Segunda-feira, Janeiro 29, 2007
Corrupção, demarcações criminosas e ação de ONGs fazem da Amazônia um 
território virtual para o Brasil 
Por Jorge Serrão

A falta de uma política brasileira de ocupação para a Amazônia, a corrupção nos 
órgãos que deveriam cuidar da região, e a estratégia criminosa de demarcações 
de áreas indígenas, futuras “nações”, que coincidem com a presença de valiosos 
recursos minerais, são problemas que caracterizam a Amazônia como “um 
território virtual para o Brasil”. Tal quadro é pintado por um relatório de 
situação do Grupo de Trabalho da Amazônia, formado por representantes da Abin e 
dos órgãos de informações das Forças Armadas e da Polícia Federal.

O documento, cujo teor foi divulgado por Tales Faria no Jornal do Brasil de 
hoje, adverte que a luta das organizações não-governamentais estrangeiras, para 
aumentar as reservas indígenas, ameaça a integridade do territorial do País. As 
ONGs de origem britânica e norte-americana criam condições de futura 
independência das 'nações' indígenas, enquanto outras ONGs, inclusive apoiadas 
pela Alemanha e as de orientação religiosa, tendem a procurar uma autonomia 
diferenciada para pontos estratégicos da região. Os militares reafirmam as 
suspeitas de que ONGs e entidades religiosas estrangeiras estão tomando a 
Amazônia:

"Foi confirmado o conhecimento de que a questão indígena atinge uma gravidade 
capaz de pôr em risco a segurança nacional. Considerando a atual reivindicação 
de autonomia e a possibilidade de futura reivindicação de independência de 
nações indígenas, o quadro geral está cada vez mais preocupante, especialmente 
na fronteira Norte. As organizações não governamentais (ONGs), algumas 
controladas por governos estrangeiros, adquiriram enorme influência, na maioria 
das vezes usada em benefício da política de suas nações de origem, em 
detrimento do Estado brasileiro. Na prática, substituem, nas áreas indígenas, o 
governo nacional".

Além deste relatório reservado, outra grave denúncia de omissão e incompetência 
criminosa do governo, feita pelo jornal O Globo, descreve as conseqüências 
danosas do governo do crime organizado para a região amazônica. “Extinta em 
2001 pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por ser símbolo da corrupção 
na administração pública, a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia 
(Sudam) foi recriada pelo presidente Lula este mês e pode já renascer envolvida 
nos velhos problemas. A autarquia responde a cerca de 290 inquéritos por desvio 
de verbas. Mesmo assim, o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), que renunciou ao 
mandato em 2001, acusado de comandar a corrupção na Sudam, usa sua influência 
no governo Lula para tentar emplacar o novo superintendente”.

Pior que isso só o teor do "Relatório de Situação" elaborado pelo Grupo de 
Trabalho da Amazônia (GTAM) no primeiro semestre de 2006. O documento foi 
distribuído entre integrantes e colaboradores do chamado Sistema Brasileiro de 
Inteligência, cujo órgão central é a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). 
O GTAM é um colegiado composto por representantes da Abin e dos órgãos de 
informações das Forças Armadas e do Departamento de Polícia Federal. Sua função 
é sistematizar as chamadas atividades de inteligência na Amazônia. Realiza duas 
viagens anuais à área e elabora os textos com a opinião consensual do grupo.

O relatório destaca que os militares querem rever a decisão de demarcação 
contínua da reserva indígena Raposa-Serra do Sol, em Roraima: "Continuou 
evidente que no processo de homologação contínua houve má-fé, subordinando-se 
às teses de ONGs nacionais e estrangeiras, e contrariando o desejo dos próprios 
índios". O relatório denuncia: "As demarcações foram feitas em bases falsas e 
desprezando antigos e registrados títulos de propriedade que remontam a 1937, 
ou antes. Assinaturas do laudo antropológico no qual se baseou a demarcação 
contínua foram comprovadamente falsificadas, fatos estes constantes de processo 
judicial federal (Processo 1999.42.00.00001-7, distribuído à 1ª Vara Federal da 
seção judiciária de Roraima, em 18 de janeiro de 1999)".

O documento adverte que a situação pode resultar em conflitos: "Na população de 
Roraima, ficou evidenciado haver pouca esperança em soluções jurídicas e a 
firme decisão de resistir a esse 'status'. Baseadas na convicção de que a 
homologação contínua contraria o interesse nacional, as forças reativas contam 
com a simpatia das Forças Armadas e da população de Roraima. As últimas 
notícias dão conta de conflitos na região".

