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----- Original Message ----- 
From: Helô Lima 
To: Carlos Alberto Teixeira 
Sent: Monday, November 19, 2007 10:42 PM
Subject: Re: [gl] << Visão oposta >> era... << Vexame >> era... Fw: CAT..é ou 
não de corar, meu friendo! abs


Publicado em 19 de novembro de 2007

O escritor e jornalista Jon Lee Anderson decidiu perder o precioso tempo dele 
com questões "menores". Acho que ele está assustado com o nível do "jornalismo" 
brasileiro, da mesma forma que eu e você (?) estamos. O cara não é comunista, 
não come criancinha e é repórter da revista capitalista New Yorker. Endereçou a 
carta ao editor internacional de Veja:

"Prezado Diogo Schelp:

Agradeço pela sua 'gentil' resposta. (Soube que você é de fato uma pessoa muito 
'gentileza'; você mesmo o disse duas vezes em suas mensagens.) Só agora 
percebo, o mal-entendido entre nós nasceu exclusivamente por conta de meu 
caráter profundamente falho.

Eu jamais deveria ter presumido que você recebera meu email inicial em resposta 
ao seu ou minha segunda mensagem a respeito de sua reportagem, muito menos 
deveria ter considerado que você pudesse ter decidido ignorá-los. É evidente 
que você tem um sistema de bloqueio de spams muito rigoroso.

Uma dica técnica: talvez devesse configurar seus sistema como 'moderado' e não 
'extremo'. Se o fizer, talvez comece a receber seus emails sem quaisquer 
problemas. Lembre-se, Diogo: moderado, não 'extremo'. Esta é a chave. Você me 
acusa de ser antiético, um 'mau jornalista'. Questiona até se posso ser chamado 
de jornalista. Nossa, você TEM raiva, não tem?

Enquanto tento parar as gargalhadas, me permita dizer que, vindo de você, é 
elogio. Permita, também, recapitular por um momento a metodologia utilizada por 
você para distorcer as informações que o público de Veja recebeu: Você publicou 
na capa e na reportagem uma grande quantidade de fotografias de Che, 
aproveitando-se assim da popularidade da imagem de Guevara para vender mais 
cópias de sua revista.

Para preencher seu texto, você pinçou uma certa quantidade de referências 
previamente escritas sobre ele – incluindo a minha – para sustentar sua tese 
particular, qual seja, a de que o heroismo de Che não passa de uma construção 
marxista, como sugere seu título: 'Che, a farsa do herói'. Para chegar a uma 
conclusão assim arrasa-quarteirão, você também entrevistou, pelas minhas 
contas, sete pessoas. Uma delas era um antigo oponente de Che dos tempos da 
Bolívia.

As outras seis, exilados cubanos anti-castristas, incluindo ex-prisioneiros 
políticos e veteranos de várias campanhas paramilitares para derrubar Fidel. 
(Um destes, o professor Jaime Suchlicki, você não informou a seus leitores, é 
pago pelo governo dos EUA para dirigir o assim chamado Projeto de Transição 
Cubana.) Percebi também que você prestou particular atenção no testemunho de 
Felix Rodriguez, ex-agente da CIA responsável pela operação que culminou na 
execução de Che.

O fato de que você o destaca quer dizer que você o considera sua melhor 
testemunha? Ou terá sido porque ele foi o único que algum repórter realmente 
entrevistou pessoalmente? Os outros, parece, Veja só falou com eles por 
telefone. Mas como são rigorosos os critérios de reportagem de Veja! Como disse 
em minha 'carta aberta' a você, escrever uma reportagem deste tipo usando este 
tipo de fonte é o equivalente a escrever um perfil de George W. Bush citando 
Mahmoud Ahmadinejad e Hugo Chávez.

Em outras palavras, não é algo que deva ser levado a sério. É um exercício 
curioso, dá para fazer piada, mas NÃO é jornalismo. Dizer a seus leitores, como 
você diz na abertura da reportagem, que 'Veja conversou com historiadores, 
biógrafos, ex-companheiros de Che no governo cubano' passa a impressão de que 
você de fato fez o dever de casa, que estava oferecendo aos leitores um 
trabalho jornalístico bem apurado, que apresentaria algo novo.

Infelizmente, a maior parte do que você escreveu é mera propaganda, um 
requentado de coisas que vêm sendo ditas e reditas, sem muitas provas, pela 
turma de oposição a Fidel em Miami nos últimos quarenta e tantos anos. Minha 
questão não é política. Escrevi um livro, como você mesmo disse, que é 'a mais 
completa biografia' de Che.

Há muito lá que pode ser utilizado para criticar Che, mas também há muitos 
aspectos a respeito de sua vida e personalidade que muitos consideram 
admiráveis. Em outras palavras, é um retrato por inteiro. Como sempre disse, 
escrevi a biografia para servir de antídoto aos inúmeros exercícios de 
propaganda que soterraram o verdadeiro Che numa pilha de hagiografias e 
demonizaçoes, caso de seu texto. Não cometa o erro de me acusar de defender Che 
porque critico você. Serei claro: a questão aqui não é Che, é a qualidade do 
seu jornalismo.

Sua reportagem, no fim das contas, é simplesmente ruim e me choca vê-la nas 
páginas de uma revista louvável como Veja. Seus leitores merecem mais do que 
isso e, se aparecerei ou não novamente nas páginas da revista enquanto você 
estiver por aí, não me preocupa. O que PREOCUPA é que, com tantos jornalistas 
brilhantes como há no Brasil, foi a você que Veja escolheu para ser 'editor de 
internacional'.

Cordialmente,

Jon Lee Anderson."

Publicado em 19 de novembro de 2007

Leia aqui o primeiro texto sobre a polêmica.

Acrescentado em 19 de novembro de 2007



http://viomundo.globo.com/site.php?nome=VoceEscreve&edicao=1514

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