Recebi o "Mensagem a Garcia" quando ainda trabalhava na Marinha, em 1983. Foi 
um texto que me marcou. Hoje, via email, acabo de recebê-lo e o reli, com as 
explicações do autor. É longo mas vale a leitura.

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Explicação do autor da "Mensagem a Garcia", escrito em dezembro de 1913
  
Esta insignificância literária, Mensagem a Garcia, escrevi-a, em uma hora, para 
o número de março da nossa revista, Philistine, numa noite depois do jantar, em 
22 de fevereiro de 1899, aniversário de George Washington. 

Encontrava-me com disposição para escrever. O artigo brotou espontâneo do meu 
coração, redigido depois de um dia afanoso, durante o qual eu tinha procurado 
convencer alguns moradores um tanto renitentes do lugar, de que deviam sair do 
estado comatoso em que se encontravam, esforçando-me por incutir-lhes 
radioatividade. 

A idéia original veio-me de um pequeno argumento ventilado pelo meu filho Bert, 
quando ele procurou sustentar ser Rowan o verdadeiro herói da Guerra de Cuba. 
Rowan pôs-se a caminho só e deu conta do recado: levou a mensagem a Garcia. 

Como uma centelha luminosa, a idéia se assenhorou da minha mente. É verdade - 
disse comigo mesmo - o rapaz tem toda a razão, o herói é aquele que dá conta do 
recado: que leva a mensagem a Garcia! 

Levantei-me da mesa e escrevi "Mensagem a Garcia" de uma assentada. Liguei tão 
pouca importância ao artigo que o publiquei sem título na revista. 

Pouco depois de a edição ter saído do prelo, começaram a afluir pedidos para 
exemplares adicionais: uma dúzia, cinqüenta, cem. Quando a American News 
Company encomendou mais de mil exemplares, perguntei a um dos meus empregados 
qual o artigo que havia levantado o pó cósmico.
- Esse do Garcia -, retrucou-me ele. 

No dia seguinte chegou um telegrama de George H. Daniels, da Estrada de Ferro 
Central de Nova York, pedindo o preço para cem mil exemplares do artigo sob 
forma de folheto, com anúncios da estrada de ferro no verso. Pedia também que 
indicasse o prazo de entrega. 

Respondi indicando o preço, e acrescentando que podia entregar os folhetos dali 
a dois anos. Dispúnhamos de facilidades restritas e cem mil folhetos 
afigurava-se um empreendimento de monta. 

O resultado foi que autorizei o Sr. Daniels a reproduzir o artigo conforme lhe 
aprouvesse. Fê-lo em forma de folhetos e distribuiu-os em tal profusão que duas 
ou três edições de meio milhão se esgotaram rapidamente. Além disso, o artigo 
foi reproduzido em mais de duzentas revistas e jornais e tem sido traduzido, 
por assim dizer, em todas as línguas faladas. 

Quando o Sr. Daniels estava fazendo a distribuição da "Mensagem a Garcia", o 
príncipe Hilakoff, diretor das Estradas de Ferro Russas, encontrava-se nos EUA: 
era hóspede da Estrada de Ferro Central de Nova York, percorrendo o país em 
companhia do Sr. Daniels. 

O príncipe viu o folheto e por ele se interessou. Mais pelo fato de ser o 
próprio Sr. Daniels que o estava distribuindo em tão grande quantidade, que 
qualquer outro motivo. 

Quando o príncipe regressou a sua pátria mandou traduzir o folheto para o russo 
e entregar um exemplar a cada empregado da Estrada de Ferro da Rússia. Em pouco 
tempo foi imitado por outros países: da Rússia o artigo passou para a Alemanha, 
França, Turquia, Indostão e China. 
  
Durante a guerra entre a Rússia e o Japão, foi entregue um exemplar de 
"Mensagem a Garcia" a cada soldado russo que se destinava ao "front". 

Os japoneses, ao encontrarem os livrinhos em poder dos prisioneiros russos, 
chegaram à conclusão que havia de ser uma informação valiosa e não tardaram em 
vertê-lo para o japonês. Por ordem do Micado foi distribuído um exemplar a cada 
empregado civil ou militar, do governo japonês. 

Mais de cem milhões de exemplares foram impressos, o que é sem dúvida a maior 
circulação jamais atingida por qualquer trabalho literário durante a vida do 
autor, graças a uma série de circunstâncias felizes.

East Aurora, 01 de dezembro de 1913
Helbert Hubbard

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MENSAGEM A GARCIA
- por Helbert Hubbard
  
Em todo este caso cubano um homem se destaca no horizonte de minha memória.
Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os EUA, o que importava a estes era 
comunicar-se com o chefe dos insurretos, Garcia, que sabiam se encontrar em 
alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse dizer 
exatamente onde. 

