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Franklin Martins desafia Mainardi

Em resposta à coluna de Diogo Mainardi publicada na última edição da revista 
Veja, em 16/04, o comentarista político da Rede Globo Franklin Martins redigiu 
e enviou à semanal da Editora Abril e também ao Comunique-se a resposta que 
publicamos aqui.

Em seu último texto, Mainardi apontou conexões entre parentes de profissionais 
da imprensa e o poder público para exemplificar o que chamou de frouxidão moral 
da sociedade brasileira. Além de Martins, Helena Chagas, de O Globo, Eliane 
Cantanhêde, da Folha de S. Paulo, e Luís Costa Pinto, da Idéias, Fatos e Texto 
Ltda, também foram atacados pelo colunista. As duas jornalistas preferiram não 
responder às alegações de Mainardi. Costa Pinto, por outro lado, enviou uma 
resposta ao Comunique-se, publicada nesta segunda-feira (17/04).

Abaixo, segue o texto de Franklin Martins.

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Desafio a um difamador

O sr. Diogo Mainardi, em artigo intitulado “Jornalistas são brasileiros”, 
publicado na revista Veja de 16 de abril de 2006, acusou a mim e a outros 
profissionais de imprensa de sermos “moralmente frouxos” e de mantermos 
“relações promíscuas” com o poder político. No meu caso, saiu-se com a 
estapafúrdia história de que eu teria uma cota pessoal de nomeações no serviço 
público. Nessa cota, estariam meu irmão, Victor Martins, diretor da Agência 
Nacional de Petróleo (ANP), e minha mulher, Ivanisa.

Seguem-se alguns esclarecimentos. Devo-os não ao sr. Mainardi, mas a meus 
leitores, telespectadores e ouvintes, e também a meus colegas de profissão que, 
com razão, continuam a acreditar que o jornalismo só tem valor se for exercido 
com espírito público e ética:

1. Não tive, em qualquer momento ou em qualquer instância, nada a ver com a 
nomeação de meu irmão, profissional conceituado na área de petróleo, para a 
diretoria da ANP. Jamais intercedi junto a quem quer que fosse no Poder 
Executivo para sua indicação. Jamais pedi a qualquer membro do Senado, a quem 
cabe constitucionalmente aprovar ou recusar as diretorias das agências 
reguladoras, que olhasse com simpatia seu nome. Não movi uma palha nesse 
episódio. Meu irmão tem a vida profissional dele e eu, a minha.

O sr. Mainardi não é obrigado a acreditar no que digo. Mas, se não fosse um 
difamador travestido de jornalista, teria se esforçado para apoiar suas 
acusações em fatos que revelassem uma conduta inadequada da minha parte, e não 
apelado para trechos de discursos desse ou daquele parlamentar com referências 
à minha pessoa que não significam absolutamente nada. Sobre o que falam 
deputados e senadores nem eu nem o sr. Mainardi temos a menor responsabilidade. 
Qualquer pessoa medianamente informada sabe disso. Somos eu e ele responsáveis 
apenas pelos nossos atos.

Por isso, lanço-lhe um desafio. Se qualquer um dos 81 senadores ou senadoras – 
um só, não é necessário mais do que um – vier a público e afirmar que o 
procurei pedindo apoio para o nome de meu irmão, me sentirei sem condições de 
seguir em meu trabalho como comentarista político. Pendurarei as chuteiras e 
irei fazer outra coisa na vida. Em contrapartida, se nenhum senador ou senadora 
confirmar a invencionice do sr. Mainardi, ele deverá admitir publicamente que 
foi leviano e, a partir daí, poupar os leitores da “Veja” da coluna que assina 
na revista.

Tudo ou nada, bola ou búrica. O sr. Mainardi topa o desafio ? 

Se topa, proponho que escolha uma pessoa de sua confiança, enquanto eu pedirei 
à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que designe um profissional acima 
de qualquer suspeita, para que ambos conversem imediatamente com todos os 
senadores e senadoras e ponham essa história em pratos limpos. 

Se não topa o desafio, o sr. Mainardi estará apenas confessando que não tem 
compromisso com a verdade e deixando claro que não passa de um difamador.  

Sei os riscos que estou correndo. Entre os 81 senadores, há vários que, em um 
ou outro momento, já foram frontalmente criticados por mim. Outros devem ter 
discordado inúmeras vezes de minhas opiniões e avaliações. É provável que haja, 
inclusive, quem, em algum episódio, tenha se sentido injustiçado por alguma 
palavra minha. Mesmo assim duvido que apareça um só senador, governista ou 
oposicionista, do Norte ou do Sul, veterano ou novato, que confirme a afirmação 
insultuosa do sr. Mainardi de que fiz tráfico de influência para nomear um 
irmão para a ANP. Duvido que apareça por uma razão muito simples: isso 
simplesmente nunca ocorreu.
 
2. Quanto à minha mulher, é funcionária pública há mais de 20 anos. E 
servidores públicos, sr. Mainardi, por incrível que lhe pareça, trabalham no 
serviço público. Não sei qual a razão de sua surpresa com o fato. Devo 
esclarecer que, embora seja profissional extremamente competente, com mestrado 
em planejamento social na London School of Economics, já tendo dirigido 
agências e programas nacionais na área, no momento minha mulher não exerce 
cargo comissionado e sequer tem função gratificada. Por que? Não sei. Coisas do 
serviço público ...  

