Assessoria de Comunicação e Imprensa - UNICAMP 

      Prefeitura quer mudar regra para antena de celular (Correio Popular - 
Cidades - 17/10/2007)

      Entre as alterações, estão o fim da aprovação do local pela população e a 
contrapartida de bloquear sinal em presídios


      Rose Guglielminetti
      DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
      [EMAIL PROTECTED]

      A Prefeitura de Campinas propõe uma nova legislação para regularizar as 
135 antenas ilegais instaladas no município, principalmente de celulares, que 
extingue a participação popular na decisão sobre o local de instalação dos 
equipamentos. A nova proposta também obriga as operadoras que prestam serviços 
de telefonia móvel na cidade a instalarem bloqueadores de sinal em presídios. 
Recomenda ainda o uso compartilhado de infra-estrutura e reduz os recuos para 
instalação dos equipamentos.

      Com o projeto de lei, a Administração pretende pôr fim a um impasse que 
se arrasta há mais de sete anos. Apesar de o município ter uma legislação sobre 
as antenas desde 2001, o poder público não conseguiu legalizar a instalação de 
sistemas de transmissão e recepção de rádio, televisão, telefonia e 
telecomunicação.

      Para o secretário municipal de Urbanismo, Hélio Jarreta, o principal 
entrave para a ação do poder público é própria lei de 2001. "A lei anterior é 
muito restritiva e a cidade vive dentro da ilegalidade. A nova proposta é feita 
dentro de critérios legais, urbanísticos e ambientais que irão promover a 
regularização", disse ele.

      Hoje, das 135 antenas instaladas na cidade, 90% são de celulares. Do 
total, 71 estão com os processos suspensos para análise. Outros 15 casos 
resultaram em intimação e nove, em multa. Jarreta disse ainda que sete empresas 
foram chamadas para complementar documentação. Além disso, em quatro situações 
a Prefeitura não sabe se os equipamentos foram instalados ou removidos. Há 
ainda um processo de instalação arquivado por desinteresse, 22 alvarás 
provisórios caducados em 2005 e seis embargos. "O que é fato é que nenhuma 
delas está em ordem", resumiu Jarreta.

      O número de torres de transmissão mostra que a expansão da telefonia 
móvel resultou na proliferação desordenada das antenas de celular instaladas em 
bairros residenciais de Campinas. Em 1997, a cidade contava com menos de 40, 
número que triplicou nos últimos dez anos.

      Uma das críticas feitas ao projeto é quanto ao fim da consulta popular. 
Hoje, para instalação de qualquer antena de celular, é necessário ter a 
aprovação de 60% dos moradores em um rádio próximo de 200 metros da obra. "Isso 
é um retrocesso", criticou o vereador Paulo Bufalo, do PSOL.

      O secretário Jarreta não concorda. Para ele, só o fato de a Prefeitura 
passar a decidir sobre os locais de instalação é um avanço. "Porque aumenta a 
responsabilidade do poder público", disse ele. O vereador Campos Filho (DEM), 
um dos autores da lei de 2001, concorda. "Tivemos que fazer uma lei restritiva 
porque era uma terra de ninguém. A instalação estava sendo feita de forma 
indiscriminada. Mas, ao chamar para si, a Prefeitura passa a ser responsável 
por coibir. Se não fizer, a responsabilidade recairá sobre o poder público."

      Debate público

      O secretário municipal de Assuntos Jurídicos, Carlos Henrique Pinto, 
disse que a minuta do projeto de lei, que demorou cerca de dois anos para ser 
elaborada, será submetida a debate público e só depois a legislação será 
encaminhada à Câmara de Vereadores. "Nesse período, estaremos recebendo 
propostas e o assunto será amplamente debatido", prometeu ele. Durante 30 dias, 
a população poderá dar sugestões sobre a minuta no site www.campinas.sp.gov.br.

      Para Jarreta, um aspecto importante da nova lei é quanto à 
obrigatoriedade imposta às operadores de serviços de telecomunicações de 
fazerem o uso compartilhado de infra-estrutura. O objetivo é diminuir o impacto 
visual negativo na paisagem urbanística. O poder público vai, inclusive, exigir 
quando da instalação do alvará de instalação unitário de justificativa técnica 
a demonstração da impossibilidade técnica de compartilhamento. "Isso vai evitar 
que a cidade se transforme numa árvore de Natal. Essa legislação propõe uma 
adequação mais real", disse.

      Para físico, limite maior de radiação é retrocesso

      Apesar da ausência de estudos em humanos, testes em ratos mostram perda 
de neurônios

      O físico e professor da Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação da 
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Vitor Baranauskas leu a minuta do 
projeto e considerou um retrocesso em relação à legislação de 2001. Segundo 
ele, o maior problema é com o limite máximo de emissão de radiação 
eletromagnética.