Era impossível um entendimento com ele pelo correio ou pelo telégrafo. No 
entanto, o Presidente precisava-lhe da colaboração o mais rapidamente possível. 
Que fazer?

Alguém lembrou:
- Há um homem chamado Rowan, e se alguma pessoa é capaz de encontrar Garcia, há 
de ser Rowan. 

Rowan foi trazido à presença do Presidente, que lhe confiou uma carta com a 
incumbência de entregá-la a Garcia. 

De como Rowan tomou a carta, meteu-a num invólucro impermeável, amarrou-a ao 
peito, e após quatro dias saltou de um barco sem sequer uma cobertura, alta 
noite, nas costas de Cuba; de como se embrenhou no sertão para depois de três 
semanas surgir do outro lado da ilha, tendo atravessado a pé um país hostil e 
entregue a carta a Garcia, são coisas que não vem ao caso narrar aqui 
pormenorizadamente. 

O ponto que desejo frisar é este: MacKinley, o Presidente, deu a Rowan uma 
carta para ser entregue a Garcia. Rowan tomou a carta e nem sequer perguntou 
onde Garcia estava: entregou-a. 

Salve! Eis aí um homem cujo busto merecia ser fundido em bronze e sua estátua 
colocada em cada escola. 

Não é somente de sabedoria livresca que a juventude precisa, nem somente de 
instrução sobre isto ou aquilo: precisa sim de um endurecimento das vértebras, 
para poder mostrar-se altiva no exercício de um cargo; para atuar com 
diligência, para dar conta do recado; para, em suma, levar uma mensagem a 
Garcia. 

A nenhum homem que se tenha empenhado em levar avante uma grande tarefa em que 
a ajuda de muitos se torna necessária, têm sido poupados momentos de verdadeiro 
desespero ante a imbecilidade de um grande número de homens, ante a inabilidade 
ou a falta de disposição de concentrar a mente numa determinada coisa e 
fazê-la. 

A regra geral tem sido: assistência irregular, desatenção tola, indiferença 
irritante e trabalho mal feito. 

Ninguém pode ser verdadeiramente bem sucedido, salvo se lançar mão de todos os 
meios ao seu alcance para fazer com que outros homens o auxiliem, a não ser que 
Deus, na sua grande misericórdia, faça um milagre, enviando-lhe como auxiliar 
um anjo de luz. 

Tu mesmo podes tirar a prova. Chame um dos seus empregados e peça:
- Queira ter a bondade de consultar a enciclopédia e fazer uma descrição 
resumida de Corrégio. 

Dar-se-á o caso de o empregado dizer calmamente: sim senhor, e executar o que 
pediste?
Nada disso! Olhar-te-á admirado para fazer uma ou algumas das seguintes 
perguntas:
- Quem é ele?
- Que enciclopédia?
- Onde é que está a enciclopédia?
- Fui eu acaso contratado para fazer isso?
- E se o Carlos o fizesse?
- Já morreu?
- Precisa disso com urgência?
- Não quer que traga o livro para que o senhor mesmo procure?
- Para que quer saber disso? 

E aposto dez contra um que, depois de teres respondido tais perguntas, 
explicando a maneira de procurar os dados pedidos e a razão por que deles 
precisas, teu empregado irá pedir a um companheiro que o ajude a encontrar 
Corrégio, e depois voltará para te dizer que tal homem não existe. 

Evidentemente pode ser que eu perca a aposta, mas segundo a regra e a conduta 
geral, aposto que não. 

A dificuldade de expediente, a incapacidade moral, a fraqueza de vontade, a 
falta de disposição de se pôr em campo e agir, são causas que impedem o advento 
do progresso e da felicidade. Se o homem não toma a iniciativa de agir em seu 
próprio proveito, nada fará se o resultado do seu esforço redundar em benefício 
de todos. Por enquanto parece que o homem ainda precisa ser dirigido. 

O que mantém muito empregado no seu posto e o faz trabalhar é o medo de, se não 
o fizer, ser despedido no fim do mês. 

Anuncie precisar de um taquígrafo: nove entre dez candidatos à vaga não saberão 
ortografar nem pontuar e, o que é mais grave, pensam não ser necessário sabê-lo.

Poderão pessoas assim entregar uma carta para Garcia? 

- Vê aquele burocrata ? Dizia-me o chefe de uma grande fábrica.
- Sim, o que tem? 
- É um excelente burocrata. Contudo, se eu o mandasse dar um recado, talvez se 
desobrigasse da incumbência a contento, mas, podia ser que no caminho entrasse 
em duas ou três casas de bebidas e, quando chegasse ao seu destino, já não se 
recordasse sequer da tarefa que lhe fora dada.

