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R�veillon da Solidariedade, algu�m
disse. Tudo bem, l� no estrangeiro pode at� ter sido. Em Paris puseram
panos pretos na Champs Elys�es. Em Berlim, bandeiras a meio mastro. Em
Sydney, 750 mil d�lares doados pelo pov�o nas ruas logo antes da
meia-noite. Dinamarca, Noruega e Su�cia simplesmente cancelaram os
festejos. Mas no Rio, que piada...
Seis minutos antes da meia-noite
na Avenida Atl�ntica, em Copacabana, certamente todos ouviram a
conclama��o do locutor, feita pelos poderosos alto-falantes ao longo de
toda a praia. Ele pediu sil�ncio em mem�ria �s v�timas do tsunami na �sia.
N�o pediu um minuto, pois sabia que, no meio da festa, seria tempo demais.
Pediu apenas um momento.
Mas foi como se estivesse falando
num idioma desconhecido. O pedido foi absolutamente ignorado, por todos.
Talvez um ou outro tenha se sensibilizado mas, de resto, os gritos de
festejo n�o pararam. Morteiros e roj�es n�o deixaram um instante de
estourar. Os sorrisos, a anima��o e as ta�as erguidas n�o puderam fazer
uma m�nima pausa, um segundo que fosse, para levar um pensamento �queles
que tanto sofriam naquele momento e ainda sofrem l� do outro lado do
mundo.
Ent�o veio a contagem regressiva... 3, 2, 1. Feliz 2005!
A massa gritava, alegria contagiante, e os fogos, que beleza. Mas, epa, o
que era aquilo? Fuma�a, muita fuma�a. De repente ficou imposs�vel ver os
fogos. Quem estava nos pr�dios come�ou a tossir. A cascata do Hotel
Meridien? Se houve ningu�m viu, estava tudo coberto pela fumaceira. Quem
veio de perto e de longe para ver o espet�culo se decepcionou, grande
fiasco.
L� no fundo, quieto, n�o pude conter o pensamento...
*** Bem feito, cambada de
ego�stas. *** |