Ação dos EUA

Provavelmente eivados de um preconceito anti-norte-americanista, bastante comum 
nas Forças Armadas brasileiras, o relatório carrega nas tintas:

"Quanto à presença militar estadunidense na Amazônia, um componente 
relativamente novo na questão da segurança da região amazônica brasileira é a 
crescente presença de assessores militares estadunidenses e a venda de 
equipamentos sofisticados às Forças Armadas colombianas, pretensamente para 
apoiar os programas de erradicação das drogas, mas que podem ser utilizados no 
combate às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e ao ELN (Exército 
de Libertação Nacional). A presença militar estadunidense, que já se estende à 
Guiana, ao Equador, ao Peru, à Bolívia e, recentemente, ao Paraguai - 
aproveitando-se do vazio de nossa política externa em relação àquele país - por 
meio da utilização de bases militares, poderá se expandir a outros países 
sul-americanos para transformar a luta contra a droga (e contra as Farc e o 
ELN) em uma empreitada militar sul-americana, e não apenas 
colombiano-estadunidense. O plano provavelmente faz parte da estratégia dos EUA 
para assegurar presença militar direta na região andino-amazônica e no cone 
sul, em torno do Brasil".

Conflitos à vista

O relatório do GTAM critica a forte presença dos EUA em praticamente todos os 
países vizinhos ao Brasil, especialmente na região amazônica.

O grupo de trabalho relaciona essa presença a um quadro de desestruturação e 
fragilização dos governos e das sociedades locais:

"Os Estados da região foram induzidos a promover reformas para reduzir o 
efetivo e a influência das Forças Armadas, cuja tendência nacionalista poderia 
prejudicar a execução da nova estratégia econômica neoliberal. Assim, a 
situação nesses países apresenta características muito semelhantes - longa 
estagnação ou lento crescimento econômico, compromissos externos elevados, alta 
vulnerabilidade a flutuações externas, desarticulação do Estado, pressão 
externa renovada para que adote políticas ainda mais neoliberais, 
freqüentemente causando desemprego elevado, crime organizado e violência 
urbana".

Com base nessa avaliação em bloco, o relatório traça um quadro caso a caso, nos 
países vizinhos à Amazônia. Veja a seguir algumas dessas avaliações.

Briga com a Venezuela

"A hostilidade entre os governos da Venezuela e dos Estados Unidos vem se 
agravando paulatinamente e deve se agravar mais ainda. O governo de Hugo Chavez 
sofre os efeitos de uma operação internacional da mídia que procura 
caracterizá-lo como louco e ditatorial.

(...) Pode-se esperar que os Estados Unidos se esforcem para minar o governo 
venezuelano e mesmo, se houver condições, contribuir para sua derrubada. Mas 
não se espera uma atitude militar nem mesmo sanções econômicas devido à grande 
dependências de ambos à produção venezuelana de petróleo.

(...) As disputas entre Colômbia e Venezuela tenderão a se agravar a partir da 
violação de fronteiras, do eventual homizio de guerrilheiros colombianos e da 
aceleração da emigração, criando risco de surgimento de movimentos cuja reação 
seria difícil de prever, mas que forneceriam o desejado pretexto para 
intromissões internacionais".

Briga com a Colômbia

"Há um forte envolvimento estadunidense na guerra civil" e, apesar da 
divulgação de que teria havido redução global das zonas de plantio de coca no 
país, "há indícios de que os produtores abandonaram o método de cultivo em 
grandes plantações e adotaram técnicas de pequenas culturas no interior da 
selva, dificultando a detecção por satélite e a aspersão de herbicidas".

O país já estaria inserido na produção de heroína, com capacidade de produção 
para atender à demanda por consumo da droga dos EUA.

O GTAM alerta ainda que já "há suspeitas de plantações de papoula no Equador, 
na Bolívia e na Venezuela". Tudo para atender ao consumo norte-americano.

Briga com o Equador

"O profundo e histórico ressentimento da maioria indígena contra a minoria 
branca é capaz de colocar em cheque o sistema político tradicional, enquanto o 
Estado faz acordos com os EUA para utilização militar da base aérea de Manta 
para apoiar o Plano Colômbia, o que envolve o Equador na explosiva situação 
colombiana."

