Recebi do Otto e repasso, pois me pôs a pensar.

- c.a.t.

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Sunday, December 16, 2007
  
Um Século de Hipocrisia

Rodrigo Constantino

“É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de 
esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas 
que só o capitalismo sabe dar - bons cachês em moeda forte; ausência de censura 
e consumismo burguês. Trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a 
Coca-Cola...” (Roberto Campos)

O arquiteto Oscar Niemeyer completou um século de vida sob grande reverência da 
mídia. Ele foi tratado como “gênio” e um “orgulho nacional”, respeitado no 
mundo todo. Não vem ao caso julgar suas obras em si, em primeiro lugar porque 
não sou arquiteto e não seria capaz de fazer uma análise técnica, e em segundo 
lugar porque isso é irrelevante para o que pretendo aqui tratar. Entendo 
perfeitamente que podemos separar as obras do seu autor, e julgá-los 
independentemente. Alguém pode detestar a pessoa em si, mas respeitar seu 
trabalho. O problema é que vejo justamente uma grande confusão no caso de 
Niemeyer e tantos outros “artistas e intelectuais”. O que acaba sendo admirado, 
quando não idolatrado, é a própria pessoa. E, enquanto figura humana, não há 
nada admirável num sujeito que defendeu o comunismo a vida inteira.

Niemeyer, sejamos bem francos, não passa de um hipócrita. Seus inúmeros 
trabalhos realizados para governos, principalmente o de JK, lhe renderam uma 
bela fortuna. O arquiteto mamou e muito nas tetas estatais, tornando-se um 
homem bem rico. No entanto, ele insiste em pregar, da boca para fora, o regime 
comunista, a “igualdade” material entre todos. Não consta nas minhas 
informações que ele tenha doado sua fortuna para os pobres. Enquanto isso, o 
capitalista “egoísta” Bill Gates já doou vários bilhões à caridade. Além disso, 
a “igualdade” pregada por Niemeyer é aquela existente em Cuba, cuja ditadura 
cruel o arquiteto até hoje defende. Gostaria de entender como alguém que 
defende Fidel Castro, o maior genocida da América Latina, pode ser uma figura 
respeitável enquanto ser humano. São coisas completamente contraditórias e 
impossíveis de se conciliar. Mostre-me alguém que admira Fidel Castro e eu lhe 
garanto se tratar ou de um perfeito idiota ou de um grande safado. E vamos 
combinar que a ignorância é cada vez menos possível como desculpa para defender 
algo tão nefasto como o regime cubano, restando apenas a opção da falta de 
caráter mesmo. Ainda mais no caso de Niemeyer.

Na prática, Niemeyer é um capitalista, não um comunista. Mas um capitalista da 
pior espécie: o que usa a retórica socialista para enganar os otários. Sua 
festa do centenário ocorreu em São Conrado, bairro de luxo no Rio, para 400 
convidados. Bem ao lado, vivem os milhares de favelados da Rocinha. Artistas de 
esquerda são assim mesmo: adoram os pobres, de preferência bem longe. Outro 
aclamado artista socialista é Chico Buarque, mais um que admira Cuba bem de 
longe, de sua mansão. E cobra caro em seus shows, mantendo os pobres bem 
afastados de seus eventos. A definição de socialista feita por Roberto Campos 
nos remete diretamente a estes artistas: “No meu dicionário, ‘socialista’ é o 
cara que alardeia intenções e dispensa resultados, adora ser generoso com o 
dinheiro alheio, e prega igualdade social, mas se considera mais igual que os 
outros”.

Aquelas pessoas que realmente são admiráveis, como tantos empresários que criam 
riqueza através de inovações que beneficiam as massas, acabam vítima da inveja 
esquerdista. O sujeito que ficou rico porque montou um negócio, gerou empregos 
e criou valor para o mercado, reconhecido através de trocas voluntárias, é 
tachado de “egoísta”, “insensível” ou mesmo “explorador” por aqueles mordidos 
pela mosca marxista. Mas quando o ricaço é algum hipócrita que prega aos quatro 
ventos as “maravilhas” do socialismo, vivendo no maior luxo que apenas o 
capitalismo pode propiciar, então ele é ovacionado por uma legião de perfeitos 
idiotas, de preferência se boa parte de sua fortuna for fruto de relações 
simbióticas com o governo. Em resumo, os esquerdistas costumam invejar aquele 
que deveria ser admirado, e admirar aquele que deveria ser execrado. É muita 
inversão de valores!

Recentemente, mais três cubanos fugiram da ilha-presídio de Fidel Castro. Eles 
eram artistas, como o cantor Chico Buarque, por exemplo. Aproveitaram a 
oportunidade e abandonaram o “paraíso” comunista, que faz até o Brasil parecer 
um lugar decente. Eu gostaria de aproveitar a ocasião para fazer uma proposta: 
trocar esses três “fugitivos” que buscam a liberdade por Oscar Niemeyer, Chico 
Buarque e Luiz Fernando Verissimo, três adorados artistas brasileiros, 
defensores do modelo cubano. Claro que não seria uma troca compulsória, pois 
estas coisas autoritárias eu deixo com os comunistas, que abominam a liberdade 
individual. A proposta é uma sugestão, na verdade. Acho que esses três 
comunistas mostrariam ao mundo que colocam suas ações onde estão suas palavras, 
provando que realmente admiram Cuba. Verissimo recentemente chegou a escrever 
um artigo defendendo Zapata e Che Guevara. Não seria maravilhoso ele demonstrar 
a todos como de fato adora o resultado dos ideais dessas pitorescas figuras?

Enfim, Niemeyer completa cem anos de vida. Um centenário defendendo 
atrocidades, com incrível incapacidade de mudar as crenças diante dos fatos. O 
que alguém como Niemeyer tem para ser admirado, enquanto pessoa? Os “heróis” 
dos brasileiros me dão calafrios! Eu só lamento, nessas horas, não acreditar em 
inferno. Creio que nada seria mais justo para um Niemeyer quando batesse as 
botas do que ter de viver eternamente num lugar como Cuba, a visão perfeita de 
um inferno, muito mais que a de Dante. E claro, sem ser amigo do diabo, pois 
uma coisa é viver em Cuba fazendo parte da nomenklatura de Fidel, com direito a 
casas luxuosas e Mercedes na garagem, e outra completamente diferente é ser um 
pobre coitado qualquer lá. Acredito que esse seria um castigo merecido para 
este defensor de Cuba, que completa um século de hipocrisia sendo idolatrado 
pelos idiotas. 

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From: Otto [EMAIL PROTECTED]
To: Undisclosed-Recipient:; 
Sent: Friday, December 21, 2007 11:48 PM
Subject: Niemeyer


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