TSE determina retirada de comentário de Jabor na Internet:

   http://noticias.terra.com.br/eleicoes2006/interna/0,,OI1189873-EI6652,00.html
 
Eis abaixo o comentário retirado, e depois um artigo de Christina Fontenelle.
 
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = 
 
Comentário do Jabor:
 
Qual é a origem do dinheiro? Este é o lema da campanha da oposição.
 
[Diversas instâncias ainda na web -- vide http://snipurl.com/zhi8]
 
Arnaldo Jabor
 
O Estado de São Paulo, Caderno 2, 10 Out 06
 
O debate de domingo serviu para vermos dois lados do Brasil. De um lado, a 
busca de um 'choque de capitalismo', de outro um delirante choque de um 
socialismo degradado em populismo estatista, num getulismo tardio.
 
De um lado, S. Paulo e a complexa experiência de um Estado industrializado, 
rico e privatista e, do outro, a voz de grotões onde o Estado ainda é o 
provedor dos vassalos famintos. De um lado, a teimosa demanda de Alckmin pelo 
concreto da administração pública e, do outro lado, o Lula apelando para 
pretextos utópicos, preferindo rolar na retórica de símbolo, lendo constrangido 
estatísticas e citando obras quem nem foram iniciadas.
 
Alckmin foi incisivo; Lula foi evasivo. Lula saiu da arrogância do primeiro 
turno para o papel de 'sóbrio estadista injustiçado'. Mas não deu para esconder 
seu mau humor quase ofendido, por ter de dialogar ali com aquele 'burguês', 
limpinho, sem barba. Faltou-lhe a convicção de suas afirmações, pois seu 'amor 
ao povo' não teve a energia de antes. Gaguejou, tremeu, suas frases 
peremptórias não tinham ritmo, não tinham 'punch line', não 'fechavam', 
enquanto Alckmin parecia um cronômetro, crescendo no ritmo e concluindo com 
fragor.
 
Lula estava rombudo, Alckmin era um estilete. Lula estava deprimido porque 
raramente foi contestado assim, ao vivo. Sempre recuamos diante do sagrado 
'Lulinha do povo', imagem que se rompeu domingo. Houve um leve sabor de 
sacrilégio na acusação do agora agressivo 'picolé de chuchu'. Alckmin rompeu a 
blindagem do Lula, protegido dos escândalos. Alckmin atacou a intocabilidade do 
operário sagrado e tratou-o como cidadão. Isso.
 
O Lula perdeu um pouco da aura de 'ungido de Deus'. Lula sempre se disse 
'igual' a nós ou ao 'povo', mas sempre do alto de uma intocabilidade, como se 
ele estivesse 'fora da política'. Sempre houve um temor reverencial por sua 
origem pobre; qualquer crítica mais acerba soava como um ataque da 'elite 
reacionária que não suporta um operário no poder', como clamam tantos 
lulo-colunistas e artistas burros.
 
Quando apertou o cerco, Lula tentou se valer dos pobres, dos humildes, falou da 
mãe analfabeta, mas sempre evitou responder a qualquer pergunta concreta, como 
se a concretude fosse uma ofensa a seu mundo ideológico puro, acima da vida 
'comum'. Várias vezes, suas falas não faziam sentido, porém mantinham para o 
espectador acrítico aquele ronronar grosso que empresta um ritmo de fundo em 
torno da sua imagem de 'símbolo dos pobres'.
 
Lula não precisa dizer a verdade; basta parecer. Sempre que o Alckmin o 
encostava na parede, ele chamava as verdades proferidas de 'leviandades', o que 
é muito comum no vocabulário petista que nomeia de 'erros' os crimes cometidos 
ou de 'meninos', os marmanjos corruptos que transportam dólares na cueca ou nas 
maletas e que foram 'desencaminhados', coitados, por bandidos comuns, talvez 
até (quem sabe?) 'a serviço' de tucanos solertes.
 
