Especialmente para o Dr. Marco: nem tudo está perdido.
 
"O FLAMENGO VENTA, CHOVE, TROVEJA E RELAMPEJA."  (Nelson Rodrigues)
 
Fonte UOL ESPORTE
 
 
 
26/10/2006 - 15h40
Após dois anos, Flamengo enfim marcha para fim de ano tranqüilo

Vinícius Barreto Souto
Especial para o Pelé.Net
No Rio de Janeiro

Há exatamente um ano, o Flamengo começava uma desacreditada arrancada para se livrar do rebaixamento na penúltima rodada do Campeonato Brasileiro. Na Série A de 2004, o time só se salvou do descenso na última. Mas após dois anos seguidos de angústia, em 2006, a equipe caminha para um fim de ano bem mais tranqüilo.

JOEL 'SALVOU' O FLA EM 2005
No ano passado, a improvável arrancada do Flamengo rumo à fuga do rebaixamento começou no dia 26 de outubro, quando o time conquistou um empate heróico contra o Juventude, fora de casa, na estréia do técnico Joel Santana.

Depois daquele jogo, o Flamengo não perdeu mais. Venceu Coritiba (2 a 1), Palmeiras (1 a 0) e Botafogo (3 a 1); empatou com a Ponte Preta (2 a 2); bateu Fortaleza (3 a 0) e Paraná (1 a 0) e se salvou matematicamente com um empate com o Goiás (0 a 0). Relaxada, a equipe se despediu do Brasileiro com uma goleada sobre o Paysandu (4 a 1) fora de casa.
OBINA X LEANDRO AMARAL
A oito rodadas do encerramento do Brasileiro, o Flamengo está na nona posição, com 42 pontos, a apenas cinco do número considerado suficiente pelos matemáticos para manter o time na primeira divisão. Neste sentido, basta ao Rubro-Negro fazer metade do seu "dever de casa" para garantir a sua permanência na Série A com cinco rodadas de antecedência.

Até o final do campeonato, a equipe disputará quatro jogos contra times de fora do Rio no Maracanã, onde tem um bom aproveitamento de 61% (excluindo clássicos). Se vencer as suas duas próximas partidas na competição, ambas em casa, contra o lanterna Santa Cruz e o Atlético-PR, o Flamengo já deverá se livrar do rebaixamento no dia 4 de novembro, pela 33ª rodada.

Mesmo assim, o zagueiro Fernando não quer dar "sopa para o azar". Ressabiado pelo drama da luta contra o descenso no ano passado, o jogador pede concentração máxima ao time nesta reta final de Brasileiro.

"A gente sabe da importância das vitórias dentro de casa, até para dar uma tranqüilidade maior antes do fim do campeonato. Não podemos deixar para o final, porque já passamos por isso e sabemos que é muito ruim, difícil e desgastante psicologicamente", disse o "xerife" da zaga rubro-negra.

Mas até quem não sofreu com o Flamengo no ano passado procura se inteirar sobre o assunto. "A gente conversa com os atletas que passaram por isso nos dois últimos anos, quando o Flamengo fugiu do rebaixamento nas últimas rodadas. Mas agora, já conseguimos afastar nove pontos da primeira equipe que cai [Ponte Preta]", afirmou o técnico Ney Franco, contando que a diretoria estabeleceu uma meta mais alta do que a sua para não correr nenhum risco.

"Cada um tem sua conta. Acho que a equipe que conseguir 46 pontos não corre risco de rebaixamento. No clube, estamos trabalhando com uma margem maior, de 49. Hoje temos 42 e ainda vamos disputar nove só no Maracanã nos próximos três jogos [contando clássico contra o Vasco]. Se a gente conseguir sete pontos desses nove, já sepulta essa questão do rebaixamento", analisou.

ANDRÉ BAHIA: HERÓI DE 2004
Autor de dois gols na goleada por 6 a 2 sobre o desmotivado Cruzeiro, o zagueiro André Bahia foi o personagem da vitória que salvou o Flamengo do rebaixamento em 2004, na última rodada do Brasileiro.

Depois de liberar o jogador para acertar sua transferência para o Feyenoord, da Holanda, a diretoria o acusou de quebra de contrato por ter posado para fotos com a camisa do seu futuro clube. Pos isso, decidiu afastá-lo do elenco e posteriormente processá-lo.

