Leni,
 
O Baby Pignatari era paulista mas curtiu muito o Rio. E comeu gente pacas. Muito mais que o Jorginho Guinle. O Chiquinho Scarpa não come ninguém (dizem até que é comido). Tem dinheiro mas é um engomadinho ridículo e nem tem a classe e a sedução dos outros dois. Mas o Baby, repito dava de mil nos dois nos seus áureos tempos.
 
Carlos Antônio.
 
 
----- Original Message -----
Sent: Sunday, August 20, 2006 4:39 PM
Subject: Re: [gl-L] ENC: Baby Pignatari

Carlos.
Fui buscar nos meus arquivos o que eu já tinha lido sobre o cara, achei uma materia interessante de 1998.
 Observatório da imprensa, Sobre o Naya.
 
Elio Gaspari
"Em 1995, o deputado Sérgio Naya emprestou um apartamento de 500 metros quadrados num dos melhores edifícios de Brasília ao seu amigo Mauro Durante, um dos poderosos hóspedes da pensão Juiz de Fora, que ajudou Itamar Franco a governar o Brasil. (Era o apartamento 108 do bloco B da Quadra 116, Asa Sul. Nesse edifício, o deputado ocupa um tríplex.)
Confrontado com a dádiva ofertada ao amigo poderoso, informou que tinha outros 40 amigos morando em apartamentos emprestados: "O Durante é um bobo de Juiz de Fora, um simplório. Ele deixou o governo sem dinheiro nenhum e está reformando a casa dele a duras penas, coitadinho". Se Naya tivesse pelos seus clientes a pena que teve de Durante, suas vítimas já estariam parcialmente indenizadas. Chaves não lhe faltam. Já revelou ser proprietário de 5.000 imóveis em São Paulo, 3.000 na Espanha e 826 nos Estados Unidos. Naya também é pródigo no empréstimo de dinheiro. Estima-se que já tenha emprestado mais de R$ 500 mil a colegas do Congresso, sem grande preocupação com o retorno.
Toda essa generosidade com o andar de cima tem se revelado turbulenta quando se olha para suas relações com a Viúva. Em 1994, teve um desentendimento com a Receita Federal, por conta de sua declaração de Imposto de Renda. O mesmo deputado que empresta aviões e caraminguás a políticos confunde-se quando chega a hora de pagar o que toma emprestado ao Banco do Brasil. No ano passado, foi rastreado mobilizando suas amizades políticas para evitar que o BB leiloasse um de seus terrenos na Barra da Tijuca, dado como garantia de um empréstimo de R$ 12 milhões.
Enquanto a Sersan culpa as vítimas pelo desastre do Palace 2, Naya se relaciona com o Estado e o governo no mundo da cultura e das comunicações. É dele a Fundação Serafim Naya de Pesquisas Médico-Hospitalares, baseada em Minas Gerais. Desde 1993, ela foi autorizada a montar 11 emissoras educativas no Estado. Acusam-no de fazer uso político dessas concessões, mas ele mesmo respondeu aos repórteres Sylvio Costa e Jayme Brener [ver remissão abaixo]: ‘Ajudo mesmo porque as emissoras educativas são hoje um dos principais vetores do desenvolvimento cultural do Estado’.
Há no Brasil uma crença segundo a qual é possível formar bolsões de paz numa sociedade cheia de assaltantes e misérias. Esses bolsões teriam como símbolo os edifícios gradeados, os condomínios e até mesmo bairros inteiros de algumas cidades. O caso do Palace 2 mostra que o problema não está no morro em frente ou no garoto que pára diante do carro. Essas questões são dramáticas, mas não são causas, e sim conseqüências.
A jibóia que vive no andar de cima da sociedade brasileira digere qualquer coisa. Traça ditadura militar com a mesma naturalidade que aprova os enredos do tucanato. Faz isso emprestando dinheiro, apartamentos e aviões a quem manda, e não pagando o que toma emprestado à Viúva. Vende edifícios precários e vai discutir a qualidade da estrutura do Palace 2 na Justiça, em vez de tratá-la como questão de engenharia civil.
Quando a casa cai, a culpa é dos moradores, assim como a culpa pelas favelas seria dos miseráveis, e o desemprego, conseqüência da má qualidade da mão-de-obra nacional.
Esse tipo de mentalidade reflete um estratagema de poder que sobrevive pela falta de combate. As vítimas do Palace 2 podem ensinar uma lição ao andar de cima. Basta que não desistam, que peçam ajuda e que exponham quem quiser iludi-los.
O conglomerado imobiliário de Naya estende-se aos Estados Unidos. Há dois anos, estava construindo quatro torres na principal avenida de Orlando, na Florida. A prefeitura pegou-o infringindo as normas e embargou-lhe a obra. Em Orlando, seus prédios não caem."
"Por que os prédios de Sérgio Naya só caem no Brasil?", Folha de S. Paulo, 1/3/98
 