Briga com a República Guiana (ex-Guiana Inglesa)

"Pode-se prever, em longo prazo, a inevitabilidade de conflitos com a Venezuela 
e com o Suriname por terras tomadas no tempo do domínio britânico. Conforme o 
resultado desse previsível conflito, as terras (hoje da Guiana) tomadas ao 
Brasil ou ficariam em posse da Venezuela ou a Guiana ficaria em dois pedaços 
separados por uma faixa venezuelana. Considerando que a população brasileira 
foi expulsa da área somente no terceiro quartel do século 20, a ferida ainda 
está aberta e a população de Roraima pode não ser indiferente a uma retomada”.

Briga com a Guiana Francesa

"É um caso à parte, pois se encontra sob domínio colonial da França, que a 
considera parte integral do território francês, como se a Guiana se encontrasse 
na Europa continental." No início do relatório, os membros do GTAM já haviam 
ressaltado que "da pressão internacional sobre a região, basta lembrar que em 
1989 o presidente francês (François) Mitterrand afirmou que o Brasil precisa 
aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia".

Relatório antigo

Em 2005, o jornal "O Estado de S.Paulo" publicou um desses relatórios - 
assinado pelo coronel Gelio Augusto Fregapani, então lotado na Abin em Brasília 
e agora superintendente do órgão em Roraima -, o que provocou uma forte reação 
das ONGs e de entidades religiosas que atuam na Amazônia.

O Jornal do Brasil obteve agora a versão mais recente do relatório - 
explicitamente "vedado à imprensa" - que trata das conclusões das viagens 
realizadas no primeiro semestre 2006. Veja a íntegra do texto de 16 páginas no 
site www.jbonline.com.br.

O novo "Relatório de Situação" não é mais assinado pelo coronel da Abin, já que 
o texto se tornou de responsabilidade de todos os integrantes do GTAM.

De olho no manifesto

O tenente Melquisedec Nascimento, presidente da Associação dos Militares 
Auxiliares e Especialistas do Estado do Rio de Janeiro (AMAE), redigiu um 
manifesto cujo teor merece ser lido com toda atenção, para uma profunda 
reflexão sobre a conjuntura atual, embora não se concorde com seu inteiro teor:

“Em meio ao nebuloso quadro vigente no Brasil, quando autoridades dos mais 
altos escalões da República e dos estados da federação são vistas lado-a-lado 
com elementos ligados ao narcoterrorismo, tudo camuflado em nome do social, 
chegamos à conclusão que não há mais distinções entre o legítimo e o ilegítimo, 
entre o moral e o imoral”.

“Acrescente-se a isso que o desleixo com que a soberania nacional é tratada no 
país, permitiu a grupos estrangeiros, muitos deles com o apoio de setores da 
elite brasileira, usurpar territórios na Amazônia,retalhando-a, impondo-nos uma 
espécie de neofeudalismo, semelhantemente ao que vinha ocorrendo nos morros e 
favelas do Rio de Janeiro. Ao analisar esse cenário, somos forçados a 
reconhecer que a pátria está em perigo”.

“Jamais a nação brasileira enfrentou tão grave risco de secessão, pois as 
mesmas forças que se opuseram a Getúlio Vargas e a Leonel Brizola ainda estão 
vivas e mais poderosas, ávidas de poder e riquezas fáceis, envidando todos os 
esforços contra qualquer despertar do sentimento de nacionalidade”.

“Cabem às Forças Armadas e às Polícias Militares a responsabilidade ímpar de 
liderar a reversão desse assombroso quadro. salta à vista que contra o Brasil 
se uniram vários governos estrangeiros,ONGs e setores da mídia nacional e 
internacional, todos eles juntos, ombro-a-ombro, agindo contra os legítimos 
interesses do povo brasileiro”.

“Portanto devemos reagir e que o sentimento que impulsionou os inconfidentes, 
sob a liderança de Tiradentes, seja a força motriz e libertadora da nação 
brasileira contra a espoliação que escraviza e empobrece o povo 
brasileiro.Primeiramente libertaremos os morros e favelas dos narcoterroristas, 
depois a Amazônia dos imperialistas e , finalmente, a pátria dos entreguistas 
traidores”.

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Fonte: 
http://alertatotal.blogspot.com/2007/01/corrupo-demarcaes-criminosas-e-ao-de.html

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- c.a.t.
  http://catalisando.com

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