APURAÇÃO DE NOTÍCIAS E EXERCÍCIO DO PENSAMENTO LIVRE PODEM SALVAR JORNALISMO
- por Jorge Freitas / Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro / 14 de maio de 2007 A informação que os noticiários dos jornais, rádios, tevês, blogs, sites, alarmes de celular, e todo o tipo de mídia veiculam está pasteurizada e não dá conta da diversidade social e das tendências do comportamento humano diante da mudança tecnológica. O resultado é que a imprensa e as mídias no geral veiculam superficialidades e cópias enfadonhamente cansativas. A salvação será possível apenas se houver um retorno ao pensamento, valorizando o raciocínio e a elaboração de idéias. Também, há necessidade de que os repórteres ouçam as vozes das ruas, restabelecendo a prática da apuração dos fatos e abandonando a comodidade das redações com ar condicionado, e o contato com as informações através do telefone e da internet. Os jornalistas devem indagar dos leitores o que eles acham das informações que recebem. Disso depende a sobrevivência da imprensa em todas suas formas. Em síntese foi essa a conclusão a que chegaram os debatedores que participaram ontem, quarta-feira, dia 9, do Circuito de Palestras promovido pelo Bar Aparelho, no auditório do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro – SJPMRJ, discutindo “Tecnologia e Mídias”. Com presença de Carlos Alberto Teixeira, o [EMAIL PROTECTED], colunista do Globo on line, e de Cristina de Luca, colunista do JB/Gazeta Mercantil, os debates foram iniciados com a apresentação do vídeo “A Grande Transição”. Em menos de 10 minutos, foram apresentadas as teses de Paul Saffo, diretor do Instituto para o Futuro, na Califórnia, especializado em previsões de tendências de tecnologia. Depois foi aberto o debate que durou duas horas e meia. Em seu estudo acerca dos efeitos do avanço tecnológico sobre a vida das pessoas e os negócios, Saffo considerou a bolha das empresas pontocom, na Bolsa de Valores, como o início de uma nova era. “Adeus informação, estamos na era da mídia”, afirmou. Segundo [EMAIL PROTECTED], o aumento do número de internautas permite o surgimento de muitas empresas, mas a sobrevivência de uma minoria delas. Mas esse processo gera também a criação destrutiva, na qual o modelo de negócio faz com que o consumidor utilize o serviço e não seja mais seu dono. Com isso, a previsão é de que os “tubarões” desaparecerão e o mercado será comandado pelos “peixinhos”. Haverá uma desconcentração nos negócios, muito embora o consumidor deva ser objeto de ações de marketing invasivo, devido à exposição que ocorrerá com o uso das tecnologias de localização precisa, atreladas aos aparelhos de telefone celular. Com funções múltiplas, os celulares não serão mais aparelhos destinados à conversação telefônica, constituindo-se, isto sim, em vários canais emissores para vários receptores, subvertendo o conceito que consagrou a mídia televisão como um canal emissor para muitos receptores. Cristina de Luca disse que a informação veiculada dentro desse novo conceito sofrerá os efeitos da pasteurização, necessitando de uma reavaliação por parte do emissor a respeito do momento em que a informação poderá tornar-se relevante e contará com valor, com virtude para ser precificada e comercializada. “ A informação tem que sair desse espaço de formação tendenciosa, que não busca o interesse comum, reproduzindo os preconceitos e os ódios raciais, exacerbando os conflitos, como no Iraque onde foram incluídas no YouTube imagens de uma réplica do Mickey Mouse reforçando o ódio aos judeus. Trata-se de um processo de lavagem cerebral, aproveitando-se do processo de filtragem tendenciosa”, disse, defendendo a prática do exercício diário do jornalismo, no qual os fatos devem ser apurados conforme a proximidade, oportunidade, abrangência e interesse público. “O que acontece hoje é uma percepção de que se banaliza a informação. Esquecem-se de que precisamos qualificar a colaboração, sair da bacia das almas, não deixando que o marketing desvalorize informação”, afirmou de Luca. “É preciso”, segundo de Luca, “olhar para os hábitos e ensinar o consumidor de baixa renda a usar o celular como ensinamos as pessoas a usar o computador e o Windows, no passado recente.” A professora Suzana França, da FACHA, disse que falta análise crítica aos produtores de conteúdo. Assim, a qualidade da informação veiculada pelas mídias não faz questionamentos como ocorria na década de 70, quando o meio acadêmico refletia sobre o comportamento das pessoas e as tendências sociais. “Hoje tudo é mediado pelo aparato tecnológico”, afirmou. “Nossa esperança é de que esse cenário descrito não passe de uma fase passageira e que surja uma força equilibrante”, disse Carlos Alberto Teixeira. --- Fontes: Site do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro http://www.jornalistas.org.br/ler_imprensa.asp?id=514 "Farewell Information, it’s a Media Age" - por Paul Saffo http://www.saffo.com/essays/essay_farewellinfo.pdf -- - c.a.t. http://catalisando.com