Lula tentou encobrir os crimes de sua quadrilha apelando para pretensos 
'crimes' de gestões anteriores, como barragem de CPIs, votos comprados, caixa 2 
sem provas.
 
Ele e os petistas se julgam donos de uma 'meta-ética', uma 'supramoral' que os 
absolveria de tudo e, por isso, Lula se utilizou de mentiras e meias-verdades 
para responder às acusações de mensalões e sanguessugas em seu governo.
 
Para justificar a omissão e a passividade diante da Bolívia e do prejuízo de 1 
bilhão e meio de dólares nas instalações da Petrobrás, Lula chegou a criticar a 
violência burra do Bush para se absolver na política de 'companheirismo' com o 
Evo Morales. Ao invés de se defender de acusações pontuais, dizia que a era-FHC 
também era corrupta, como nas brigas de bordel, em que as prostitutinhas se 
defendem apontando os pecados das outras.
 
Lula tentou fugir da pergunta que não vai se calar: 'Qual a origem do dinheiro?'
 
Lula respondeu com a metáfora batida: 'Muitas vezes o sujeito está na sala e 
não sabe o que está acontecendo na cozinha.' Ou seja: é normal que o chefe da 
Casa Civil e agora o Presidente do partido, Berzoini, Hamilton Lacerda, o chefe 
da campanha do Mercadante, o diretor do Banco do Brasil, seu assessor, seu 
churrasqueiro, petistas ativos no diretório, todos soubessem e trouxessem o 
dinheiro em malas, sem avisar o chefe. E quer que a gente engula.
 
Lula pediu a Deus que não o mate 'até que ele saiba de onde veio o dinheiro'. A 
resposta obvia é: 'Não precisa perguntar a Deus; basta perguntar aos seus 
assessores na sala ao lado...', como escreveu a Miriam Leitão.
 
Quando Alckmin o apertava, ele o desqualificava: 'Meu Deus... como é que pode? 
Você está nervoso, Alckmin... Não é o seu estilo...', querendo trancar o 
desafiante em seu papel de gentil picolé. Diante do pedido de explicações, 
fugia, tentando abordar 'questões programáticas' (como se ele as tivesse...), 
como se elas pudessem estar acima das 'bobagens de crimes que sempre houve, de 
erros de companheiros' etc... Assim, tentou voar por cima da ética assassinada.
 
Acontece que os crimes de sua quadrilha 'são' a questão principal e também 
'programática' porque, além da imoralidade, esses crimes prefiguram uma 
política que visa a atropelar a democracia através de grossuras truculentas que 
lhes mantenham no emprego a qualquer custo.
 
Lula não pôde responder à pergunta fatal 'De onde vem o dinheiro?' porque sua 
origem é conhecida.
 
Todos sabemos que o dinheiro veio de algum nicho onde está guardado para 
'despesas do partido', dinheiro desviado ou de fundos de pensão ou de estatais 
ou de bancos oficiais ou de contratos superfaturados. Todos eles sabem. Só 
falta o nome do dono da cueca ou das maletas. E certamente o advogado do 
governo não permitirá que saibamos até o dia 29.
 
Tudo está óbvio. Neste momento perigosíssimo de nossa História, só resta 
esperar que o 'povo' perceba o óbvio, já que os intelectuais jamais o 
enxergarão.
 
= = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = = 
 
O MENTIROSO E O AGRESSIVO
 
Christina Fontenelle 12/10/2006 
E-MAIL: [EMAIL PROTECTED] 
BLOG/artigos: http://infomix-cf.blogspot.com/ 
BLOG/Série CAI O PANO: http://christina-fontenelle.blogspot.com/
 
A verdade constrange o presidente Lula. Por isso, qualquer um que se utilize 
dela para se dirigir a ele será acusado de indelicado e agressivo.
 