      Na lei anterior, a capacidade permitida pela Prefeitura era de no máximo 
100 microwatts, índice quatro vezes menor do que o teto proposto na nova 
legislação e também preconizado pela Agência Nacional de Telecomunicações 
(Anatel), cuja potência máxima permitida por antena é de 435 microwatts. "A 
nova é mais liberal e permite uma exposição quatro vezes mais à radiação 
ionizante. A Suíça, por exemplo, permite 10 microwatts por centímetro quadrado. 
É um retrocesso." criticou.

      Segundo Baranauskas, a radiação distribuída pela antena interfere no 
complexo organismo biológico e pode resultar ou não em doenças. "Experiências 
feitas em ratos mostram que animais submetidos à mesma dose de radiação que uma 
pessoa recebe quando usa o celular apresentaram lesões na massa encefálica que 
resultaram na perda de neurônios. No caso do ser humano, apesar de a massa ser 
maior, qualquer tipo de lesão é extremamente prejudicial porque o cérebro não 
se regenera", alertou.

      Assim como Baranauskas, alguns ambientalistas acreditam que os raios 
ionizantes podem transmitir doenças como o câncer, hipótese até hoje não 
comprovada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

      O professor, que estuda os efeitos dessa radiação nos seres vivos, disse 
que a nova lei não corrige as irregulares, mas apenas faz uma adequação às 
antenas instaladas. "Estão se adaptando às necessidades do mercado", disse. Ele 
também critica a exclusão da participação popular. (RG/AAN)

      Vereador critica fim da consulta à população

      Hoje, 60% dos moradores do entorno precisam aprovar a instalação dos 
equipamentos

      Para o vereador Paulo Bufalo (PSOL), um dos maiores problemas do novo 
projeto de lei do Executivo municipal é a exclusão da participação popular na 
decisão sobre o local de instalação das antenas. Pela atual legislação, nenhuma 
antena celular pode ser instalada sem a aprovação de 60% dos moradores que 
residem em um raio de 200 metros próximo à obra. "O prefeito está centralizando 
a decisão", criticou.

      Bufalo afirmou ainda que a nova legislação foi feita para atender às 
empresas que instalaram os equipamentos de forma irregular, com a diminuição da 
exigência dos recuos e dos afastamentos. Em relação às torres telefônicas, a 
exigência era de afastamento de três metros e foi reduzida para dois. O recuo 
frontal passa de seis para cinco metros e o lateral, de três para dois metros. 
"Elas foram instaladas em terrenos que não atendem as exigências da lei de 
2001. Então, ao invés de obrigar as empresas a mudarem de local, o governo faz 
uma lei para se adequar a essas demandas." 

      Outro problema apontado pelo vereador é o fim da restrição das antenas 
próximos a hospitais, asilos e escolas de ensino fundamental. "Vou participar 
dos debates e apontar esses problemas. A lei anterior é reconhecida 
nacionalmente como um avanço", lembrou ele. 

      O secretário municipal de Assuntos Jurídicos, Carlos Henrique Pinto, 
rebate a crítica de Bufalo e diz que a exclusão da obrigatoriedade da 
autorização dos moradores para instalação será compensada com a exigência do 
Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV). (RV/AAN)

      Operadoras terão de fazer o bloqueio para presos

      A nova legislação sobre antenas determina que as empresas operadoras, no 
prazo de 90 dias após o funcionamento do sistema transmissor, instalem 
bloqueadores de sinal em presídios em áreas que tenham alcance do sinal do 
sistema transmissor. Em Campinas, são três unidades prisionais - São Bernardo, 
Centro de Detenção Provisório de Campinas e Presídio Ataliba Nogueira -, que 
somam cerca de 3,6 mil presos.

      O secretário de Urbanismo, Hélio Jarreta, disse que a obrigatoriedade não 
é novidade e que outras cidades, como Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e 
Londrina, Maringá e Curitiba, no Paraná, já adotaram.

      A Secretaria Estadual de Administração Penitenciária informou, por meio 
de sua assessoria, que em 2002, o governo paulista chegou a instalar oito 
bloqueadores, mas depois abortou a iniciativa. Segundo eles, os equipamentos 
tornaram-se obsoletos em virtude da alta tecnologia dos novos celulares.

      De acordo com a assessoria, a saída foi investir em aparelhos de raio X e 
detectores de metais para a revista feita por funcionários para evitar a 
entrada de materiais não permitidos nas unidades prisionais, como celular, 
armas, drogas, explosivos, entre outros. Informou ainda que todas as 143 
unidades prisionais do Estado - inclusive as sete penitenciárias instaladas em 
Campinas e Hortolândia - irão receber os novos equipamentos. (RG/AAN)
     

Responder a