plataformas como a Freire, tanto material para
trabalahar independentemente de qualquer livro didático. Basta os
professores seconscientizarem disso! É o que tentaremos, ousaremos,
fazer em Maricá (acho que ainda continuarão a adotar o livro didático)
mas os professores saberão que há novas alternativas,o que já é um bom
caminho!
O importante é continuar acreditando que, em cada produção de um aluno,
nos incentiva a continuar na luta pela mudança.
Jenny
Em 11-02-2012 11:49, Ana Cristina Fricke Matte escreveu:
A questão do Rainer vai de encontro a outro problema: o livro didátio
no Brasil é uma indústria apoiada pelo governo. Recentemente eu,
Wilkens (GT educação fisl), Dani, Beth e Adelma (as 3 do texto livre)
escrevemos dois capítulos para entrar nessa concorrência. Por mais que
eu chiasse, brigasse, lá vem a chata da ana de novo..., um capitulo
sobre software livre e ensino de línguas vai sair num livro não só
protegidíssimo por copyright como sem direito nenhum para os autores.
O máximo que consegui junto à editora foi que modificassem o contrato
de cessão de direitos impedindo que qualquer revisão fosse feita a
despeito da vontade do autor (é, até esse direito ia pro espaço...).
eles nos dão um prêmio de consolação em troca: vão pagar 133 reais pra
gente pelo capítulo hahahahhahahahahahaha Só rindo muito!
Não fosse a impressionante penetração desse livro se publicado e a
possibilidade de divulgar nossos grupos nele (o link pro SLEducacional
está lá), eu jamais publicaria nessas condições.
Como, numa conjuntura dessas, conseguir que os livros sejam
disponibilizados para os tablets sem grandes perdas para a máfia das
editoras? É, porque a perda é problema deles, mas o lobby contrário
que farão em virtude dessa perda é problema nosso...
Foi por não acreditar que uma mudança consistente esteja perto que
decidi propor a publicação do livro online de portugues sob CC. Temos
excelentes profissionais entre nós: acho que nossos grupos poderiam
tomar a ideia nas maos e pensar que uma ótima forma de ir contra a
maré seria investir em coleções completas de livros assim. Solução a
médio prazo, claro, mas poderia ser devastadora se bem feita.
bjs
Ana
Em 10 de fevereiro de 2012 22:48, Jenny Horta <[email protected]
<mailto:[email protected]>> escreveu:
/"/
/Sabe o que é pior gente, não exista nada para educaçao nos
tablets a não ser jogos de etreterimento. /"
Não entendo nada de Android...nele não podemos instalar os
programas p/ Linux, tipo o Tux por exemplo?
/"...Consome a tecnologia pra depois pensar em metodologia e
contexto?!"
/
É por essas e outras que estamos entrando com os pés e também as
mãos (pra prevenir) numa capacitação no Município de Maricá onde
os alunos receberam netbooks "positivo" (parecem até o da Xuxa, he
he he) e começamos redigindo um termo de condições técnicas
básicas como pré-requisito para iniciar as reuniões com os
professores da rede. Não podemos ficar a mercê do marketing
eleitoreiro.
Por falar nisso, alguém aí conhece o Mandriva Mini?? Vou procurar
na web agora.
Em 10-02-2012 20:39, Rainer Krüger escreveu:
Sabe o que é pior gente, não exista nada para educaçao nos
tablets a não ser jogos de etreterimento.
Até onde eu seu, não existe uma real chande de disgitalização dos
livros didáticos ou qualquer ambiente que possa se aplicar o uso
pedagógico desta tecnologia na educação. Fica a dúvida, será que
o modelo será o mesmo que o de antes: Consome a tecnologia pra
depois pensar em metodologia e contexto?!
Abraços
Rainer
------------------------------------------------------------------------
*De:* Ana Cristina Fricke Matte <[email protected]>
<mailto:[email protected]>
*Para:* Software Livre Educacional - Geral
<[email protected]>
<mailto:[email protected]>
*Enviadas:* Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012 9:47
*Assunto:* Re: [SLEdu] O que se conclui disso a não ser falta de
planejamento??
Fred,
a única parte do vídeo que está errada é dizer que a tecnologia
chegou uma semana depois...
bjs
Ana
Em 7 de fevereiro de 2012 22:01, Frederico Goncalves Guimaraes
<[email protected] <mailto:[email protected]>> escreveu:
Olá Jenny e demais,
Consta no registro JH07282 do Livro da Grande Teia que
Jenny, em 07/02/12 escreveu o seguinte:
> Relatório encomendado pela SAE avalia que situação do
projeto Um
> Computador por Aluno 'é caótica'
>
> Lançado com entusiasmo pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva,
> o projeto Um Computador por Aluno (UCA) praticamente foi
abandonado
> na transição para o governo Dilma Rousseff. Parte dos 150
mil laptops
> comprados pelo governo por R$ 82, 5 milhões está
subaproveitada. Há
> também registro de alto índice de laptops quebrados e
avariados.
>
.......
>
> "Vamos mergulhar na reflexão", reagiu o ministro da
Educação, Aloizio
> Mercadante ao ser questionado sobre o destino do UCA. Na
> quinta-feira, o ministro anunciou da distribuição de
tablets aos
> quase 600 mil professores do ensino médio, até o final de 2012.
Peraí, deixa eu ver se entendi. Faz-se um relatório que
indica que a
falta de planejamento de longo prazo e capacitação dos
professores são
prováveis motivos dos problemas com o UCA. Mas aí o MEC vai
distribuir
tablets para 600 mil professores, mais uma vez sem
planejamento de
longo prazo nem capacitação? Sei.....
O pior dessa história é que ninguém discute a essência da
escola, seu
funcionamento e estrutura. Mais uma vez acham que é a
tecnologia que
vai resolver tudo... Nessas horas eu sempre me lembro desse
vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=a0-1eRHiMxs
Um abraço e até mais.
Frederico
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"Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há
ninguém que explique e ninguém que não entenda." (Cecília
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