O presidente-candidato, Luiz Inácio Lula da Silva, passou toda a sua campanha 
atacando o governo de Fernando Henrique Cardoso – que não foi, não é e não será 
o de Alckmin, se ele for eleito presidente do Brasil. Se há um defeito a 
ressaltar na campanha de Alckmin é o fato de o candidato não ser mais explícito 
em relação a isso: Alckmin não é FHC, não foi presidente do Brasil, fez por São 
Paulo coisas que FHC não fez pelo Brasil e tem uma postura em relação aos 
interesses brasileiros suficientemente diferente da de FHC para fazer a 
diferença, para melhor, diga-se de passagem, na hora de estabelecer a posição 
do país nas disputas internacionais e no estabelecimento de metas 
desenvolvimentistas.
 
No debate entre os dois presidenciáveis realizado no dia 8 de outubro, na TV 
Bandeirantes, não foi diferente. Lula atacou o governo do PSDB e dirigiu a 
Alckmin cobranças que, na verdade, só poderiam ser respondidas por FHC. Eu 
diria que o ex-governador de São Paulo teve muita paciência, porque, se fosse 
comigo, eu, no mínimo, teria dito: "os seus assessores deveriam ter lhe 
preparado para debater com o candidato Geraldo Alckmin e não com FHC, mesmo 
porque, ele não está aqui para se defender".
 
Quem viu o debate teve a oportunidade de observar um Alckmin seguro e incisivo, 
sem meias-palavras e que incorporou o espírito de muitos brasileiros ao dirigir 
a Lula uma série de perguntas que certamente muito deles gostariam de fazer ao 
presidente. A certa altura, Lula começou a debochar da postura impecavelmente 
impositiva de Alckmin. Fazendo isso, o presidente mostrou seu talento para o 
cinismo – o que não surpreende a mais ninguém, diga-se de passagem. Lula bebeu 
muita água, mostrou-se desconfortável e simplesmente não respondeu a muitas das 
perguntas do adversário – o que também não surpreende a mais ninguém.
 
LULA: Tão satisfeitos?
 
HOMEM: Foi muito bem, presidente!
 
LULA: Bem é ocaralho! Foi nessa merda que vocês me meteram, tão satisfeitos?
 
VOZ DE MULHER (Possivelmente Marta Suplicy): Calma presidente, você se saiu 
muito bem.
 
LULA: Se eu me estrepar, vai todo mundo se fuder junto!
 
O diálogo foi presenciado por um funcionário da TV Bandeirantes, conforme 
divulgação na Internet. Não se sabe se é verdadeiro ou não, mas, a julgar pelo 
que já foi publicado no livro "Viagens com o Presidente", de Eduardo Scolese e 
Leonencio Nossa, poderia perfeitamente ter acontecido. Na verdade, não estaria 
expressando nada além da realidade do que aconteceu naquele debate na BAND e só 
vem confirmar o porquê do empenho do PT e de grande parte da mídia em enquadrar 
Geraldo Alckmin nas algemas do discurso politicamente correto que o qualifica 
de "agressivo".
 
A coordenadora da campanha de Lula em São Paulo, Marta Suplicy, declarou, ao 
final do debate entre Lula e Alckmin, na BAND, que o candidato da oposição 
parecia um "candidato de plástico". Um ato falho, com certeza, haja vista as 
atuais feições de madame Suplicy. Os companheiros do PT, em massa, todos 
disseram que Lula havia se saído muitíssimo melhor do que o oponente. Bem, da 
boca para fora não se poderia esperar outra coisa mesmo, mas, a reação em forma 
de "operação desespero", que já estava em andamento, agora ficou mais veemente.
 
"Pensei que não estava na frente de um candidato, que estava na frente de um 
delegado de porta de cadeia", disse Lula a jornalistas, em Brasília, no dia 
seguinte ao debate. As declarações foram dadas em uma cerimônia no Palácio da 
Alvorada, onde mais de 30 cantores de gospel participaram, declarando seu apoio 
à campanha do presidente. Bem, lugar de delegado é mesmo na delegacia e até 
eventualmente na porta da mesma. O que o presidente talvez quisesse dizer fosse 
"advogado de porta de cadeia", que são aqueles advogados oportunistas que pegam 
qualquer causa apenas para faturar uma "graninha". Errou duas vezes o 
presidente: na expressão popular e no significado que ela teria caso estivesse 
certa.
 
