Estilo
As pessoas em geral, sejam ricas ou pobres,
aprendem desde pequenas a tratar os subordinados com respeito. É uma
espécie de clássico da educação familiar.
O livro dos jornalistas Leonencio Nossa
(Estadão) e Eduardo Scolese (Folha) sobre as viagens com o presidente
Luiz Inácio da Silva traçam um breve, despretensioso e revelador retrato
da visão de Lula sobre o quesito civilidade. Ali, a grosseria com os
auxiliares é marca registrada.
Essa rudeza de trato talvez explique em boa
medida a rejeição do eleitorado feminino ao petista, cujo primeiro ato
público dessa natureza como presidente foi o esquecimento de Marisa
Letícia dentro de um carro oficial durante viagem à Espanha.
Os dois jornalistas romperam o cordão de
proteção em torno de Lula em relação a seu linguajar vulgar, aplicado
até mesmo a audiências no Palácio do Planalto. Uma delegação da OAB que
esteve com ele este ano saiu do gabinete impressionada com a falta de
respeito à liturgia do cargo.
O modo como as pessoas falam é o modo como
as pessoas pensam e agem. No caso do presidente, com total ausência de
limites.
Ele era assim no Sindicato dos
Metalúrgicos, sempre foi assim no partido e piorou bem na Presidência.
Aquele episódio em que comeu um bombom durante solenidade oficial e
jogou o papel no chão é auto-explicativo.