Antigo presidente do Conselho Deontológico dos jornalistas portugueses, Oscar 
Mascarenhas faleceu na manhã de dia 6 de maio, vítima de um fulminante ataque 
cardíaco. Provedor do Leitor do “Diário de Notícias” até ao final do ano 
passado, tinha 65 anos. Casado com a também jornalista Natal Vaz, deixa uma 
filha.

De Goa à Faculdade de Direito de Lisboa 

Oscar José Mascarenhas nasceu a 9 de dezembro de 1949 na freguesia de Ribandar, 
em Goa, um dos territórios que faziam parte do então Estado Português da Índia. 
Veio para Portugal em 1957, antes ainda da invasão de Goa, Damão e Diu pela 
União Indiana.

Fez o ensino secundário na Externato Frei Luís de Sousa (em Almada) e no Liceu 
Gil Vicente (em Lisboa). Neste último estabelecimento, foi colega de Carlos 
Cáceres Monteiro, Luís Almeida Martins e João Vaz – um quarteto de futuros 
jornalistas que haveriam de trabalhar em conjunto no vespertino “A Capital”.

Frequentou depois, e durante três anos, a Faculdade de Direito de Lisboa, tendo 
sido colega, para além de Cáceres Monteiro, de Marcelo Rebelo de Sousa, Leonor 
Beleza, do franciscano Vítor Melícias e do também jornalista Luís Pinheiro de 
Almeida, bem como de Carlos Veiga, futuro primeiro-ministro de Cabo Verde. Na 
faculdade, fez parte da lista candidata à Associação de Estudantes que se 
apresentou sob o lema “Ousar Lutar, Ousar vencer”, liderada por Arnaldo de 
Matos, que viria a ser o secretário-geral do MRPP.

Interrompeu o curso de Direito e alistou-se como voluntário na Força Aérea 
Portuguesa, tendo sido colocado nos Açores.

De “A Capital” à Lusa, passando pelo “Diário de Notícias” 
Entrou na profissão a 2 de janeiro de 1975, no vespertino “A Capital”, dia em 
que conheceu a sua futura mulher, Natal Vaz, que entrara para o jornal no verão 
anterior. Militante do Movimento de Esquerda Socialista (MES) – o único partido 
a que pertenceu -, colaborou no seu jornal, “Poder Popular”. Já em 1976, 
pertenceu à redação do semanário “Página Um”, que apoiou a candidatura de Otelo 
Saraiva de Carvalho às eleições presidenciais. Era um jornal por onde passaram 
jornalistas como Fernando de Sousa, Henrique Garcia, Artur Albarran e João Vaz, 
o cartoonista Vasco, o pintor Leonel Moura e o jurista Francisco Teixeira da 
Mota.

Em 1982 trocou “A Capital” pelo "Diário de Notícias", onde trabalhou durante 
dois períodos: 1982-2002 (como repórter e redator principal) e 2012-2014 (como 
provedor do leitor). Trabalhou ainda no “Jornal do Fundão” e na agência Lusa 
(entre 2003 e 2009, altura em que passou à situação de pré-reforma, em que 
ainda se encontrava).

Dois livros na forja 
Tirou o primeiro curso de pós-graduação em jornalismo, promovido pelo ISCTE e 
pela Escola Superior de Comunicação Social. Seguiu-se o mestrado e admitira 
recentemente avançar para o doutoramento, em Ciências da Comunicação, ainda 
pelo ISCTE.

Foi durante várias décadas dirigente do Sindicato dos Jornalistas, tendo 
presidido ao Conselho Deontológico durante oito anos. Fez parte igualmente da 
Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas.

Publicara dois livros: “O Poder Corporativo Contra a Informação” (2001, Minerva 
Coimbra) e “Nuvem de Chumbo. O Processo Casa Pia na Imprensa” (com Nuno Ivo, 
2004, Dom Quixote). Deixou em fase de publicação a tese de mestrado, a que dera 
o título sugestivo de “O Detetive historiador. O jornalismo de investigação e a 
sua ética”, bem como um livro com uma vasta seleção de citações.

O corpo de Oscar Mascarenhas vai às 15h desta quinta-feira, 7, para a capela 
mortuária da Igreja de São João de Deus (à Praça de Londres). Será cremado às 
12h de sexta-feira, no cemitério do Alto de São João.

http://expresso.sapo.pt/sociedade/2015-05-07-Oscar-Mascarenhas-um-dos-promotores-do-panteao-dos-jornalistas-


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