Márcio Moreira Alves
"Um dos mais colunáveis personagens dos Anos Dourados, a década dos 50, era um milionário paulista chamado Baby Pignatari. Herdara uma imensa fortuna, namorava artistas de cinema, casou-se por uns tempos com a princesa Ira de Fürstenberg, descendente do célebre Guilherme, bispo de Estrasburgo, causador de uma guerra entre a França e os principados alemães. Era, também, um dos fundadores do Clube dos Cafajestes.
Uma repórter certa vez perguntou a Baby Pignatari como fazia, sendo brasileiro, ou seja, praticamente um botocudo, e cafajeste, ainda por cima, para reunir à sua volta tantas celebridades do mundo das artes e da nobreza européia. Baby poderia ter dado um drible, falado das ligações empresariais que recebera do pai ou, quem sabe, ido buscar raízes renascentistas em Florença, onde houve, ao tempo dos Médicis, uma importante família de comerciantes chamada Pignatari. Nada. Foi direto e verdadeiro. Respondeu: - Muito simples. Antes de ir para Saint Tropez, no verão, ou Gstaad, no inverno, contrato uma especialista em relações com a imprensa. A especialista vai soltando notinhas, anunciando a chegada de um famoso milionário brasileiro, que sou eu. Quando chego, dou entrevistas, porque o meu nome já é badalado. Depois, alugo um salão num hotel bem chique e penduro o presunto na porta. Convido todo mundo e todo mundo vem comer o presunto.
A tática de Baby era infalível. Enquanto os convidados comiam o presunto, ele comia as moças. Todo mundo ficava feliz, porque um bom negócio é o que é bom para ambas as partes.
Ao longo desta semana, haveremos de ler caprichadas pesquisas sobre as tendências dos convencionais do PMDB que, domingo que vem, escolherão entre erguer a bandeira de um candidato partidário próprio à Presidência da República, no caso Itamar Franco, quem sabe José Sarney, ou fazer desde já uma aliança com o PFL e o PSDB, em torno da candidatura do presidente Fernando Henrique Cardoso. O resultado dessas avaliações ocupará páginas e páginas dos principais jornais e dará assunto para os comentaristas especializados em acompanhar a política dos políticos, profissionais geralmente mais competentes que o estreito mundo de intrigas, ofensas e mentiras que descrevem.
Longe de mim desmerecer do trabalho dos e das colegas. Mesmo que de pouco adiante indagar das intenções de quem tem na dissimulação da verdade uma moeda de troca, certamente desvendarão o perfil sociológico dos convencionais do partido que ainda tem o maior número de prefeitos no país. A informação pode ser relevante para muitos leitores. Além disso, sou admirador, fiel leitor e humilde súdito do matriarcado político de Brasília, desde as suas altas sacerdotisas até as operosas formiguinhas que recolhem a informação factual.
Quaisquer que sejam os resultados das pesquisas sobre tendências, elas não modificarão minha opinião de velho repórter que tem, pelo menos, a virtude da paciência, pelo maior tempo que levo na janela: no fim, prevalece a teoria do presunto. A pergunta a se fazer não é como votará tal ou qual chefete peemedebista e os seus delegados. O que se deve perguntar é: na sua opinião, quem tem o presunto maior e mais apetitoso?"
"Teoria do presunto", O Globo, 28/2/98.
 


ccarloss <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
 
Eu até posso ter-me adiantado na suposição da sua morte.
Mas não posso afirmar com certeza, embora ache difícil dizer que esteja vivo.
Mas é bom dar uma pesquisada.
 
Carlo Antônio.
 
 
----- Original Message -----
Sent: Sunday, August 20, 2006 3:24 PM
Subject: Re: [gl-L] ENC: Baby Pignatari

Estou sem tempo para investigar, mas, até onde eu sei, o Julinho Pignatari está vivo. Nunca li nada a respeito da morte dele.


ccarloss wrote:
Kleber,
 
Pouca gente na lista deve ter ouvido falar no Baby.
Foi um dos meus ídolos na minha pré-adolescência.
 
Carlos Antônio.
 
 
 
----- Original Message -----
Sent: Sunday, August 20, 2006 11:30 AM
Subject: [gl-L] ENC: Baby Pignatari

Repasso por achar interessante numa manhã de domingo

Depois, morreu o filho de morte súbita, morreu Regina, de morte estranha, e morreram outros mais, em uma história policial que ainda não foi contada.

As Musas de Baby Pignatari

Clique aqui para conhecer algumas das conquistas internacionais de Baby






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