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Cresce pressão sobre Palocci, diz Economist |
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A edição desta semana da revista
britânica Economist diz em uma reportagem sobre o Brasil que "a pressão
está crescendo sobre o ministro da Fazenda", Antonio Palocci. Na visão da
revista, apesar de Lula ter insistido que sua confiança em Palocci é
"inabalável", o futuro do ministro "parece incerto - apenas seis meses antes de
uma eleição presidencial em que Lula, é quase certo, buscará um segundo
mandato".
"A oposição, que tratou Palocci delicadamente, agora quer a sua cabeça,
esperando que isso prejudique as chances eleitorais de Lula", diz o artigo.
Segundo o artigo da Economist, apesar de "nunca ter gostado de sua
prudência econômica", o PT (Partido dos Trabalhadores) está se unindo em torno
dele.
República de Ribeirão
"A fé de Lula em seu ministro, sem dúvida, é
estimulada pelo cálculo de que demiti-lo, o que pode expô-lo à prisão, teria um
custo maior do que mantê-lo." The Economist menciona algumas acusações
que pesam contra o ministro, dizendo que "promotores em Ribeirão Preto estão
investigando se Palocci financiou o PT de Lula com suborno de empresas da coleta
de lixo em 2001-02".
"Agora, um jornal alega que Palocci era um visitante freqüente de uma casa em
Brasília, usada pela 'República de Ribeirão' - a claque de quem Palocci vem se
distanciando - para distribuir dinheiro e aproveitar os serviços de
'recepcionistas' femininas", diz o artigo, que acrescenta que o ministro negou
isso ante uma comissão do congresso e continua negando ter ido algum dia àquela
casa".
A imagem do ministro piorou "pelo que pareceu ser uma tentativa de difamar" o
caseiro Francenildo Santos Costa, que "disse ao jornal que viu o ministro 'dez
ou 20' vezes".
De acordo com The Economist, o "mais provável sucessor" de Palocci
seria o seu vice, Murilo Portugal, que daria prosseguimento a suas políticas. A
possível perda de Palocci teria impacto num possível segundo mandato de Lula.
"Palocci defende reforma fiscal no longo-prazo, que é necessária para
estimular crescimento. Ninguém mais no PT combina o seu entusiasmo reformista e
poder."
BBC Brasil