Ciência - Página 34 Criação sem Criador Stephen Hawking afirma que não é preciso existir Deus para explicar o Universo
O surgimento do Universo foi uma consequência natural das leis da física e não é preciso invocar a ideia de Deus para explicá-lo, afirma o inglês Stephen Hawking, um dos maiores pensadores da Ciência contemporânea, em seu novo livro, “The grand design” (em uma tradução livre, “O grande projeto”), que será lançado no próximo dia 9 na Inglaterra, e ainda não tem previsão de chegada no Brasil. Em trechos do livro publicados na edição de ontem do jornal britânico “The Times”, Hawking contesta afirmação de Isaac Newton de que a existência do Cosmo demanda a de Deus, pois não seria possível que sua estrutura ordenada tivesse vindo do caos. — Como há uma lei com a da gravidade, o Universo pode e vai se criar do nada. A criação espontânea é a razão porque temos algo e não o nada, porque o Universo existe e nós existimos — diz. — Não é necessário invocar Deus para acender o pavio e colocar o Universo em movimento. A nova posição de Hawking contrasta com a que ele próprio sustentara há mais de duas décadas, de que a existência de um Criador não era incompatível com a ciência. Em seu primeiro best-seller, “Uma breve história do tempo”, lançado em 1988, ele dizia que a descoberta de uma teoria que unisse as quatro forças fundamentais conhecidas — gravidade, eletromagnética, nuclear forte e nuclear fraca — seria “um grande triunfo da Humanidade, pois então deveremos conhecer a mente de Deus”. Então, Hawking acreditava que esta chamada “teoria de tudo” estava próxima de ser revelada, com 50% de chances de acontecer até o ano 2000. *Planetas fora do Sistema Solar* O cientista inglês também argumenta que a descoberta de planetas fora do Sistema Solar a partir de 1992 é mais uma prova de que o Universo não foi criado por um ser superior. — Isso faz com que as coincidências de nossa condição planetária — um único Sol, a combinação de sorte entre a distância Terra-Sol e a massa solar — muito menos impressionante, e evidência bem menos convincente de que a Terra foi cuidadosamente desenhada só para agradar a nós, seres humanos — considera. Para Hawking, explicar o Big Bang e a existência do Universo não é tão simples como apenas apelar para a ação de Deus, como fez Newton. Segundo ele, para entender o Cosmo é preciso saber tanto como quanto o porquê de ele se comportar da maneira que se comporta, ao que chama da “Grande questão da vida, do Universo e de tudo”, numa referência ao trabalho do escritor de ficção científica Douglas Adams. — Vamos tentar responder esta questão neste livro — escreveu. — E, ao contrário do “Guia do mochileiro das galáxias”, nossa resposta não será simplesmente “42” — completou, sendo “42” a resposta deliberadamente absurda escolhida por Adams em seu citado livro. Hawking escreveu seu novo livro em parceria com o físico americano Leonard Mlodinow. “O grande projeto” é o seu primeiro trabalho dedicado ao público em geral em quase uma década. No ano passado, ele se aposentou da cátedra Lucasiana de Matemática da Universidade de Cambridge após ocupá-la por 30 anos. A mesma cadeira pertenceu a Newton. Recentemente ele causou polêmica ao afirmar, em uma série sua para o canal de TV a cabo Discovery, que a Humanidade devia parar de procurar por vida inteligente fora da Terra e anunciar sua presença no Cosmo, pois eventuais alienígenas provavelmente seriam mais avançados tecnologicamente e poderiam destruir ou escravizar os seres humanos.