Será possível confiar-se a tal homem uma carta para ser entregue a Garcia? 

Ultimamente temos ouvido expressões sentimentais, demonstrando simpatia para 
com os pobres entes que lutam de sol a sol, para com os infelizes desempregados 
à cata do trabalho honesto, e tudo isso, quase sempre, entremeado de muita 
palavra dura para com os homens que estão no poder. 

Nada se diz do patrão que envelhece antes do tempo, num esforço inútil para 
induzir eternos desgostosos e descontentes a trabalharem conscienciosamente. 
Nada se diz de sua longa e paciente procura de pessoas, que, muitas vezes, nada 
mais fazem do que matar o tempo logo que ele volta às costas. 

Não há empresa que não esteja despedindo pessoal que se mostre incapaz de zelar 
pelos seus próprios interesses, a fim de substituí-lo por outro mais apto. Este 
processo de seleção está se operando incessantemente e, quando os tempos são 
maus e o trabalho escasseia, a seleção se faz mais meticulosa, pondo-se fora, 
para sempre, os incompetentes e os inaproveitáveis. 

É a lei da sobrevivência do mais capacitado. Cada patrão, no interesse comum, 
trata somente de guardar os melhores. Aqueles que podem levar a "Mensagem a 
Garcia". 

Conheci um homem de aptidões brilhantes, mas sem a fibra necessária para 
dirigir um negócio próprio, e que ainda se tornou completamente nulo para o 
patrão, devido a suspeita que constantemente abrigava de que estava sendo 
explorado: sem poder mandar em alguém, não tolerava que alguém mandasse nele. 
Se lhe fosse confiada uma mensagem a Garcia, retrucaria, provavelmente: leve-a 
você mesmo. 

Hoje esse homem perambula pelas ruas em busca de trabalho, em estado quase de 
miséria. Ninguém que o conhece se aventura a lhe dar trabalho, porque é a 
personificação do descontentamento e do espírito de discórdia. 

Sei, não resta dúvida, que um indivíduo moralmente aleijado como este não é 
menos digno de compaixão, mas, vertamos também uma lágrima pelos homens que se 
esforçam por levar avante uma grande empresa, cujas horas de trabalho não estão 
limitadas pelo som do apito e cujos cabelos ficam muito cedo envelhecidos na 
incessante luta em que estão empenhados contra a indiferença desdenhosa, contra 
a imbecilidade crassa e a ingratidão atroz, justamente daqueles que sem seu 
espírito empreendedor, poderiam andar famintos e sem lar. 

Dar-se-á o caso de eu ter pintado a situação em cores demasiado carregadas?

Pode ser que sim; mas quando todo mundo se prende a divagações, quero lançar 
uma palavra de simpatia ao homem que dá êxito a um empreendimento, ao homem 
que, a despeito de uma porção de empecilhos, sabe dirigir e coordenar os 
esforços de outros e que, após o triunfo, talvez verifique que nada ganhou. 
Nada, salvo a sua simples subsistência. 

Carreguei marmitas e trabalhei como jardineiro, como também já fui patrão. Sei, 
portanto, que alguma coisa se pode dizer de ambos os lados. 

Não há excelência na pobreza em si mesma; farrapos não servem de recomendação.
Nem todos o patrões são gananciosos e tiranos, da mesma forma que nem todos os 
pobres são virtuosos. 

Todas as minhas simpatias pertencem ao homem que trabalha quer o patrão esteja, 
quer não, e ao homem que, ao lhe ser confiada uma carta para Garcia, 
tranqüilamente toma a missiva, sem fazer perguntas idiotas, sem a intenção 
oculta de jogá-la na primeira sarjeta que encontrar, ou praticar qualquer outro 
gesto que não seja entregá-la ao destinatário

Este homem nunca fica encostado, nem tem que se declarar em greve para forçar 
um aumento de ordenado. 

A civilização busca ansiosa por homens nestas condições. Tudo que tal homem 
pedir conceder-se-á. Precisa-se dele em cada cidade, em cada vila, em cada 
lugarejo, em cada escritório, em cada oficina, em cada loja, fábrica ou venda.
O grito do mundo inteiro, praticamente, se resume nisso:
 
"Precisa-se e precisa-se com urgência, de um homem capaz de levar uma mensagem 
a Garcia".

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- c.a.t.
  http://catalisando.com
Meus agradecimentos ao amigo Milton Naranjo.

- c.a.t.

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