Fabrício,

Em 1963 eu ganhei de um professor de física o livro "O Retrato".  Hoje, quase 
que por acaso deparei-me com o artigo abaixo. Há muita verdade no que é dito e 
o autor, além do que descreve, faz também uma espécie de mea culpa por atitudes 
que teria tomado aqui. Penso que para você, que é historiador, será útil. Vale 
a pena procurar. 

OSVALDO PERALVA
O jornalista que o Brasil esqueceu

Sergio Paes da Motta e Albuquerque em 6/7/2010

Osvaldo Peralva foi um jornalista e repórter internacional brasileiro que 
esteve na União Soviética no final dos anos 1950. Falava russo corretamente, 
acreditava no bolchevismo. Mas retornou decepcionado com os horrores da 
ditadura stalinista e publicou seu livro-denúncia O Retrato (Editora Globo, 
1962), onde narra em pormenores os horrores dos porões da KGB, e as 
conseqüências trágicas das idéias de Lênin e seus sucessores. Este jornalista 
descreveu em minúcias cada mentira, cada fracasso do regime soviético. E pagou 
por isso. 
Voltou para o Brasil convertido ao "socialismo democrático", como disse o mesmo 
em seu famoso livro. Peralva também integrou o Kominform, o comitê de 
informação comunista. Foi membro ativo do PCB por 30 anos, mas abandonou o 
partido após pronunciamento de Nikita Kruschev, em 1956, quando o comitê foi 
extinto. Foi execrado pela maioria da esquerda brasileira. Muitos 
ex-companheiros o acusaram de agente da CIA. Sua atitude corajosa quase 
destruiu sua vida.

Foi diretor do Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, nos anos 1960. 
Desencantou-se com João Goulart, em 1964. Como muitos de seus colegas. Em 1968 
foi preso, após o AI-5. Sua corajosa e antecipada crítica jamais foi perdoada 
ou esquecida pela maior parte da intelectualidade brasileira.

Denúncia contundente

Hoje pouco se fala de Osvaldo Peralva. O homem que disse a verdade sobre o 
comunismo, muito antes da perestroika e de Mikhail Gorbachev, agora ameaça 
desaparecer da história. Ouvi falar dele em público, pela última vez, no final 
dos anos 1980, numa palestra do cientista político Leandro Konder. Que 
referiu-se a ele como autor de um livro, "muito, muito ruim". Referia-se ao 
Retrato. Nada mais disse o professor Konder sobre Osvaldo Peralva...

O livro até hoje anda abandonado, mofando nas bibliotecas das universidades. É 
um retrato precioso da falácia do socialismo soviético. Uma completa 
desconstrução dos mitos que os soviéticos procuraram propagar mundo afora, nas 
décadas de 1950 e 60. O Retrato é leitura obrigatória para todos, membros da 
mídia ou não, que desejam entender a infeliz trajetória do comunismo em sua 
forma mais macabra: o stalinismo.

Osvaldo Peralva faleceu no Rio de Janeiro em 19 de outubro de 1992. Ninguém 
mais fala dele. Seu nome e sua lembrança são anátemas para boa parte da 
intelectualidade brasileira. Cabe a nós decidir se a denúncia contundente e 
verdadeira de Peralva vai viver ou desaparecer para sempre da memória do 
jornalismo e das idéias democráticas no Brasil.

Em:

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=597MEM002


Carlos Antônio.

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