http://oglobo.globo.com/economia/mat/2009/12/18/brasileira-presa-por-golpe-de-bilhoes-em-portugal-915270738.asp

Falsificações
Brasileira é presa por golpe de bilhões em Portugal

Plantão | Publicada em 18/12/2009 às 11h49m
BBC

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Uma brasileira está em prisão preventiva em Portugal acusada de montar 
um esquema de garantias bancárias falsas cujo valor apurado até agora 
ultrapassou 60 bilhões de euros (cerca de R$ 153 bilhões) - um recorde 
entre as falsificações em Portugal.

Segundo a acusação, a paulista M.R.P. (o nome dela está guardado sob 
segredo de Justiça), de 37 anos, teria falsificado cartas de crédito da 
agência de Lisboa do Banco do Brasil para operações de importação e 
exportação.

Clique aqui e entenda a importância da carta de crédito para o comércio 
exterior.

A coordenadora da Unidade de Combate à Corrupção de Polícia Judiciária, 
Manuela Marta, relata que o caso partiu de uma denúncia do Banco do 
Brasil. "As investigações começaram a partir de elementos que nos 
chegaram a partir da própria entidade bancária. Eram documentos muito 
semelhantes aos originais", disse.

As garantias bancárias teriam sido vendidas para empresas de importação 
e exportação que utilizavam esses documentos para diminuir a taxa de 
juros na obtenção de empréstimos. A cada garantia bancária falsa, os 
falsificadores receberiam em contrapartida um valor entre 25 mil e 60 
mil euros.

A investigação abrange ainda as empresas compradoras dos documentos, que 
também incorreriam em crime. Os lesados seriam bancos e agências de 
financiamento de operações de importação e exportação.

Diz que "a detida é uma estrangeira que se encontra em Portugal há cerca 
de dois anos" e que teria se dedicado durante todo este período a esse 
tipo de crime. Além dela, houve mais um detido, de nacionalidade portuguesa.

Denúncia

José Carlos Neves, administrador do Banco do Brasil em Lisboa, conta 
como foi feita a denúncia: "Foi meu antecessor aqui em Lisboa. Começaram 
a chegar pedidos de confirmação de garantias bancárias em valores 
absurdos com documentações completamente infundadas".

"Nós negamos a autenticidade e comunicamos às autoridades portuguesas, 
na medida em que constituíam uma fraude", relata Neves.

As consultas sobre a autenticidade dos documentos foram feitas por 
empresas de comércio internacional por meio de e-mail ou fax. Os valores 
de cada garantia iam de 500 milhões de euros até 10 bilhões de euros. Em 
26 de maio, os dois foram detidos e apresentados a um juiz.

M. ficou em liberdade, com obrigação de se apresentar periodicamente a 
uma delegacia de polícia da região de residência - como é brasileira e 
haveria perigo de fuga, ela teve de entregar seu passaporte. O outro 
indiciado ficou em prisão domiciliar, com uma pulseira eletrônica de 
localização.

No entanto, teriam mantido o esquema e foram novamente detidos, sendo 
que ela foi colocada em prisão preventiva no dia 9 de dezembro. Um dia 
antes de ser detida e colocada em prisão preventiva, M. colocou na 
internet um anúncio para vender um celular touchscreen sofisticado, cujo 
preço normal é de 340 euros, por 230 euros.

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