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Por favor, algu�m derrubaria os argumentos do C�sar Benjamin? N�o estou conseguindo.

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O PETR�LEO � DELES - por C�sar Benjamin
Revista Caros Amigos - junho de 2004
http://carosamigos.terra.com.br/

Coube ao pr�prio presidente Lula, h� pouco mais de um m�s, anunciar discretamente a 
realiza��o da sexta rodada de licita��o de �reas petrol�feras brasileiras, marcada 
para o pr�ximo dia 15 de agosto. Nas cinco primeiras rodadas, realizadas durante o 
governo de Fernando Henrique Cardoso, empresas estrangeiras arremataram, a pre�os 
simb�licos, �reas descobertas pela Petrobr�s, ganhando automaticamente o direito de 
exportar todo o �leo extra�do delas.

Em 1977, na oposi��o, o PT votou contra a lei que permitiu isso, e ao faz�-lo usou 
adjetivos muito pesados contra o governo de ent�o. Em 2004, no poder, o PT prepara-se 
para patrocinar um mega-leil�o de �reas onde a Petrobr�s j� encontrou 6,6 bilh�es de 
barris de petr�leo de excelente qualidade, correspondentes a 50% das reservas 
nacionais comprovadas.

Que adjetivos merece um partido que age assim?

Nenhum motivo leg�timo h� para mais essa chocante mudan�a de posi��o. Ao contr�rio. 
Toda a evolu��o do setor de petr�leo, no Brasil e no mundo, aponta para a necessidade 
de fortalecer a Petrobr�s e agir com grande cautela. Os argumentos usados por Fernando 
Henrique para abrir o setor ao capital estrangeiro mostraram-se falsos: em vez de 
pesquisar novas ocorr�ncias, as empresas privadas entraram apenas em �reas onde a 
Petrobr�s j� havia feito com sucesso a prospec��o, uma atividade cara e arriscada. 
Compraram bilhetes premiados. � o que se repete agora, com o leil�o dos chamados 
"blocos azuis", de grande potencial. Como estamos �s v�speras da auto-sufici�ncia na 
produ��o brasileira de petr�leo - uma conquista hist�rica para o Brasil - as �reas que 
o governo entregar� �s multinacionais s� poder�o entrar em opera��o para exportar. 
Pelo menos tr�s motivos tornam essa decis�o desastrada.

A geologia brasileira � desfavor�vel � ocorr�ncia de petr�leo, de modo que n�o devemos 
esperar que grandes descobertas se sucedam. Nossas reservas comprovadas e prov�veis, 
de 16 bilh�es de barris, poderiam garantir um horizonte de autonomia de cerca de 18 
anos, que ser� dramaticamente reduzido pela pol�tica atual. Gra�as ao esfor�o e � 
compet�ncia das gera��es passadas,o Brasil se tornar� auto-suficiente em 2006, mas a 
pol�tica implantada por Fernando Henrique e confirmada por Lula nos reconduzir� � 
posi��o importadora em bem menos de uma d�cada.

Isso acontece num momento em que dois processos se somam, no mundo, para sugerir 
justamente o caminho oposto. De um lado, o vertiginoso crescimento da China e da 
�ndia, fortemente dependentes de importa��es, tem aumentado a demanda mundial e 
pressionado os pre�os para cima. Na pr�xima d�cada, a China ter� dobrado o seu consumo 
e precisar� obter no exterior mais de 80% de todo o petr�leo de que necessita. A 
depend�ncia de abastecimento externo j� � de 50% para os Estados Unidos, 60% para a 
Europa e 100% para o Jap�o, o que permite antever o potencial de conflito envolvido 
nessa quest�o.

