Para que tanta tecnologia?
Autor: Flávio Battaglia.

Resenha do artigo "To heck with tech", escrito por Lindsay Chappell e publicado 
em Automotive News de agosto de 2001. 

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"Em um mundo inundado pela logística computadorizada, a Toyota afirma que seus 
cartões coloridos - kanban - estão gerindo muito bem a cadeia de suprimentos." 
-- Lindsay Chappell, Automotive News de Agosto de 2001.

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Alguém enviou um e-mail para o escritório na Toyota Motor Manufacturing North 
America em Erlanger, Kentucky, em que propunha um encontro entre o gerente 
geral de gestão de negócios e um vendedor de software e soluções eletrônicas. 

A Toyota poderia ser mais um cliente. A empresa acabara de anunciar as obras de 
sua terceira planta nos EUA para a montagem de motores, a quarta a ser 
instalada nos EUA e Canadá. Os fornecedores da Toyota encontram-se espalhados 
ao longo da costa leste dos EUA e precisam entregar just-in-time seus 
componentes a uma ou mais linhas de montagem. 

O gerente lê o e-mail e envia um "obrigado mas não" ao vendedor de software. Em 
sua resposta, justifica: "A Toyota realmente não busca esse tipo de solução". A 
Toyota prefere fazer as coisas através do TPS (Toyota Production System) 
explica. Diz ele à jornalista: "Eu vou a conferências sobre logística pelo 
menos uma vez ao ano e me parece que estão todas dominadas por pessoas falando 
sobre tecnologia, tecnologia, tecnologia. Isso não é o que somos. Não 
precisamos de uma solução técnica. Nós já temos um sistema que funciona bem. É 
o nosso já estabelecido sistema kanban." 

A Toyota transporta materiais e componentes que valem bilhões de dólares pelas 
estradas, ao longo de milhares de quilômetros para que sejam entregues 
just-in-time, confiando apenas nos pequenos laminados cartões coloridos e nos 
relatórios de programação de transporte, também codificados por cores. 

Dentro do centro de consolidação (cross-dock), parecido com um armazém, em 
Knoxville, a filosofia da empresa se traduz em soluções práticas. O prédio 
nitidamente não possui nada mais "tecnológico" do que uma impressora e um 
telefone, afirma a autora. 

Na medida em que os componentes chegam, algumas vezes de hora em hora, a maior 
parte dos 20 funcionários está no depósito descarregando as caixas dos 
caminhões, organizando-as corretamente sob o chão para, mais tarde, serem 
expedidas. 

Os cartões 

Os cartões coloridos do tamanho de uma passagem aérea são pendurados, 
ordenadamente, na parede. Elásticos prendem as faturas que permitem a cada 
fornecedor receber pelo carregamento. Quando as partes chegam por caminhão, os 
motoristas descarregam suas entregas, retiram os novos cartões dos suportes e 
pegam a estrada novamente em busca de outras. 

Os funcionários do depósito mantém as caixas de peças juntas com os cartões 
kanban, unidos por um fio de arame. O motorista que transporta os produtos até 
uma planta de montagem usa o mesmo cartão para saber para qual planta levá-los. 
Uma vez entregues na planta, os colaboradores da Toyota usam os mesmos cartões 
para movimentar as partes ao longo do processo de montagem final e ainda para 
sinalizar a necessidade de mais componentes para a cadeia de suprimentos. É a 
continuação do mesmo sistema puxado da Toyota que dita o ritmo das linhas de 
montagem. 

Puxar é um dos princípios para a qualidade e eficiência. Se determinada linha 
de montagem não está pronta para receber componentes, nenhum componente deve 
ser entregue. Materiais em excesso geram seus próprios problemas de qualidade e 
suas próprias complicações. Levam ao desperdício de energia humana e espaço 
físico. 

Administrando o fluxo 

O depósito de Knoxville é uma das quatro instalações que compõe o sistema de 
distribuição cross-docking (centro de consolidação) da Toyota na América do 
Norte. Os outros três estão localizados em Battle Creek e Romulus, no Estado de 
Michigan e Georgetown em Kentucky. A Toyota lançou-se num projeto de 
cross-docking em 1993, quando as primeiras plantas instaladas na América do 
Norte, localizadas em Kentucky, Ontario e Canadá, começaram a produzir em 
volumes mais significativos. 

A Toyota passou a produzir carros nos EUA em 1984 - e em grandes volumes apenas 
a partir de 1990, sendo que o fluxo de materiais não era fator crítico até 
então. Anteriormente, cada uma das plantas enviava sua própria frota de 
caminhões até as instalações de cada fornecedor para a retirada dos materiais 
(milk run). Mas as coisas mudaram. 

À medida em que o volume de produção foi crescendo, o tráfego de caminhões, os 
gastos com combustíveis e a complexidade logística aumentaram muito. Uma 
investigação da Toyota sobre cross-docking mostrou que, mesmo considerando o 
crescimento da atividade de manufatura, a utilização dessa solução poderia 
reduzir o volume de tráfego de caminhões em 25%. 

Metade de todo o material usado pelas plantas norte-americanas passam pelos 
quatro centros. Lá são reunidos os componentes vindos de mais de 370 
fornecedores, temporariamente armazenados, reorganizados e enviados para uma 
das linhas de montagem ou para outro centro. O centro de Knoxville é uma joint 
venture de duas "afiliadas" da Toyota, a Toyota Tsusho America e a Ryder 
Logistics. 

Não se dorme por lá 

O que mais surpreende é a simplicidade com que se lida com alta complexidade e 
elevado volume. Diariamente, 38 caminhões partem do centro de Knoxville para 
levar componentes até alguma linha de montagem. "O que é mais fantástico e deve 
ser lembrado é que isso não é apenas um depósito para estocagem.", dizia Phil 
Barfield, outro funcionário. "Nada permanece aqui. O tempo máximo que um 
componente fica aqui é 23 horas." 

Na área de expedição, pallets com caçambas de diversos fornecedores são 
rapidamente distribuídos pelas empilhadeiras, que alinham as caixas em fileiras 
estreitas. O conteúdo de cada fileira é destinado a plantas específicas da 
Toyota. Não importa o que diga um cartão kanban ao operador da empilhadeira, 
ele apenas segue o que o cartão determina. 

Enquanto a autora percorria as instalações de Knoxville, um operador de 
empilhadeira percebe um erro: no meio da área de recebimento, um pallet de 
caixas destinado a determinada planta é colocado sobre uma pilha que deveria 
ser destinado a uma outra. O operador de empilhadeira então se desloca até lá e 
separa as duas. Ele conseguira detectar o erro graças às diferenças nos 
cartões: eles possuem cores diferentes. O engano não seria desfeito se tivesse 
recebido uma ordem computadorizada ou se fosse apenas uma diferença no código 
de barras. São os cartões. São as pessoas treinadas para olhar e entender os 
cartões. É o controle visual: simples e inequívoco.

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Fonte: http://www.lean.org.br/bases.php?&interno=artigo_05

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- c.a.t.
  http://catalisando.com


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