"O povo não quer ver candidato xingando o outro. O povo quer saber o seguinte: 
o que é que vai fazer para melhorar a minha vida", disse ainda o presidente. 
Nisso Lula tem razão, essa é uma coisa que todo mundo está interessado em 
saber. Entretanto, pelo menos 58.157.780 eleitores brasileiros estariam 
igualmente muito interessados em saber outras coisinhas mais. Algumas delas, 
por exemplo: de onde veio o dinheiro para comprar o dossiê Vedoin? Por que a 
Polícia Federal é tão eficiente em assuntos que favorecem o governo do PT, ou 
que dele são independentes, e não apresenta o mesmo excelente desempenho quando 
se trata de "investigar" fatos que incriminem pessoas ligadas ao PT? O 
ex-ministro Palloci cometeu crime de violação do sigilo bancário contra um 
cidadão brasileiro comum. Como foi possível que ele tenha sido candidato, pelo 
PT, a deputado federal? E as despesas astronômicas com cartão de crédito 
corporativo da presidência, inclusive com saques em dinheiro de grandes 
quantias? E a "investigação" relâmpago da PF sobre os grampos telefônicos no 
TSE e no STF, constatando e garantindo, pela primeira vez na história da 
Eletrônica e das Telecomunicações, que uma linha telefônica jamais tenha sido 
grampeada? A lista teria para mais de cem outras "pequenas curiosidades" dos 
brasileiros e seria inviável escrevê-las todas aqui.
 
Mesmo com o "bunker" ( o mesmo de sempre) desfalcado, pelo recente afastamento 
estratégico de figuras militantes importantes como Ricardo Berzoini, Freud 
Godoy e Jorge Lorenzetti, por suspeita de envolvimento na compra do dossiê 
Vedoin, o PT começou a apelar de todas as formas e maneiras para atacar a 
candidatura de Alckmin. Primeiro, antes mesmo do debate da BAND, veio a 
divulgação mentirosa, pela boca do próprio Lula, em entrevista a uma emissora 
de rádio, da estória das privatizações da Petrobras, da Caixa Econômica, etc.; 
e, como mentira pouca é bobagem, agora falsificam os números dos gastos da 
campanha presidencial do candidato do PSDB, multiplicando por mil o real valor 
despendido pelo tucano com viagens entre 2001 e 2005.
 
Até mesmo a primeira dama, Dona Mariza, resolveu trabalhar pela reeleição de 
seu marido. Ela saiu, ao lado da esposa do vice-presidente José Alencar, pelas 
ruas de Brasília (DF), para pedir votos para o PT. Eu não conheço o protocolo 
que rege a respeito do que deve ou não ser feito pela primeira dama. O que eu e 
todo mundo sabe é que, ao contrário de todas as ex-primeiras damas que o país 
já teve, Dona Mariza, não realizou um único tipo sequer de trabalho, paralelo 
ao de Lula, em benefício do país, nem mesmo em ações sociais, nos quatro anos 
do governo de seu marido. A esposa do presidente Lula não teve disposição para 
o trabalho social, mas teve, agora, para trabalhar pela reeleição de seu 
marido, assim como teve também para gastar. A primeira dama gastou, e muito, 
principalmente com os cartões de crédito corporativos da presidência – cujas 
faturas estão sendo atualmente "investigadas" (ô investigaçãozinha demorada 
essa!) pelo Tribunal de Contas da União e se encontram inacessíveis à 
vigilância social, por terem passado a ser consideradas assunto de segurança 
nacional – pela atuação do petista Aloísio Mercadante.
 
