sem comentarios
basta ver o exemplo do Império *Chavista *e tido pelo nosso mollusco, bobo
da corte, como uma democracia plena

*"Eles chegaram na calada da noite, invadiram nossos jardins, pisaram nossas
flores… não dissemos nada. / Entraram em nossas casas, comeram nossa comida…
não dissemos nada! / Dormiram em nossas camas e vestiram as nossas roupas…
não dissemos nada! / Por fim, estupraram nossas filhas e violentaram nossas
mulheres… e porque não dissemos nada, agora, nada podemos dizer".
**Berthold Brecht, dramaturgo alemão*

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Ipea O aparelhamento do instituto pelos militantes do atraso

Nem na ditadura foi assim
Afastamento de técnicos instala clima
de caça às bruxas no Ipea


Ronaldo França e Ronaldo Soares




Reis Velloso (à esq.) presidiu o Ipea no regime militar, quando não
houve atitudes como a de Pochmann (no alto, à dir.) contra Giambiagi
(á dir.)

Desde a sua fundação, em 1964, o Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) se notabilizou por ser um espaço de livre circulação
de idéias. Criado no primeiro ano do regime militar para subsidiar a
formulação de políticas de longo prazo, sempre abrigou pesquisadores
das mais diversas tendências de pensamento. A única exigência era a
alta capacitação intelectual. Ao longo dos últimos 43 anos, publicou
trabalhos críticos à condução de programas de governo, sem que seus
autores sofressem algum tipo de represália. Na semana passada, o novo
presidente do Ipea, Marcio Pochmann, tomou uma atitude contra o
pluralismo, marca de excelência da instituição. Foram afastados quatro
pesquisadores. Em comum eles têm, além de reconhecida competência, uma
visão econômica liberal não coincidente com a linha de pensamento da
atual direção do Ipea. "Nem a ditadura teve coragem de fazer no
instituto o que o governo Lula está fazendo agora", diz a cientista
política Lucia Hippolito.

Os afastados são os economistas Regis Bonelli, Fabio Giambiagi, Otávio
Tourinho e Gervásio Rezende. Todos defendem a redução do papel do
estado na economia e se manifestaram contra o excesso de gastos do
governo. Giambiagi é autor de estudos que esmiúçam a crise da
Previdência Social e deixam clara a necessidade da conclusão da
reforma previdenciária. Trata-se de posição diametralmente oposta à
defendida por Pochmann e, principalmente, pelo diretor do departamento
de macroeconomia do instituto, João Sicsú. Este, por sinal, um
defensor do aumento do número de funcionários públicos no Brasil – em
artigos recentes, ele sustentou que o estado brasileiro é "nanico".

Pochmann e Sicsú chegaram à cúpula do Ipea pela mão do ministro
extraordinário de Ações de Longo Prazo, Mangabeira Unger. Fazia alguns
meses que já se especulava sobre uma caça às bruxas no Ipea. Pochmann
disse a VEJA que as dispensas não tiveram motivação ideológica: "Foram
medidas meramente administrativas". O argumento é curioso. Giambiagi e
Tourinho, por exemplo, estavam cedidos ao Ipea pelo BNDES, que
continuava a pagar seus salários. Num país que tem carência de
cérebros, não é crível a justificativa burocrática. O ex-ministro do
Planejamento João Paulo dos Reis Velloso, que presidiu o Ipea desde
sua criação até 1979, orgulha-se da liberdade ali exercitada. "Até
aqui sempre se manteve o objetivo de preservar o Ipea de influências
políticas. O instituto trabalhou com liberdade de opinião e de
criação. Muitos dos principais economistas da oposição trabalhavam
lá", lembra.

A notícia do afastamento dos quatro economistas revive a inclinação
autoritária do governo do PT. Durante o primeiro mandato de Lula, foi
extinto de supetão o departamento econômico do BNDES, setor
responsável pela elaboração de estudos que serviram de base para
programas fundamentais na modernização da economia brasileira, como as
privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso. Tanto naquele
episódio quanto agora, o que está em jogo é a oposição entre o
pensamento econômico liberal e o desenvolvimentista. São visões
excludentes em ações de governo, mas não em instituições que têm como
função produzir análises que ajudem a compreender a realidade
brasileira. Nestas, as diferenças só enriquecem o debate. No
Ministério das Relações Exteriores, ocorreu algo semelhante. O
embaixador brasileiro nos Estados Unidos, Roberto Abdenur, foi
removido do cargo e empurrado para a aposentadoria por manifestar,
durante uma palestra, opinião divergente da de Celso Amorim sobre as
relações com a China. O secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro
Guimarães, instalou um clima de perseguição no ministério e promoveu
absurdos como a doutrinação dos novos diplomatas, tornando
obrigatórias leituras de viés ideológico afinado com seu pensamento.

Ao longo de sua história, o Ipea sempre exerceu o papel de consciência
crítica dos governos. Aparelhá-lo é matar uma instituição respeitada
internacionalmente. Um episódio protagonizado pelo próprio Regis
Bonelli ilustra a saudável tradição de liberdade de expressão. Em
1974, ele e o ex-ministro Pedro Malan (então um técnico do Ipea)
publicaram um artigo em que criticavam diretamente o segundo Plano
Nacional de Desenvolvimento, editado pelo governo Geisel. Afirmaram
que os efeitos da crise do petróleo de 1973 estavam subestimados. Nada
sofreram. A história lhes deu razão.

UM ESPAÇO PLURAL

Fundado em 1964, o Ipea sempre se caracterizou pela independência de
pensamento em relação ao governo. Ao lado, alguns exemplos

Jose Real/AFP
 Nos anos 70, quando o governo Médici tinha no milagre econômico sua
principal peça de propaganda, o Ipea levantava a discussão sobre
distribuição de renda, a partir de um artigo do economista americano
Albert Fishlow, que trabalhou no instituto


Em 1974, os economistas Pedro Malan e Regis Bonelli alertaram para uma
falha fundamental no 2º Programa Nacional de Desenvolvimento (PND),
grande aposta do governo Geisel: a subestimação dos efeitos da crise
do petróleo de 1973  Roberto Castro/AE



Ana Araújo
 O Ipea coordenou os estudos que resultaram na descoberta dos cerrados
como nova fronteira agrícola brasileira. Tanto o Ministério da
Agricultura quanto o do Interior subestimavam esse potencial

O Bolsa Família, principal programa do governo Lula, teve a
contribuição decisiva do economista Ricardo Paes de Barros. Foi ele
quem sugeriu a unificação de todos os programas sociais do governo


Postado por Artigos às 11:05 AM

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