Recebi do a.c. e repasso por achar ducaraco a resposta dada.

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- c.a.t.
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----- Original Message ----- 
From: Antonio Carlos 
To: Carlos Alberto Teixeira 
Sent: Wednesday, August 29, 2007 7:28 PM
Subject: Fw: Carta aberta para Renato Aragão


Repássando

----- Original Message ----- 
From: Luiz Carlos Dias 

      Vamos parabenizar a Viviana. Ela merece.

      De: Viviana de Magalhaes
      Data: 29/8/2007 10:58:15
      Para: [EMAIL PROTECTED]
      Assunto: Carta aberta para Renato Aragão


           Quinta, 23 de agosto de 2007. 
           
            Querido Didi, 
            Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal 
para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas 
crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do 
lápis e das etiquetas com meu nome para colar nas correspondências). 

            Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas à mim. Agora, 
novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas 
solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e 
te escrever uma resposta. 

            Não foi por "algum" motivo que não fiz a doação em dinheiro 
solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua 
campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre 
esses motivos). Você diz, em sua última carta, que enquanto eu a estivesse 
lendo, uma criança estaria perdendo
      a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua 
formação. 

            Didi, não tente me fazer sentir culpada. Essa jogada publicitária 
eu conheço muito bem. Esse tipo de texto apelativo pode funcionar com muitas 
pessoas mas, comigo não. Eu não sou ministra da educação, não ordeno as 
despesas das escolas e nem posso obrigar o filho do vizinho a freqüentar as 
salas de aula. A minha parte eu já venho fazendo desde os 11 anos quando 
comecei a trabalhar na roça para ajudar meus pais no sustento da família. 
Trabalhei muito e, te garanto, trabalho não mata ninguém. Estudei na escola da 
zona rural, fiz supletivo, estudei à distância e muito antes de ser jornalista 
e publicitária eu já era uma micro empresária. 
      Didi, talvez você não tenha noção do quanto o Governo Federal tira do 
nosso suor para manter a saúde, a educação, a segurança e tudo o mais que o 
povo brasileiro precisa. Os impostos são muito altos! Sem falar dos impostos 
embutidos em cada alimento, em cada produto que preciso comprar para minha 
família. 

            Eu já pago pela educação duas vezes: pago pela educação na escola 
pública, através dos impostos, e na escola particular, mensalmente, porque a 
escola pública não atende com o ensino de qualidade que, acredito, meus dois 
filhos merecem. Não acho louvável recorrer à sociedade para resolver um 
problema que nem deveria
      existir pelo volume de dinheiro arrecadado em nome da educação e de 
tantos outros problemas sociais. O que está  acontecendo, meu caro Didi, é que 
os administradores, dessa dinheirama toda, não tem a educação como prioridade. 
O dinheiro está saindo pelo ralo, estão jogando fora, ou aplicando muito mal. 
Para você ter uma idéia, na minha cidade, cada alimentação de um presidiário 
custa para os cofres públicos R$ 3,82 (três reais e oitenta e dois centavos) 
enquanto que a merenda de uma criança na escola pública custa R$ 0,20 (vinte 
centavos)! O governo precisa rever suas prioridades, você não concorda? 

            Você diz em sua carta que não dá para aceitar que um brasileiro se 
torne adulto sem compreender um texto simples ou conseguir fazer uma conta de 
matemática. Concordo com você. É por isso que sua carta não deveria ser 
endereçada à minha pessoa. Deveria se endereçada ao Presidente da República. 
Ele é "o cara". Ele tem a chave do cofre. Eu e mais milhares de pessoas só 
colocamos o dinheiro lá para que ele faça o que for necessário para melhorar a 
qualidade de vida das pessoas. 

            No último parágrafo da sua carta, mais uma vez, você joga a 
responsabilidade para cima de mim dizendo que as crianças precisam da "minha" 
doação, que a "minha" doação faz toda a diferença. Lamento discordar de você 
Didi. Com o valor da doação mínima, de R$ 15,00, eu posso comprar 12 quilos de 
arroz para alimentar minha família por um mês ou posso comprar pão para o café 
da manhã por 10 dias. 

            Didi, você pode até me chamar de muquirana, não me importo, mas R$ 
15,00 eu não vou doar. Minha doação mensal já é muito grande. Se você não sabe, 
eu faço doações mensais de 27,5% de tudo o que ganho e posso te garantir que 
essa grana, se ficasse comigo, seria muito melhor aplicada na qualidade de vida 
da minha família.
      Você sabia que para pagar os impostos eu tenho que dizer não para quase 
tudo que meus filhos querem ou precisam? Meu filho de 12 anos quer praticar 
tênis e eu não posso pagar as aulas que são caras demais para nosso padrão de 
vida. Você acha isso justo? Acredito que não. Você é um homem de bom senso e 
saberá entender os 
      meus motivos para não colaborar com sua campanha pela educação 
brasileira. 

            Outra coisa Didi, mande uma carta para o Presidente pedindo para 
ele selecionar melhor os professores. Só escolher quem de fato tem vocação para 
o ensino. Melhorar os salários, desses profissionais, também funciona para que 
eles tomem gosto pela profissão e vistam, de fato, a camisa da educação. Peça 
para ele, também, fazer escolas de horário integral, escolas em que as crianças 
possam além de ler, escrever e fazer contas, possam desenvolver dons 
artísticos, esportivos e habilidades profissionais. Dinheiro para isso tem sim! 
Diga para ele priorizar a educação e utilizar melhor os recursos. 

            Bem, você assina suas cartas com o pomposo título de Embaixador 
Especial do Unicef para Crianças  Brasileiras e eu vou me despedindo 
assinando... 

            Eliane Sinhasique - Mantenedora Principal dos Dois Filhos que Pari 
            P.S.: Não me mande outra carta pedindo dinheiro. Se você mandar, 
serei obrigada a ser mal educada: vou rasgá-la antes de abrir. 
           

       










     
            
     

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