Nos novos programas eleitorais de Lula para o segundo turno das eleições, mais 
truques de edição (ninguém esqueceu do "empréstimo não contabilizado" que o PT 
fez para Lula dos aplausos que eram para Kofi Annan, na ONU). Desta vez, 
fazendo uma edição extremamente bem cuidada do que teria sido falado pelo 
presidente no debate da BAND. Quem não assistiu, não conseguirá ligar o que 
ouviu no rádio, nas ruas e o que eventualmente tenha lido nas manchetes de 
jornais, com o que pareceu ter sido o desempenho de Lula na versão da primorosa 
edição do PT.
 
Neste mesmo programa, depois de citar os mais de 46 milhões de votos 
conquistados no primeiro turno, Lula apresentou como Estados que disseram "sim" 
a Lula, entre outros, São Paulo e Rio Grande do Sul. Mentira, porque paulistas 
e gaúchos votaram mais em Alckmin. Segundo o presidente, os adversários fazem 
"uma campanha de ódio", que divide o Brasil entre aliados e inimigos. Mas é 
ele, e não Alckmin, que anda dizendo que foi a "elite" que levou o tucano para 
o segundo turno das eleições presidenciais. O PT não perde mesmo essa prática 
de acusar os outros daquilo que seus líderes e aliados é que fazem. Sabe-se 
muito bem o que é que Lula chama de "elite". O povão é que talvez não ligue o 
nome à pessoa, achando que o presidente esteja se referindo a gente de dinheiro 
ou a poderosos políticos. Na verdade, a definição do nosso presidente e de 
todos os seus aliados para "elite" é muito simples: elite é a classe de pessoas 
à qual pertencem todos aqueles que não estejam de acordo com a transformação do 
Brasil em um Estado petista.
 
Ao contrário, entretanto, do que o presidente diz, se há alguém que possa ser 
acusado de ter dividido o povo brasileiro, seu nome é Luiz Inácio Lula da 
Silva. Ele foi o homem que trouxe para a vida prática o que prega a teoria da 
revolução socialista. Ele foi o homem que mais jogou os pobres e menos 
favorecidos deste país contra os mais afortunados, indiscriminadamente, em 
quase todos os seus discursos, nos quais sempre dá um jeito de falar de uma 
"conspiração das elites" para derrubá-lo e/ou difamá-lo (como se ele precisasse 
de alguém para fazer aquilo em que se tem mostrado um verdadeiro expert). Lula 
se inclui entre os pobres, embora esteja a anos luz da pobreza, há muito tempo 
e desde bem antes de ser eleito presidente.
 
Lula, que dobrou seu patrimônio pessoal durante os 4 anos de governo, tem o 
hábito, por exemplo, de fumar exclusivamente charutos cubanos e de usar 
cigarrilhas holandesas. Não é para qualquer um. Dona Mariza, por sua vez, 
freqüenta festas, como as do aniversário de seu cabeleireiro, Wanderley Nunes, 
em fevereiro deste ano, no restaurante Magari, em São Paulo. No cardápio, 
nhoque com queijo fontina de entrada e peixe pargo com risoto de açafrão (o 
povão aqui vai precisar de dicionário de culinária); para beber, champanhe 
francês Billecart-Salmon (R$ 240, a garrafa) e vinho tinto Brunello di 
Montalcino, (safra 99 - R$ 362, a garrafa).
 
Sobre o gosto da família "Silva" pelo nababesco, em 2003, a Folha de SP 
publicou interessante matéria comparando o arrocho que o governo estava impondo 
no país com a prodigalidade dos gastos destinados ao conforto e ao luxo de Lula 
e de dona Marisa no Palácio do Planalto e na Granja do Torto. Na época, haviam 
sido abertas licitações para a construção de um ginásio esportivo, com sala de 
fisioterapia, no Palácio do Planalto (R$ 62.500), ampliação da churrasqueira e 
do salão da Granja do Torto (R$ 92.127) – onde antes já se construíra um campo 
de futebol, devidamente iluminado, para que Lula pudesse jogar à noite com os 
amigos. Nos itens licitados para o enxoval do Palácio da Alvorada, entre outros 
exageros, destacavam-se o material de cama, no qual figuravam roupões de banho 
necessariamente confeccionados com fios de algodão egípcio (R$ 152.637), e 
quatro máquinas fotográficas digitais (R$ 5.760). Bem, se Lula se diz um homem 
do povo e que a elite está com Alckmin, ô povo rico esse nosso, hein?
 