De outro lado, hoje se sabe que as reservas mundiais foram grosseiramente 
superestimadas. Em todos os casos, est�o sendo revistas para baixo. Durante a recente 
epidemia de fraudes cont�beis, as mais respeitadas multinacionais do setor 
apresentaram n�meros falsos para elevar o valor de suas a��es. As reservas da Shell 
foram infladas em 24%, as da El Paso em 33% e as da Enron em 30%. Diversos pa�ses 
fizeram o mesmo, inclusive grandes produtores, como os Emirados �rabes, a Ar�bia 
Saudita e o M�xico. Anunciaram a posse de jazidas entre 20% e 40% maiores do que as 
verdadeiras, pois as cotas de produ��o, definidas no �mbito da Organiza��o dos Pa�ses 
Exportadores de Petr�leo (Opep), s�o proporcionais �s reservas declaradas. H� muito 
menos petr�leo dispon�vel do que se pensava.

Com a eleva��o do consumo e a descoberta das fraudes, o mercado mundial mergulhou em 
grande incerteza. Em cerca de um ano, o pre�o passou de 28 para 40 d�lares o barril e 
n�o apresenta tend�ncia de queda. Autores insuspeitos anunciam novos choques. O 
embaixador Rubens Ricupero escreveu: "a tend�ncia a um aumento sens�vel e cont�nuo no 
pre�o do petr�leo � estrutural, e n�o apenas fruto de manipula��es do mercado. O 
aperto nos pre�os (...) pode vir em cinco anos, em mais um choque elevando o barril a 
50 d�lares." O economista Paul Krugan seguiu a mesma linha: "O mercado do petr�leo 
est� distendido at� o limite da ruptura. (...) Na �ltima vez que os pre�os atingiram 
os n�veis atuais, pouco antes da Guerra do Golfo (1991), h� via capacidade de produ��o 
excedente no mundo, de modo que havia espa�o para enfrentar s�rias perturba��es da 
oferta, caso elas surgissem. Desta vez, isso n�o se aplica. (...) Novas descobertas 
t�m sido cada vez mais raras. (...) Os pre�os do petr�leo est�o altos e podem subir 
ainda mais."

Prev�-se que em 2010 atingiremos o pico da produ��o mundial e come�aremos a ver um 
decl�nio na oferta. Alguns, mais assustados, j� falam em petr�leo a cem d�lares o 
barril no fim da pr�xima d�cada. O n�mero � especulativo, mas a tend�ncia � certa.

Nesse contexto - com um mercado estressado, pre�os em alta, conflitos � vista e �s 
v�speras de um choque anunciado - o governo Lula decidiu retirar do controle da 
Petrobr�s e entregar a empresas multinacionais 6,6 bilh�es de barris das reservas 
comprovadas no pa�s). Essas empresas far�o uma farra de exporta��es durante alguns 
anos. Em troca, nos dar�o alguns trocados que o ministro Palocci cuidar� de repassar 
em dia aos bancos internacionais, nossos credores. Por causa dessa destina��o 
prevista, a suspens�o da licita��o, segundo o ministro, "emitiria um sinal negativo 
para os mercados".

Que adjetivos merece um governo que age assim?

Petr�leo, como se sabe, � um recurso n�o renov�vel, sem o qual, com a base t�cnica 
atual, nenhuma economia funciona. Um pa�s carente desse recurso, como o Brasil, e que 
necessitar�, em algum momento, reencontrar o caminho do desenvolvimento precisa 
gerenciar com muito cuidado suas pr�prias reservas, inserindo-as em um planejamento de 
longo prazo. Perceber isso n�o depende de ideologia nem exige formula��es 
sofisticadas. Basta dec�ncia.

Invertendo o lema da campanha popular que levou � cria��o da Petrobr�s, o governo Lula 
decretou que o petr�leo � deles. Faltam-me os adjetivos.

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Googlando: http://tinyurl.com/ywblu
 

- c.a.t.
  www.iis.com.br/~cat

�timo dia pra voc�.

 

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Recebido do velho amigo Dauro Moura, a quem agrade�o.

- c.a.t.

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