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Um amigo meu, professor universitário, passou a trabalhar para certa universidade federal em regime de dedicação exclusiva desde o início deste ano. Para isso, teve que sair das três universidades privadas em que lecionava. No início desse semestre, no final de agosto, começou a greve na tal universidade federal com o voto de menos de 10% dos professores, fato que ele considera, isso sim, um absurdo. Segundo este amigo meu, poderiam existir outras formas de manifestação, mas mesmo diante da greve a condução do Ministério de Educação veio sendo lamentável. Diz o meu amigo: "Ao longo desse tempo a greve foi tomando peso nacionalmente e por uma pauta justa. Além disso, a indisposição de negociar do governo e a prática de buscar dissolver o movimento com aumentos diferenciados é o 'ó'. E pior ainda, a mídia pinta o quadro como se a greve fosse um mal dos professores aos alunos e à sociedade. A isso caberia uma ação civil pública na linha do que a Rede TV tomou das organizações sociais atingidas pelo Tarde Quente do João Kleber. E o texto desse cientista político ratificando tudo isso é uma grande lástima!" Com relação à remessa que deu origem aos comentários acima, muitos dos assinantes da goldenlist (a lista tem um total de 1294 assinantes), conhecidos meus ou não, enviam-me mensagens privadas comentando o material que envio á lista. Em função do número de assinantes, nem sempre tenho condições de ler e menos ainda de responder este feedback que, em geral, é altamente construtivo e enriquecedor. A todos vocês que sentem vontade de rebater, comentar, concordar ou discordar das peças que envio à goldenlist, peço que assinem a lista irmã, a goldenlist-L (apenas 250 assinantes), que é aberta à participação de todos. Este sim, é o palco ideal para o debate e a troca de idéias. Para assinar basta mandar um email em branco para: [EMAIL PROTECTED] -- - c.a.t. http://catalisando.com ----- Original Message ----- From: "Carlos Alberto Teixeira" <[EMAIL PROTECTED]> Sent: Friday, December 09, 2005 9:26 PM Subject: << Greve nas universidades federais é escárnio >> Repasso como alimento pro pensamento. -- - c.a.t. http://catalisando.com ----- Original Message ----- From: Eliezer Sent: Friday, December 09, 2005 7:10 PM Subject: Greve nas universidades federais é escárnio Greve nas universidades federais é escárnio Rio, 09 de dezembro de 2005 GUSTAVO IOSCHPE Em um sistema que consome tantos recursos e entrega tão poucos resultados, que emprega tantos e atende a tão poucos, a greve das universidades federais é o escárnio, um acinte aos milhões de brasileiros que as custeiam com o suor de seus impostos. Nossas universidades públicas se querem inatacáveis por realizarem o grosso da pesquisa no país. Mas isso não diz muito. É óbvio que se verbas, equipamentos e pesquisadores estão nas federais, não é nas privadas que a pesquisa ocorrerá. A comparação que vale é entre as universidades brasileiras e as do resto do mundo. Se é verdade que nessa comparação temos instituições e pesquisadores de nível internacional, o sistema como um todo não é estelar. Primeiro, porque gera poucos pesquisadores. O Brasil, com 324 pesquisadores por milhão de habitantes em 2000 ( vs . 7 mil dos EUA, 5 mil do Japão e 737 da Argentina), fica em 56 lugar entre 79 países. Nossos poucos pesquisadores tampouco são campeões de produtividade: com 0,1 artigo por pesquisador/ano, somos 30 entre 64 países (dados da Unesco/WDI). Isso sem falar que, das três campeãs de pesquisa no Brasil, duas são estaduais e não federais. No ensino, a situação piora. As federais respondiam por 47% da matrícula universitária em 1980. Em 2003, apenas 23%. Nunca é demais lembrar que as instituições privadas de ensino superior, tão açoitadas, respondem hoje por 71% da matrícula do ensino superior — e seus alunos não sofrem com greves. Também não custa lembrar que o Brasil, com seus pífios 21% de taxa de matrícula no ensino superior (segundo a Unesco), está a anos-luz não apenas de países como Coréia (85%) e Reino Unido (64%), mas também de vizinhos como Argentina (60%), Bolívia (39%) e Chile (45%). A inabilidade de nosso sistema universitário público de se massificar vai condenando o país ao atraso interminável. Esse quadro já ser ia ruim se acreditássemos na história de que nossas universidades públicas foram “sucateadas” e que seus professores e funcionários são pobres coitados, como seus sindicatos querem fazer crer. Improcede. Estudo do IPEA (n 999) mostra que, de 1995 a 1998, houve um aumento real de 7,7% nos gastos das federais e que, de 1998 a 2001, outro aumento real de 18,1%. De 2001 a 2005, o gasto com folha de pessoal passou de R$ 8,8 bilhões para R$ 10,7 bi em termos reais. Em comparação com instituições internacionais, as UFs são paradigma de desperdício de dinheiro, não de sua falta. Enquanto que as universidades da OCDE (os países ricos) gastam o equivalente a 43% do seu PIB per capita por aluno, no Brasil esse valor é quase quatro vezes maior: 135%. Nos países ricos um universitário custa menos de dois alunos do ensino secundário — nas nossas universidades públicas, custa 11! E esse gasto excessivo não vai para a pesquisa, infelizmente. Enquanto que as universidades da OCDE gastam 11,5% de seus recursos com investimento, nossas universidades públicas gastam só 3,1%. Há indícios de inchaço na folha de pagamentos: nos países ricos há 15 alunos/professor; nas federais, 11. Com os funcionários técnico-administrativos, é pior: enquanto que nas privadas há 21 alunos/funcionário, nas UFs há só nove (dados do Inep). Se querem melhores salários e mais verbas para pesquisa, os grevistas deveriam propor o corte dos funcionários excedentes e o aumento da arrecadação de suas universidades, através da cobrança de mensalidades dos alunos abastados. Nota-se a esclerose dessa greve: seus próceres reivindicam justamente o oposto. Querem manter o modelo de universidade elitista do século 19 no século 21 — mesmo que ao preço da própria sobrevivência do sistema. GUSTAVO IOSCHPE é cientista político. Ótimo dia pra você. <*> Para assinar a lista onde se comenta: [EMAIL PROTECTED] <*> Para enviar um comentário: [email protected] Yahoo! Groups Links <*> To visit your group on the web, go to: http://groups.yahoo.com/group/goldenlist/ <*> To unsubscribe from this group, send an email to: [EMAIL PROTECTED] <*> Your use of Yahoo! Groups is subject to: http://docs.yahoo.com/info/terms/