Os cartões de crédito corporativos não ficam atrás - são uma metralhadora de 
gastos. Alckmin perguntou a Lula sobre isso no debate da BAND. O presidente, 
depois de chamar o adversário de "leviano", disse que os cartões tinham sido "a 
única coisa boa que o FHC criou no governo dele". Não respondeu, nem sobre os 
gastos excessivos nem sobre o sigilo que os envolvem. Alckmin, quando retomou a 
palavra, disse que seu compromisso seria com a transparência absoluta.
 
De fato, como disse Lula, os cartões foram criados em 2002, no governo de FHC, 
para facilitar o pagamento de despesas imediatas que, naquele ano – último de 
FHC - somaram R$ 1,3 milhão. As faturas eram enviadas ao TCU e publicadas, para 
conferência pública, no site do Sistema de Acompanhamento Financeiro da 
Administração Federal (Siafi). Os cartões tinham cada um o limite de R$ 400 
mil. No governo Lula, logo nos dois primeiros meses de uso, ultrapassou-se este 
limite, que foi alterado, então, para R$ 1 milhão cada cartão.
 
Desde 2005, as "despesas" vêm sendo investigadas pelo Tribunal de Contas da 
União (TCU), cujo ministro Ubiratan Aguiar vem analisando as auditorias 
realizadas que vão aos poucos sendo feitas em cerca de 30 mil notas fiscais, 
algumas delas sob suspeita de serem frias. Dados sigilosos que vazaram desta 
investigação relatavam saques de mais de R$ 1 milhão que teriam sido feitos por 
um único funcionário, em 2004, e gastos indevidos com a primeira-dama e os 
filhos do presidente.
 
As despesas com os cartões, sem prestação de contas, incluindo gastos e saques, 
já somam neste ano (2006), R$20,756 milhões, incluindo todos os ministérios e a 
Presidência (2005 - R$ 21,706 milhões e 2004 - R$ 14,1 milhões). Os dados são 
do próprio portal da Presidência – que revela o destino de apenas R$ 94.987,33 
(2,6%), dos quais R$ 20 mil foram saques em dinheiro (que não se sabe onde foi 
gasto).
 
E os ataques a Alckmin não param. No dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira 
do Brasil, o senador Eduardo Suplicy compareceu à missa na Basílica de 
Aparecida, onde também estava o candidato do PSDB acompanhado de sua esposa e, 
com a falsidade que lhe é peculiar, recomendou que Alckmin fosse "respeitoso" 
com o presidente Lula no próximo debate. Aproveitou também para dizer que o 
programa Bolsa-Família, ao contrário do que havia dito Alckmin no debate da 
BAND, exigia sim contrapartidas. Alckmin não quis alimentar uma discussão com 
Suplicy e não fez comentários. Perdeu a chance de dizer algumas verdades ao 
senador petista. Uma delas é a de o senador deve saber muito bem que o PT faz 
vista grossa (ou não se interessa mesmo, já que o objetivo são votos) na 
fiscalização, tanto de quem recebe o auxílio do Bolsa-Família quanto em relação 
ao cumprimento das contrapartidas. A outra é a de que um homem que sabe o que 
Suplicy sabe sobre o PT e sobre Lula e continua ao lado dele e dentro do 
partido é cúmplice de todos os crimes e atentados à democracia que foram 
cometidos por eles nos últimos anos – sendo assim, não se poderia mesmo esperar 
que respeitasse a comemoração religiosa.
 
