Analfabetismo incentiva desgoverno 
 
- por Josué Maranhão ( http://ultimainstancia.uol.com.br/curriculos/?idAutor=18 
)

BOSTON – São alarmantes os números revelados em uma pesquisa promovida pela 
Universidade Federal Fluminense, que serviu de base para o livro "A cabeça do 
brasileiro", de autoria do sociólogo Alberto Carlos Almeida.

Afora outros aspectos - que os especialistas certamente analisarão - é 
preocupante constatar, como leigo, que o baixíssimo nível de escolaridade na 
nação brasileira pode perfeitamente explicar as inversões de valores e a falta 
de ética e moral que se observa na atualidade no Brasil.

Muito provavelmente um estudo científico poderá concluir que a aceitação da 
corrupção, a impunidade, no mais amplo sentido, bem como de muitos outros 
descalabros que têm ocorrido nos últimos anos, passivamente admitidos pela 
população, são uma decorrência da falta de escolaridade, ou baixa escolaridade.

Não é difícil deduzir, ainda, que os políticos espertos detectaram a situação, 
têm se aproveitado da deficiência calamitosa e, através de diversas formas de 
ações governamentais, deixam evidente que não há a menor preocupação em 
melhorar o nível de escolaridade, ou reduzir o analfabetismo. 

É interessante observar que os números da pesquisa demonstram que a parcela da 
população que foi escolarizada - desde aqueles que concluíram os primeiros anos 
dos cursos básicos, até aqueles que atingiram a formação superior - não foi tão 
contaminada pela deturpação de conceitos quanto aos princípios fundamentais de 
comportamento. Pelo menos, se contágio houve – e não se pode dizer que não 
existiu - não foi tão acentuado.

Alguns números impressionam. Por exemplo, o caso do famoso “jeitinho 
brasileiro”, inclusive quando ocorre através de corrupção, recebe a aprovação 
de 60% dos analfabetos pesquisados. O percentual é reduzido para a metade entre 
aqueles que têm melhor escolaridade. 

A violência policial, a tortura de presos para arrancar confissões, por mais 
condenável que seja entre os povos civilizados, é admitida por 51% dos 
analfabetos, ou semi-alfabetizados. Entre os alfabetizados 86% discordam do 
procedimento. 

A respeito da responsabilidade das pessoas quanto à coisa pública, ou seja, se 
haveria obrigação apenas do Estado, ou também dos cidadãos, entre os 
analfabetos, 80% acham que o problema é exclusivamente do poder público. O 
percentual é de 53% entre aqueles que são alfabetizados. 

Há detalhes nos resultados das pesquisas que pareceriam inadmissíveis. No caso 
da pergunta se é correto um funcionário público receber “presentes” de uma 
empresa, para ajudá-la a vencer uma concorrência e ganhar um contrato com o 
Estado, 80% dos analfabetos disseram “SIM”, enquanto, do lado oposto, 72% dos 
alfabetizados condenam o procedimento, apontado como corrupção. 

Algumas respostas chamam atenção, inclusive, quando revelam qual a noção que 
grande número de pessoas tem a respeito dos seus próprios direitos. Quando foi 
perguntado se os empregados e demais serviçais deveriam usar o elevador social 
de edifícios, quando houvesse permissão dos condôminos, somente 24% dos não 
alfabetizados responderam SIM, enquanto entre os alfabetizados 72% acham que o 
uso é correto. 

Ética e moral, lamentavelmente, parecem não existir. É o que revelam as 
respostas à pergunta se aqueles que são eleitos para funções públicas podem, ou 
não, usar do cargo em proveito próprio. Entre os analfabetos 40% responderam 
SIM. O índice de aprovação vai caindo, à medida que melhora o nível de 
alfabetização. Enquanto 31% daqueles que estudaram até a 4ª série concordam, 
somente 3% dos pesquisados que têm curso superior aprovam o comportamento.

