Em reunião do Conselho de Segurança da ONU

Estados Unidos anunciaram mais sanções contra o narcotráfico na Guiné-Bissau





Os Estados Unidos anunciaram ontem no Conselho de Segurança das Nações Unidas, 
em Nova Iorque, que vão impor sanções contra mais narcotraficantes da 
Guiné-Bissau.


 Jorge Heitor/PÚBLICO online 


 
Anderson defendeu um aumento dos esforços de combate ao narcotráfico que está a 
desestabilizar a região 

 
A embaixadora adjunta norte-americana na ONU, Brooke D. Anderson, afirmou que 
Washington vai decretar sanções contra mais narcotraficantes tanto da 
Guiné-Bissau como de toda a África Ocidental, pedindo a todos os países que 
façam o mesmo, congelando as contas de tais indivíduos.

Anderson defendeu um aumento dos esforços de combate ao narcotráfico que está a 
desestabilizar toda aquela região, com muito particular incidência na 
Guiné-Bissau.

"O narcotráfico e o efeito do dinheiro da droga no crime organizado são uma 
ameaça clara para a estabilidade e segurança da Guiné-Bissau e de toda a 
região. Estamos profundamente preocupados", prosseguiu a representante de 
Washington.

Estas afirmações foram feitas depois de uma reunião do Conselho de Segurança 
durante a qual se disse que o tráfico de cocaína proveniente da América Latina 
ameaça desestabilizar ainda mais um dos países mais pobres do mundo, onde em 
Março do ano passado foi assassinado o Presidente João Bernardo Nino Vieira.

O Gabinete das Nações Unidas para a Droga e o Crime tem vindo a dizer que o 
dinheiro proveniente do narcotráfico está a ser utilizado para financiar 
movimentos terroristas. E o departamento norte-americano do Tesouro já em Abril 
indiciou como narcotraficantes o almirante guineense Bubo Na Tchuto e o general 
Ibraima Papa Camara, admitindo-se que em breve outros nomes sejam acrescentados 
à lista das pessoas proibidas de negociar com os Estados Unidos.

Ontem, Anderson manifestou-se muito preocupada por Na Tchuto ter estado há 
alguns meses refugiado na representação da ONU em Bissau, apesar de ser tido 
como um notório barão da droga, que vivera algum tempo exilado na Gâmbia. E só 
saiu do seu refúgio por intervenção de um grupo de militares amotinados, sob o 
comando do general António Indjai, que depois disso até foi designado chefe do 
Estado-Maior General das Forças Armadas.

País muito frágil

Os recentes acontecimentos na Guiné-Bissau trouxeram à luz do dia toda a 
fragilidade dos esforços que se têm feito para dar alguma estabilidade ao país, 
destacou na sessão de ontem do Conselho de Segurança o representante da ONU no 
território, Joseph Mutaboba.

O movimento militar de 1 de Abril, durante o qual o primeiro-ministro Carlos 
Gomes Júnior chegou a estar sequestrado e foi ameaçado de morte por Indjai, 
"constituiu uma grave quebra da ordem constitucional e um desafio à comunidade 
internacional", reconheceu o ruandês Mutaboba.

A fraqueza das instituições, as falhas no desenvolvimento, o narcotráfico e o 
crime organizado foram apontados pelo diplomata como obstáculos à desejável 
estabilidade de uma antiga colónia portuguesa que, em 24 de Setembro de 1973, 
se proclamou unilateralmente independente.

Por seu turno, a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Ribeiro Vioti, 
presidente da Comissão para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau, declarou que 
os acontecimentos de Abril devem ser energicamente condenados por toda a gente. 
E pediu que se resolva a situação do contra-almirante Zamora Induta, que 
naquela altura foi afastado por Indjai de chefe do Estado-Maior General e 
remetido para a prisão, onde até hoje continua, sem que nenhum tribunal se 
tivesse pronunciado sobre o assunto.

Quanto ao embaixador brasileiro em Bissau, Jorge Kadri, igualmente presente em 
Nova Iorque, a nomeação de Indjai para o lugar de que afastou o seu superior 
hierárquico foi uma "chapada na cara da comunidade internacional", dada pelo 
Presidente da República, Malam Bacai Sanhá, que homologou uma proposta feita 
nesse sentido pelo Governo de Carlos Gomes Júnior.

Apesar de toda a dureza das intervenções de ontem, o encontro informal de cerca 
de duas horas sobre a Guiné-Bissau terminou sem qualquer resolução em concreto, 
pelo que a situação deverá voltar em breve à agenda do Conselho de Segurança, 
por sugestão da França.

Espera-se, entretanto, que o caso guineense faça parte da agenda da conferência 
de chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa 
(CPLP), que no dia 23 deste mês vai decorrer em Luanda, precedida na véspera 
por uma reunião de ministros dos oito estados membros. 




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