Oi Cardoso

É óbvio que o contato entre as espécies e a ocorrência de mutação são
coisas diferentes.

Mas a quebra das barreiras entre espécies diferentes eu não sei direito 
(nem sei se alguém sabe) de que fator(es) depende.

Lembra do vírus Ébola?

---

(fui ver em http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89bola)

é uma doença infecciosa grave muito rara, frequentemente fatal, causada
pelo vírus Ébola. Ao contrário dos relatos de ficção é apenas
moderadamente contagioso. Ele foi identificado pela primeira vez em 1976
no Zaire, perto do Rio Ébola, e acabou servindo de nome para o vírus.
...
Há três estirpes: Ebola–Zaire (EBO–Z), Ebola–Sudão (EBO–S) com
mortalidades de 83% e 54% respectivamente. A estirpe Ebola–Reston, foi
descoberta em 1989 em macacos Macaca fascicularis importados das
Filipinas para os EUA.
...
O virus é denominado pelo nome de um rio na Répulica Democrática do
Congo (antigo Zaire), o Rio Ébola, onde tem havido vários casos. Nunca
houve casos humanos fora de África mas já houve casos em macacos
importados nos EUA e Itália. Os casos identificados desde 1976 são
apenas 1500, dos quais cerca de 1000 resultaram em morte. Não foi ainda
identificado o reservatório animal do vírus.
...
O Ébola foi primeiramente descoberto em 1976 por uma equipe comandada
por Guido Van Der Goren, chefe do laboratório de Microbiologia do
Instituto de Medicina Tropical de Antuérpia, na Bélgica.

Desde a sua descoberta, diferentes estirpes do Ébola causaram epidemias
com 50 a 90% de mortalidade na República Democrática do Congo, Gabão,
Uganda e Sudão. A segunda epidemia ocorreu em 1979, quando 90% das
vítimas morreram. Em maio de 1995, a cidade de Mesengo, a 100 km de
Kikwit, no Zaire, foi atingida pelo vírus, que matou mais de cem
pessoas. Há suspeitas de casos no Congo e no Sudão. O primeiro desse
tipo de vírus apareceu em 1967, foi o Marburg, a partir de células dos
rins de macacos verdes de Uganda.

---

Percebe? Aparentemente era um vírus que atacava algumas espécies de
macacos na sua localização original. (Lembro que os macacos são
mamíferos e pertencem à mesma Ordem que os humanos, os Primatas, 
portanto muito próximos, com rotas metabólicas e várias partes de DNA e 
  proteínas idênticas ou muito semelhantes às nossas).

Por algum motivo e em apenas em alguns casos, as barreiras 
inter-específicas foram rompidas e houve um brutal aumento da população 
viral, com infecção em humanos e vários óbitos ocorreram.

E, felizmente, essas crises foram momentâneas, epidêmicas.

Por que será?

O tal vírus mutante já não "sabia" atacar o homem?

-- 
Beijins
Fa
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"Até o marimbondo tem casa." - Barão de Itararé
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Cardoso wrote:

> O que estamos discutindo aqui são as mutações, e como a influência
> humana é zero, no caso das epidemias. Um vírus maligno que sofra uma
> mutação e contamine primatas, se ficar perdido na selva claro que não
> vai contaminar ninguém, já se a selva é invadida, o hospedeiro é de
> alguma forma forçado a fazer contato com humanos, obviamente vai
> contaminar a gente.
> 
> Só que isso não tem nenhuma influência no fato do vírus sofrer mutações,
> e muito rápido.  
> 
> On Mon, 20 Mar 2006 02:58:16 -0300
> Fatima Conti <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> 
> FC> 
> FC> Oi Cardoso
> FC> 
> FC> 
> FC> Acho que de novo a questão do tempo é essencial, além de outras.
> FC> 
> FC> Há muitas doenças que ficaram restritas à certos grupos de indivíduos 
> FC> (gêneros, famílias, ordens, classes biológias) e não passaram para os 
> FC> grupos que coabitam o mesmo ecossistema e na mesma época.
> FC> 
> FC> Olhe só o nome da gripe: aviária. Por que agora está passando a ser 
> FC> mamífera também?
> FC> 
> FC> Mas, no período da história humana o homem tem feito uma grande 
> FC> desorganização no equilíbrio da natureza.
> FC> 
> FC> Essa desorganização foi ficando cada vez mais intensa conforme o 
> FC> crescimento da população humana passou de milhares para milhões de 
> FC> desses para bilhões.
> FC> 
> FC> E, também, foi extremamente acelerada pelo uso de tecnologia nos últimos 
> FC> anos, com, por exemplo,
> FC> 
> FC> - grandes migrações de populações, humanas ou não, que servem como 
> vetores,
> FC> 
> FC> - retirada das populações originais de áreas enormes com 
> FC> destruição/alteração de muitos ecossistemas, em todo o planeta,
> FC> 
> FC> - grande aumento de áreas agricultáveis e de pastagens com substituição 
> FC> das populações naturais diversificadas por monoculturas ou culturas de 
> FC> poucas espécies,
> FC> 
> FC> e sei lá eu mais o que...
> FC> 
> FC> Aparentemente essa ação parece ser responsável por casos 
> FC> esquisitíssimos, com o rompimento de equilíbrios que aparentemente 
> FC> existiram por milhares de anos.
> FC> 
> FC> Uma das coisas que mais define esse rompimento é o súbito crescimento 
> FC> populacional de uma espécie, como acontece numa epidemia.
> FC> 
> FC> -- 
> FC> Beijins
> FC> Fa
> FC> ----------------------------------------------------------------
> FC> "A prática leva à perfeição, exceto na roleta russa."
> FC> ----------------------------------------------------------------
> FC> 
> FC> 
> FC> Cardoso wrote:
> FC> 
> FC> > On Mon, 20 Mar 2006 02:01:24 -0300
> FC> > "ccarloss" wrote:
> FC> > 
> FC> > c> 
> FC> > c> Tudo bem. mas são mutações que demandam tempo e não são aceleradas.
> FC> > 
> FC> > São retardadas. A seleção artificial diminuiu muito a diversidade das
> FC> > espécies agrícolas, melhorando a produtividade em troca. UM laboratório
> FC> > pesquisando uma mutação específica não tem como competir com bilhões de
> FC> > indivíduos sendo afetados simultaneamente pelo ambiente. 
> FC> > 
> FC> > Quer  ver como isso funciona na prática? É só questão de tempo pra uma
> FC> > versão do vírus da gripe aviária saltar dos pequenos mamíferios para
> FC> > primatas. Como já saltos das aves para esses mamíferos. 
> FC> > 
> FC> > Sem manipulação, sem malvados cientistas transgênicos, sem ser
> FC> > "acelerado". 
> FC> > 
> FC> > 
> FC> > c> Mas eu falei no exagero sobre o Darwin.
> FC> > c> Um outro assunto que eu não lembro se foi colocado por você é a    
> questão do aquecimento global, das alterações climáticas e coisas assim. Isso 
> sempre ocorreu e vai continuar ocorrendo. Aí eu estou   plenamente de acordo, 
> que independente da interferência do homem elas acontecerão sempre. Eu citei 
> aqui há tempos o caso de u,m professor de história natural que tive no 
> ginásio (anos 50), e já falava nisso. Aí    sim,  é um alarmismo sem 
> propósito.
> FC> > c> 
> FC> > c> Carlos Antônio.
> FC> > c> 


---

Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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