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      7/3/2009
     
      Por que esquecemos?
     
      Editorial
     
     
            Na última quarta-feira, parcela expressiva da população brasileira 
ficou escandalizada (pelo menos por alguns minutos) com a recente eleição do 
ex-presidente Fernando Collor de Mello para comandar a estratégica Comissão de 
Infraestrutura do Senado. 

            Afastado da Presidência da República em 1992, depois de renunciar 
para escapar de um processo de impeachment por suspeita de envolvimento com o 
escabroso esquema de corrupção coordenado por seu assessor PC Farias, o senador 
alagoano perdeu os direitos políticos. 

            Ainda responde a processo no Supremo Tribunal Federal, pelas 
acusações de corrupção passiva, peculato e falsidade ideológica. Mas foi eleito 
senador em 2006 e, segundo seus pares, trabalha para reconquistar prestígio 
político com o propósito de se recandidatar ao cargo máximo da nação em 2010. 
Parece fantasia, mas quem pode duvidar?

            Os eleitores brasileiros têm sido demasiado condescendentes com 
políticos denunciados por envolvimento com ilicitudes. Basta ver o que ocorreu 
nas últimas eleições municipais: mais de 60% dos prefeitos implicados em 
ilícitos administrativos, segundo a Controladoria-Geral da União, conseguiram 
um novo mandato. A impressão que fica é a de que o eleitor tem memória curta ou 
dá pouca importância para a conduta e a moralidade de seus representantes.

            Evidentemente, os ritos legais têm que ser observados e 
respeitados. Se um governante ou parlamentar acusado de corrupção - caso do 
ex-presidente Collor - submete-se a investigações e julgamentos, recebe 
absolvição ou cumpre a sentença que lhe cabe, é lógico que recupere a sua 
condição de cidadão igual aos demais. Mas os eleitores não precisam esquecer 
que aquele político já lhes traiu a confiança. E é na hora do voto, munidos de 
informações confiáveis, que eles devem decidir se lhe dão uma nova oportunidade 
ou se escolhem outros representantes.

            A democracia abriga múltiplas possibilidades. Ao mesmo tempo em que 
permite ao político se redimir de erros pretéritos, dá ao eleitor sucessivas 
oportunidades de fazer o seu próprio julgamento. Ao mesmo tempo em que 
possibilita jeitinhos e procrastinações que ferem a moralidade pública, também 
proporciona mecanismos de controle de fraudes e de vigilância sobre a 
administração e a representação legislativa. É na democracia, portanto, que 
estão as soluções para as questões éticas que a política impõe a cada dia.

            Se parece intolerável que um governante afastado por improbidade 
recupere poder em decorrência de mal-explicados interesses políticos e 
partidários, os eleitores é que precisam reagir a esta situação. Para isso, nem 
precisam esperar pelas eleições. 

            Há outros instrumentos democráticos, além do voto, que podem ser 
acionados a qualquer momento, tais como protestos, manifestações públicas, 
envio de e-mails para o governo e para as casas legislativas, uso da imprensa e 
dos movimentos sociais organizados. 

            O importante é não esquecer, não fingir que não é conosco, não 
deixar de exigir transparência e integridade de quem nos representa.
           
              
            Zero Hora / RS - Editorial
           
     

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