Mas FH é o Rasputin dele. Ou se preferirem, o Richelieu.
 
Carlos Antônio.
 
 

Publicada em: 15/10/2006

  ALCKMIN NÃO É FHC
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As grandes descobertas se dão ao acaso. Geralmente, são erros de metodologia numa pesquisa ou atividade que acabam resultando no surgimento de algo completamente inesperado. Tome-se, por exemplo, a penicilina, ou o grudezinho do post-it (se bem que aí, tenho fortes suspeitas de que o pesquisador queria mesmo era replicar o efêmero grude da meleca, mas essa é outra estória). Agora, é o gel que acaba com hemorragias em cerca de quinze segundos.

A movimentação política atual também gera descobertas muito interessantes. Outro dia recebi do Joca, um bem-humorado internauta que sempre me manda boas piadas, filmes altamente educativos e provocações políticas de toda ordem, uma mensagem contendo comparações entre a campanha de Geraldo Alckmin e as realizações do atual governo.

O curioso e engraçado do e-mail - e aí, é claro, é onde está toda a provocação - é que todas as comparações são feitas não entre o atual governo e as realizações do governo paulista, sob a batuta de Geraldo Alckmin. Todos os itens são comparações entre o atual governo e os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso.

Para devolver a provocação do Joca, resolvi responder dizendo que os argumentos eram interessantes e informativos, porém com um problema fundamental relacionado a todos eles: o nome do candidato que disputa o Palácio do Planalto com o atual ocupante do endereço é Geraldo Alckmin, e não Fernando Henrique Cardoso.

Segundo já está razoavelmente demonstrado para a opinião pública, Geraldo Alckmin não é clone de FHC; Geraldo Alckmin parece ter trajetória política própria; Geraldo Alckmin possui um programa de governo próprio, e apesar de pertencer ao mesmo partido de FHC, não significa que vá rezar pela cartilha de FHC, mesmo porque Alckmin pega um Brasil que se encontra num momento histórico (político, econômico e social) bastante diferente daquele enfrentado pelo ex-presidente Fernando Henrique. Aliás, diga-se de passagem que a avaliação generalizada é de que o ex-presidente tucano, dentro das limitações que encontrou em sua época, fez um bom governo (pelo menos no primeiro mandato).

Na hora de devolver a provocação, ocorreu o engano que causa as grandes descobertas: em vez de clicar no ícone de responder apenas ao Joca, respondi para todo mundo a quem ele enviara o mesmo texto. Resultado: a constatação de que os petistas querem tudo, menos comparar Geraldo Alckmin (que, ao que se informa, conseguiu manter o estado de São Paulo num patamar de desenvolvimento superior ao do governo federal nesses anos) ao atual presidente. Nessas condições, as coisas iriam inapelavelmente para o brejo que está no centro do lamaçal petista.

A partir dessa descoberta, propiciada por alguns e-mails irados daqueles que, inadvertidamente, foram alvo da minha mensagem meramente provocativa, uma outra constatação, essa, talvez, ainda mais importante: a necessidade de a campanha do tucano bater na tecla da separação de identidades, além da insistência em descobrir as origens do dinheiro usado na tentativa de compra do dossiê fajuto.

Isso, pelo visto, pode fazer toda a diferença no dia 29 de outubro. Não vai ser fácil, embora não seja impossível. Afinal de contas, o público brasileiro tem por hábito absolver e até cultuar os vilões das telenovelas. Por que seria diferente com o criador do folhetim mais bandalho da política nos últimos vinte e cinco anos de História do Brasil?

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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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