Dados os esclarecimentos, sigo adiante.

Nem sempre concordo com o que escrevem Eliane Cantanhede, da “Folha de S. 
Paulo”, e Helena Chagas, de “O Globo”, também difamadas pelo sr. Mainardi no 
artigo mencionado. Mas isso não me impede de dizer que são duas tremendas 
profissionais, das melhores jornalistas deste país. Na nossa profissão, como em 
todas outras, há gente séria e gente que não presta, pessoas íntegras e pessoas 
sem caráter. Eliane e Helena estão na primeira categoria e me honra ter sido 
colocado na companhia delas. Para mim, desabonador seria o contrário.

Os ataques que sofremos Eliane, Helena e eu talvez sejam os mais graves, mas 
não são os primeiros que o sr. Mainardi lançou recentemente contra jornalistas. 
Nos últimos meses, semana sim, semana não, pelo menos duas dúzias deles, foram 
vítimas de investidas absolutamente desrespeitosas, carregadas de insinuações 
capciosas contra suas atividades e carreiras. Mas como ninguém deu pelota para 
os arreganhos do rapaz – nem os jornalistas, que simplesmente não o levam a 
sério, nem os leitores da “Veja”, que já se cansaram de ver um anão de jardim 
querendo passar-se por um gigante da crônica política –, o sr. Mainardi decidiu 
aumentar o calibre de seus ataques. E partiu para a difamação pura e simples. 

Vivemos numa democracia, felizmente. Todos têm o direito a defender suas 
idéias, mesmo os doidivanas, e a tornar públicas suas posições, mesmo as 
equivocadas. Em compensação, todos estão obrigados a aceitar que elas sejam 
criticadas livremente. O sr. Mainardi, por exemplo, tem a prerrogativa de dizer 
as bobagens que lhe dão na telha, mas não pode ficar chateado se aparecer 
alguém em seguida dizendo que ele não passa de um bobo. Pode pedir a deposição 
do presidente Lula, mas não pode ficar amuado se alguém, por isso, chamá-lo de 
golpista. Pode dizer que o povo brasileiro é moralmente frouxo, mas não pode se 
magoar depois se alguém classificá-lo apenas como um tolo enfatuado. Ou seja, o 
sr. Mainardi pode falar o que quiser, mas não pode querer impedir que os outros 
falem. 

Mais ainda: o sr. Mainardi é responsável pelo que fala e escreve. Enquanto 
permaneceu no terreno das bobagens e das opiniões disparatadas, tudo bem. Faz 
parte da democracia conviver com uma cota social de tolices e, além disso, 
presta atenção no bobo da corte quem quer. Mas quando o bufão passa a atacar a 
honra alheia, substituindo as bobagens pela calúnia e as opiniões disparatadas 
pela difamação, seria um erro deixá-lo prosseguir na sua torpe empreitada.

No Estado de Direito, existe um caminho para os que consideram que tiveram a 
honra atacada por um detrator: recorrer à Justiça. É o que farei nos próximos 
dias. No processo criminal, o sr. Mainardi terá todas as oportunidades de 
provar que usei minha condição de jornalista para traficar influência. Como é 
mais fácil um burro voar do que ele dar substância às suas invencionices a meu 
respeito, estou confiante de que se fará justiça e o difamador será condenado 
pelo seu crime. 

Desde já, adianto que, se a Justiça fixar indenizações por danos morais, o 
dinheiro será doado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e à Associação 
Brasileira de Imprensa. Não quero um centavo dessa causa. Não dou tanta 
importância a dinheiro como o sr. Mainardi, que já definiu seu próprio perfil: 
“Hoje em dia, só dou opinião sobre algo mediante pagamento antecipado. Quando 
me mandam um e-mail, não respondo, porque me recuso a escrever de graça. Quando 
minha mulher pede uma opinião sobre uma roupa, fico quieto, à espera de uma 
moedinha”.  

Prefiro ficar com Cláudio Abramo: “O jornalismo é o exercício diário da 
inteligência e a prática cotidiana do caráter”. Mas, para tanto, o sr. Mainardi 
está incapacitado. Não porque lhe seja escassa a inteligência; simplesmente 
falta-lhe caráter. A história da moedinha diz tudo.

Da minha parte, seguirei fazendo o único jornalismo que sei fazer, o que busca 
dar informações ao leitor, ao telespectador, ao ouvinte, com inteligência e 
respeito, para que ele forme sua própria opinião sobre os fatos. Não quero 
fazer a cabeça de ninguém. Não creio que essa seja a missão da imprensa, ainda 
que alguns jornalistas e alguns órgãos de comunicação, de vez em quando, 
queiram ir além das suas chinelas. Existimos para informar à sociedade, e não 
para puxá-la pelo nariz para onde quer que seja.

E desse jornalismo não vou me afastar, apesar das mentiras, da gritaria e das 
difamações do colunista da “Veja”. 

O macartismo não me intimida. O sr. Mainardi, muito menos.
 
---

Fonte: http://snurl.com/pe8v

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Leia também:

Mainardi critica jornalistas e acusa imprensa de frouxidão ética
http://snurl.com/pe90

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