Quanto à pergunta se é correto dar propina para evitar a multa em face de 
alguma infração cometida, 57% dos não alfabetizados acham certo, enquanto que o 
percentual cai para 33% entre os detentores de diplomas de curso superior, o 
que também é alarmante.  
Não foram poucas as ocasiões em que argumentei aqui que a impunidade é a 
responsável pela maior parte dos problemas brasileiros. Agora, a pesquisa traz 
outra revelação. A impunidade existe, em grande parte, em decorrência da falta 
de alfabetização do povo, que desconhece os valores éticos e morais, admitindo 
como corretos procedimentos absolutamente condenáveis. Em tais circunstâncias, 
não há quaisquer interesses ou preocupações de que sejam punidos os criminosos, 
sejam eles de que espécie forem. 

Outra conclusão a que se pode chegar é que o estado de decadência moral em que 
se encontra o Brasil também tem sua raiz no analfabetismo ou semi-alfabetização 
da população. 

O povo tornou-se complacente, amorfo, inerte, não enxerga erro ou crime onde 
eles existem, do que se aproveitam políticos e governantes para atuar no 
atropelo desenfreado dos mais comezinhos princípios, notadamente na prática de 
atos de corrupção, muitas vezes encarados pelo povo como procedimentos normais. 

Aliás, neste ponto, há um detalhe que assombra: por mais errado que esteja o 
governo, a maioria (56%) admite que é correto proibir as emissoras de televisão 
de lhe fazerem críticas. Ai, certamente, está o empurrão que tanto tem levado o 
governo a trilhar o caminho do autoritarismo e da censura aos meios de 
comunicações. Entre os alfabetizados, somente 8% apoiam a censura àqueles que 
criticam o governo.

Não há dúvida que os resultados da pesquisa aqui abordada podem revelar o 
procedimento incorreto do governo. Insistem as autoridades em difundir como 
salvação da pátria o pagamento da “bolsa família”. Até divulgaram, nesta 
semana, gabando-se como se houvessem ajudado o povo pobre, que 28% da população 
brasileira recebem a “bolsa-esmola”, o que corresponde a mais de 45 milhões de 
brasileiros. Entre eles, 22,5% são pessoas ou famílias que vivem no Nordeste.

Não se pode duvidar que os beneficiários da esmola, em sua quase totalidade, 
são analfabetos ou somente semi-alfabetizados. Enquadram-se, portanto, entre 
aqueles que, conforme a pesquisa, aprovam e admitem absurdos, inclusive aqueles 
que os prejudicam. 

No entanto, com barriga cheia, como diz o governo, aprovam tudo que se faça no 
país. Isto explica porque não há qualquer interesse governamental em eliminar, 
ou pelo menos reduzir o analfabetismo. 

Obviamente, se ao contrário de pagar a bolsa esmola, o governo promovesse a 
alfabetização e desse condições de trabalho aos pobres e miseráveis, estaria 
formando uma nação que, com toda certeza, passaria a exigir o respeito aos 
básicos princípios éticos e morais. 

Sexta-feira, 24 de agosto de 2007 

Visite o blog do Josué - REATIVADO http://www.josuemaranhao.com.br/

---

Fonte: 

   http://ultimainstancia.uol.com.br/colunas/ler_noticia.php?idNoticia=41400 



--

- c.a.t.
  http://catalisando.com



Ótimo dia pra você.

<*> Para assinar a lista onde se comenta:
     [EMAIL PROTECTED]

<*> Para enviar um comentário:
     [EMAIL PROTECTED]
 
Yahoo! Groups Links

<*> To visit your group on the web, go to:
    http://groups.yahoo.com/group/goldenlist/

<*> Your email settings:
    Individual Email | Traditional

<*> To change settings online go to:
    http://groups.yahoo.com/group/goldenlist/join
    (Yahoo! ID required)

<*> To change settings via email:
    mailto:[EMAIL PROTECTED] 
    mailto:[EMAIL PROTECTED]

<*> To unsubscribe from this group, send an email to:
    [EMAIL PROTECTED]

<*> Your use of Yahoo! Groups is subject to:
    http://docs.yahoo.com/info/terms/
 

Responder a