----- Original Message -----
Sent: Sunday, October
02, 2005 8:25 AM
Subject: RES: RES:
[infoetc] Referendo sobre o comércio de armas de fogo...
Prezado Poubel,
Congratulo-me pelo seu bom senso.
Democracia é isso: a manifestação plena de nossa liberdade de escolha e de
nossa responsabilidade por ela. Ao caro amigo Portella, congratulo-me também
pela honestidade de suas opiniões, pois isso também é a manifestação da
democracia. Não quero levantar o bastião de nada por aqui, mas não posso me
furtar a dizer o que penso a respeito. Em função disto proponho um raciocínio:
Imaginemos que qualquer um de nós tenha a
sua casa invadida, por marginais armados com armas não legalizadas, após o
referendo aprovar e tornar lei a proibição do comércio legalizado de armas no
país. Nesta condição, se não possuíamos armas, não podemos mais comprá-las, e
se possuíamos, não podemos mais municiá-las, pois isso também estará proibido.
Não obstante esta questão, vamos pressupor que não tenhamos armas em nossa
posse legalizadas ou não. Prosseguindo com o raciocínio, vamos supor que um de
nós tenha uma reação e consiga desarmar os bandidos (ou o bandido) e na luta,
no instinto natural de batalha (que sempre aflora dentro de todo ser humano,
porque por mais racionais que sejamos, nosso instinto de auto-preservação
sempre fala mais alto), no calor do momento, o bandido seja morto com a própria
arma. Haverá o conceito de legítima defesa? Como qualquer um de nós vai poder
provar que a arma não era nossa (armas de bandidos não são registradas, não são
compradas legalmente...)? Como se poderá provar (ainda que com testemunhas,
apesar de que neste caso a prova testemunhal possa ser contaminada pelos
vínculos existentes, como amizade e/ou grau de parentesco) que houve uma reação
da qual um de nós tenha levado a melhor, desarmado o bandido e por instinto de
auto-proteção se defendido dando cabo do meliante?
Agora vamos supor o inverso. Beneficiado
pela situação reconhecida de que o cidadão não tenha instintos violentos ou os
suprima em função da premissa acima (e nesse caso, o bandido não precisa ser um
gênio jurista para saber... a psicologia do crime é tão simplificada, que um
marginal é capaz de sentir pelo suor de uma pessoa o quanto ela está
literalmente se borrando de medo) o bandido resolve se aproveitar da situação e
inflija ainda mais violência ao seu assalto. Suponhamos que tenha a vítima,
esposa e filhos menores... O que impedirá esse meliante de tomar atitudes
bárbaras contra essas pessoas, auxiliado por uma lei, aprovada por nós mesmos,
que nos impede de nos protegermos?
Espero que meu exercício de raciocínio
aqui e agora acordem as pessoas do torpor no qual elas estão inertes... Não é
tratando bandido a pão-de-ló que se combate a violência. Não é detonando o
comércio legalizado de armas que se combate a violência. O cidadão de bem não
busca a violência. Meu pai sempre teve armas e nunca as usou em vão. Hoje, já
com idade e bom senso, ele optou por não ter mais. Mas nem por isso ele está a
favor desse referendo imbecil. Porque não se propõem um referendo buscando
questões como as citadas abaixo:
1)
Deve o estado reformular
os seus órgãos públicos de segurança?
2)
Deve o estado agir com
firmeza impedindo que pessoas com origens suspeitas se tornem agentes de
segurança pública?
3)
Deve o estado punir os
agentes de segurança pública (policiais, detetives, agentes penitenciários,
etc) com o máximo rigor em caso de corrupção?
4)
Deve se entender por
máximo rigor, prisão perpétua inafiançável e inapelável ou execução pública
(pena de morte)?
5)
Deve o estado sentenciar
todos os presos (sem exceção) a trabalhos forçados como forma de pagar pelas
suas penas?
Ou ainda, devemos nós mesmos nos
questionar se:
1)
O povo deve continuar a
ver os seus impostos pagando policiais, deputados, senadores, governantes e
juristas corruptos?
2)
O povo deve continuar a
ver os seus impostos sustentarem a marginais sem que eles façam por onde
merecer esse sustento?
3)
O povo deve continuar
pagando impostos e taxas enquanto favelados são desobrigados disto (lembrem-se
que o tráfico está nas favelas)?
4)
Até quando o povo vai
continuar a ver as coisas serem decididas da forma errada sem fazer nada?
Gente está na hora de se pensar... Não
custa nada... Chega de depender do Estado, o Estado somos nós! Sejamos uma
nação unida e sensata. Se queremos o fim da violência, devemos exigir isto,
através de medidas que tragam justiça social, distribuição de renda, emprego e
educação. Eu sou do tempo em que se ensinava moral e civismo nas escolas. Hoje
esta matéria foi suprimida, sabe-se lá por que razão, embora eu ache que tenha
sido a mais estúpida e ridícula possível... Nas escolas se praticava a forma
unida e todos nós cantávamos o Hino Nacional enquanto se hasteava a bandeira...
A molecada de hoje não sabe nem que temos um hino nacional, só se tem noção
disso quando tem jogo da seleção e o hino é executado... E os jogadores nem
sabem cantá-lo também... É lastimável... Nós criticamos os estadunidenses por
acharem que a capital do Brasil é Buenos Aires, porém a maioria dos nossos
estudantes de agora mal sabem somar 2+2. As escolas públicas estão proibidas de
reprovar alunos incompetentes, como forma de reduzir a evasão escolar... Ta
tudo errado, vamos pensar!
Sds
Roberto Carlos Teixeira
De:
[email protected] [mailto:[EMAIL PROTECTED] Em nome de Walzer Abrahão Poubel
Enviada em: domingo, 2 de outubro
de 2005 05:56
Para: [email protected]
Assunto: Re: RES: [infoetc]
Referendo sobre o comércio de armas de fogo...
É só votar 1 NÃO, para não
incorrer na praxe, porque ao contrário não
vai
ser como normalmente acontece, possível de ser corrigido 4 anos
depois.
Isso praticamente não tem volta.
Viva
a democracia, principalmente porque ela é uma arma poderosa que
proteje
a nossa liberdade, mas o sim nesse caso começa a matar a nossa
liberdade
de escolha. Nada deve ser proibido. Nunca. Eu não posso perder
meu
direito de tomar meu chopp porque tem alcoolatra. Eu sou responsável
por
meus direitos e deveres. Essa é a democracia.
Ricardo
Portela escreveu:
Prezado,
Mas
respeito seu direito de votar NÃO, por isso vamos decidir no voto.
Espero
que não erremos novamente, como já é praxe no Brasil...
E
viva a democracia!
[]´s
Rixcardo
Portella.
--
Abraços
Walzer
Poubel