Nesta quinta-feira, 12 de outubro, mais outro ataque. Desta vez foi contra a 
liberdade de expressão do famoso comentarista Arnaldo Jabor que publicara um 
comentário (*) feito no último dia 10 de outubro, no site da Rádio CBN. É ótimo 
porque, agora, os comentaristas só ficarão livres para falar o venha de 
encontro aos interesses do PT. O ministro Ari Pargendler, do Tribunal Superior 
Eleitoral (TSE), determinou a retirada do comentário do colunista da página da 
rádio CBN na Internet, e das páginas de todas as suas afiliadas. O advogados da 
coligação "A Força do Povo" (PT-PRB-PCdoB), que apóia a reeleição do presidente 
Luiz Inácio Lula da Silva, argumentaram que o comentário, intitulado "Qual é a 
origem do dinheiro ? Este é o lema da campanha da oposição", prejudicava Lula e 
favorecia Alckmin. Pode até ser que isso seja verdade, mas não por culpa do 
Jabor e sim do próprio candidato do PT, porque o problema é que é praticamente 
impossível falar a verdade sem prejudicar o presidente Lula. Deveremos todos 
passar a mentir daqui para frente?
 
A despeito de todos os ataques de que lance mão o PT para liquidar com a 
candidatura de Geraldo Alckmin – e eles ficarão cada vez mais sórdidos daqui 
para a frente – não se pode perder o foco e censo de realidade. E a realidade é 
que a globalização, quer gostemos dela ou não, é irreversível sob todos os 
aspectos. A única coisa que poderia mudar esse rumo seria um cataclismo. Fora 
isso, ela é inexorável e há que se aprender a construir uma posição 
político-sócio-econômica sólida e uma soberania impositiva, ainda que com 
características de interdependência (inteligente e proveitosa, de preferência).
 
Manter este tipo de relação construtiva e interativa com economias 
essencialmente monopolistas, baseadas em supervalorização do Estado e na 
arrecadação implacável de impostos é um retrocesso de proporções gigantescas ao 
desenvolvimento humano – seja ele no Brasil ou em qualquer parte do mundo. É a 
tal estória: a democracia não é o melhor dos regimes, mas é o menos pior deles 
todos; e o mesmo vale para a economia, na qual a autonomia do mercado não é o 
que de mais perfeito se possa idealizar, mas ainda é o menos injusto e mais 
produtivo que se pode realizar.
 
Nesse contexto, alinhado com o que vem sendo feito na Venezuela pelo ditador 
Hugo Chavez, Lula é a personificação do caminho em direção ao retrocesso. FHC 
estaria mais para uma postura de governo de subserviência em relação às forças 
impositivas internacionais. Alckmin parece ser diferente, e isso pôde ficar 
mais claro na sua postura "agressiva" no debate da BAND. Ele talvez seja a 
liderança capaz de dar início, finalmente, à construção de um diálogo com as 
potências internacionais que comece a estabelecer a tão sonhada contrapartida 
de bons dividendos para o Brasil.
 
 
 

--

- c.a.t.
  http://catalisando.com




Ótimo dia pra você.

<*> Para assinar a lista onde se comenta:
     [EMAIL PROTECTED]

<*> Para enviar um comentário:
     [email protected]
 
Yahoo! Groups Links

<*> To visit your group on the web, go to:
    http://groups.yahoo.com/group/goldenlist/

<*> Your email settings:
    Individual Email | Traditional

<*> To change settings online go to:
    http://groups.yahoo.com/group/goldenlist/join
    (Yahoo! ID required)

<*> To change settings via email:
    mailto:[EMAIL PROTECTED] 
    mailto:[EMAIL PROTECTED]

<*> To unsubscribe from this group, send an email to:
    [EMAIL PROTECTED]

<*> Your use of Yahoo! Groups is subject to:
    http://docs.yahoo.com/info/terms/
 

Responder a