Contudo, a carência de zagueiros na Gávea forçou os dirigentes a reconsiderarem a decisão e reintegrarem Bahia ao grupo. Mesmo assim, a ação processual não foi interrompida e o atleta conviveu com constantes visitas de oficiais de justiça à sua casa. Mesmo achincalhado, André Bahia manteve a serenidade, e, com os dois gols salvadores, deu uma resposta à confusa diretoria rubro-negra.
De volta, Kléber elogia Ney
A situação dramática do Flamengo no Campeonato Brasileiro de 2005 trouxe de volta à tona em velho conhecido da torcida rubro-negra.

Depois que o time foi humilhado pelo São Paulo com uma golada por 6 a 1, em pleno Rio, Kléber Leite (presidente do clube em 1995, quando trouxe Romário para o "time dos sonhos" do ano do centenário), que estava afastado, foi nomeado pelo presidente Márcio Braga vice-presidente de futebol - ao lado de Hélio Ferraz, que também já presidiu o Flamengo - para "apagar o incêndio".

A primeira medida de Kléber foi garantir Andrade no comando técnico da equipe. Mas após a derrota por 2 a 1 para o Vasco, em São Januário, que afundou o time na tabela, o dirigente afastou o treinador (e ex-jogador do Flamengo, que voltou a ser auxiliar) para contratar Joel Santana.

Passado um ano, Kléber segue no cargo. Ele acredita que tomou a decisão certa na época e promete dias melhores. "Me sinto muito bem. É uma ótima sensação de dever cumprido. Aqui a gente vive para apagar um incêndio a cada dia. Mas em 2007 estará tudo depurado, a vida estará normalizada. O Flamengo está numa crescente. Pode escrever que, em 2007, o time irá brigar pelo título de campeão brasileiro", afirmou, confiante.

Mas Kléber não assume sozinho os louros pela melhora da situação do time neste ano em relação a 2005. "Foi uma junção de coisas. A manutenção do que tinha de bom com o fato novo, que foi o Ney Franco, e mais alguns jogadores, como o Renato Augusto [revelação do Flamengo]", opinou o dirigente.

Quando Ney Franco foi contratado, em maio deste ano, para substituir Waldemar Lemos (que conduziu o time às finais da Copa do Brasil), a equipe ocupava a 13ª posição no Campeonato Brasileiro.

Com a missão de conquistar a Copa do Brasil e afastar o time da zona do rebaixamento, o novo treinador trouxe consigo alguns profissionais que trabalhavam com ele na comissão técnica do Ipatinga. Aos poucos, o técnico também indicou a contratação de jogadores da sua confiança.

Assim, vieram do Ipatinga Walter Minhoca, Diego Silva, Paulinho e Léo Medeiros. Mas apenas os dois últimos (que atualmente são titulares) vingaram, enquanto os dois primeiros já foram até devolvidos para o time mineiro.

Mesmo assim, Kléber Leite elogiou a montagem parcial do grupo pelo treinador. "O Ney foi fundamental. Mas não é só o Ney, a comissão técnica inteira dele é extremamente competente. O time dele inteiro é muito bom", disse o dirigente.

Mesmo tranqüilo, Fla não esquece São Judas

Considerado o santo das causas impossíveis e dos endividados, São Judas Tadeu foi escolhido pelo Flamengo como padroeiro do clube.

No dia do santo (28 de outubro), há a tradicional visita anual dos rubro-negros à igreja de São Judas Tadeu. Em 2004, porém, apenas alguns dirigentes foram à missa para pedir forças ao time na luta contra o rebaixamento. Mas em 2005, quase todos os atletas, dirigentes e comissão técnica compareceram (foto).

Agora, apesar de o Flamengo estar em situação bem mais tranqüila do que nos dois últimos anos, os rubro-negros não se esqueceram do santo. A visita foi antecipada para a próxima sexta-feira, dia 27, pois no dia 28 todos serão liberados em virtude do segundo turno das eleições presidenciais no país, que acontece no dia seguinte.
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Não leve nada pro lado pessoal. Apenas divirta-se.

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