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26/07/2010 07h00 - Atualizado em 26/07/2010 11h38
 Carro que passa a semana parado exige manutenção maior Especialistas
apontam principais danos dos veículos pouco usados.
Uma dica é evitar encher o tanque, pois o combustível envelhece.

*Priscila Dal Poggetto e Luciana de Oliveira* Do G1, em São Paulo
 Carro que fica parado na garagem a semana inteira para rodar só no fim de
semana exige manutenção mais frequente do que aquele que é usado todo dia,
dizem especialistas. A demora para gastar o tanque cheio de combustível ou
para atingir a quilometragem prevista para a próxima troca de óleo pode
virar receita de problemas. “Os líquidos envelhecem e prejudicam
mecanismos”, explica Felício Felix, do Centro de Experimentação e Segurança
Viária (Cesvi).

A gasolina, por exemplo, perde características depois de um mês no tanque e
pode gerar entupimento dos bicos injetores, ensina o analista. O álcool tem
uma duração só um pouco maior. Por isso, encher o tanque não é recomendado
para quem usa pouco o carro. Tampouco esperar pela quilometragem certa para
trocar o óleo do motor. “Ele dura, no máximo, cinco meses”, diz Denis Marum,
diretor executivo da Oficina Chevy Auto Center, em São Paulo.

Escapamento, pneus, ar-condicionado e bateria também entram na lista de
equipamentos que podem ser afetados pelo pouco uso do veículo. Veja detalhes
abaixo.

*'Efeito padaria' e revisão mais cara
*Pior é no caso do veículo que é usado esporadicamente e apenas por curtas
distâncias, menos de10 km ou de 20 minutos. “É o efeito padaria”, lembra
Felix. “O carro nunca roda o suficiente para o motor esquentar e haver a
lubrificação das peças. A cada partida, há um desgaste  grande”. O prejuízo
é maior “quando a pessoa tira o carro da garagem e acelera de uma vez”,
destaca Harley Bueno, diretor de segurança veicular da Associação dos
Engenheiros Automotivos (AEA).

É por isso que o carro que roda pouco passa a ser visto como de “uso
severo”, como aqueles que andam acima do esperado. Na revisão, a tendência é
que seja preciso antecipar a troca de peças, o que pode quase dobrar o custo
com manutenção. “O aumento fica entre 30% e 40%”, avalia Wagner Puzzi, chefe
da oficina da concessionária Itavema Fiat. “O que seria trocado na segunda
revisão, acontece na primeira. O da terceira, na segunda, e por aí vai."

*Risco na inspeção veicular*
E o prejuízo dos 'domingueiros' não para na oficina. A chance de um
automóvel de pouco uso ser reprovado na inspeção veicular é maior do que a
daqueles que rodam todo dia. Isso porque a vistoria obrigatória inclui todos
os itens que são comprometidos pela falta de uso. "A inspeção vai desde a
observação do estado do escapamento até o aproveitamento do combustível",
alerta o gerente regional da Controlar, Luiz Vicente de Mello Filho. A
empresa é a responsável pelas vistorias da cidade de São Paulo.

Por isso, é recomendável ter cuidado com a tentação de comprar aquele carro
usado “que está novinho, quase não foi usado”, alerta Felix. “Se alguém me
oferecesse um carro que rodou 10 mil km em três anos e outro que andou 45
mil km nesse tempo, preferiria o segundo. A menos que o dono do primeiro
comprove que fez a manutenção com tanta frequência como deveria”.



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