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From: Pausa para a
Filosofia
Sent: Friday, July 29, 2005 12:08 AM
Subject: [pfilosofia2] 20050729a - De mal a pior De mal a
pior Newton
Carlos* O que mais nos reserva o século vinte e um? Robert Kaplan é autor de livro cujas previsões mais parecem uma jornada de terror e angústias na direção do terceiro milênio. Nada de civilização que mereça esse nome. O universo kaplaniano, de anarquia e destruição, espalhou a crença, freqüente em sociedades esotéricas, de que a ficção científica ou política já se confunde com cenários a caminho de se tornarem realidades. Recursos naturais com riscos de extinção, como a água, produzem confrontos armados e as guerras se tornam contínuas. Bandos de sem-pátrias enfrentam militarmente forças de segurança privadas, das elites. Só nos Estados Unidos, mais de 80 milhões já estão enfurnados em condomínios fechados e armados. Estudos prospectivos da ONU e de vários governos coincidem com Kaplan. A ONU considera inevitáveis guerras provocadas por disputas envolvendo o controle de fontes de água, o precioso líquido cada vez mais precioso. O domínio de nascentes e reservatórios é uma das questões mais intratáveis do Oriente Médio. Se a China alcançar os Estados Unidos em consumo de petróleo, o ouro negro, o excremento do diabo, se tornará um fator ainda mais virulento de disputas. Ghandi disse que a terra tem como dar tudo o que o ser humano necessita. Mas não tudo o que o ser humano cobiça. O século passado foi o da bomba atômica. A historiadora Bárbara Tuchman comparou-o ao século da peste e da guerra dos 30 anos. Mas o ser humano pôs o pé na lua. Na bagagem de um extraordinário desenvolvimento científico e tecnológico vieram as armas de destruição maciça. O século 21 será diferente? O terrorismo, a partir de malha que se esgarça, e a guerra global contra o terrorismo, com tropas de Bush na linha de frente, estariam antecipando resposta negativa. O binômio fanatismo e brutalidade, com conotações religiosas de um lado e outro, marcam distâncias de boas coisas. É a tragédia, disse Tuchman, da perda de fé num mundo melhor. No século 20, a Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, criou esperanças de que as coisas tomassem outro rumo, tal o sacrifício em enormes perdas humanas. A Revolução Russa, no entanto, que prometia abrir as janelas para um universo mais solidário, naufragou tragicamente. Uma nação supostamente civilizada entregou-se ao nazismo e caiu numa selvageria organizada. Os Estados Unidos calcinaram duas cidades japonesas com bombas atômicas e sacrificaram asiáticos miseráveis com seu arsenal mortífero. Foi o mais terrível dos séculos, na visão amargurada de William Golding, prêmio Nobel. Só numa década foram assassinados 250 mil americanos. O uso de gases letais passou por cima do dito romano de que guerra se faz com armas e não com veneno. No caso do atentado terrorista no metrô de Tóquio, armas químicas foram empregadas contra a população civil. Abriu-se, segundo especialistas, uma nova fase de violência e terror. Os atentados em Londres se encaixariam numa nova lógica, a partir da explosão de ódio e fanatismo contra os Estados Unidos, da invasão do Iraque e do surgimento de uma insurgência islâmica. A de combate total contra o Ocidente. É o que dizem especialistas. Tuchman, cronista das amarguras do século 20, não viveu o suficiente para registrar novas amarguras. * Newton Carlos é jornalista
especializado em política internacional. Fonte: http://www.correiocidadania.com.br/ed457/newton.htm Projeto Pausa para a
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