Como tenho feito em outras ocasiões, compartilho esta
resposta a uma mensagem com outras listas, além da lista
na qual foi gerada a partir de uma pergunta na lista
Designer Gráfico. Acabou ficando tão genérica que mereceu
o crossover.
Quem se interessa pelo design pode participar da DG
enviando seu e-mail para:
[EMAIL PROTECTED]
Respondendo a Rodrigo:
> Qual a diferença e programas dominados por um webdesign e
> um webmaster...
Nem sei se existe uma definição oficial dessa "diferença"
já que ambos os termos são genéricos, mas posso dizer,
seja ela qual, for não se trata de "usar programas" mas
das atribuições de cada um, já que cada profissional
prefere este ou aquele programa.
Eu diria que o webdesigner é o profissional que vai cuidar
dos aspectos relacionados ao layout e interatividade do
site, ou seja, quem vai definir o formato, colocação de
imagens e toda a parte relativa a usabilidade.
Naturalmente não é o que ocorre na prática, onde qualquer
um se presta a fazer este trabalho, mesmo sem ter os
conhecimentos mínimos para tal.
O webmaster já seria o profissional que cuida de todos os
aspectos do site, ou seja, é o administrador geral e
portanto precisa ter conhecimentos em todas as áreas,
embora não tenha, necessáriamente, que ser um expert em
cada uma delas.
Eu colocaria nas necessidades de uma equipe um terceiro
profissional, o webdeveloper, que irá cuidar justamente da
parte técnica, é o escovador de bits que tem que saber
programação e as necessárias interações com o webdesigner.
O ideal seria sempre ter uma equipe com no mínimo estes
três profissionais ... exatamente o que eu tinha quando
trabalhei em cargo comissionado para o governo do estado
do Rio de Janeiro e cuidei do site da Secretaria de
Trabalho:
http://www.setrab.rj.gov.br/
Este endereço não leva ao site que criei, mas sim o que
foi colocado lá quando deixei o cargo, na saída do
Garotinho.
Eu era o webmaster, minha função era atender as
especificações do Secretário de Trabalho, pesquisar o
público alvo, definir as prioridades e conhecer os
recursos disponíveis, já que o site era integrado ao
sistema de dados SINE*.
Tinha como auxiliares diretos duas moças, uma delas
designer, sem formação em WEB, mas que se adaptou muito
bem ao trabalho já que sua função era viabilizar
graficamente as especificações que eu lhe passava.
A outra moça era programadora, também sem especialização
em web, mas que aprendeu muito rapidamente a função de
webdeveloper.
A webdesigner usava basicamente o Photoshop e a própria
internet para pesquisas.
A webdeveloper lidava com diversos programas, sendo o
trabalho final desenvolvido no Dreamweaver, lembro que na
época eu fazia um curso de Dreamweaver e repassava as
aulas a ela.
Já eu lidava com todos estes programas e muitos outros,
tinha que utilizar planilhas, fazer relatórios, preparar
palestras para apresentações públicas e ainda relacionar
todas as pessoas envolvidas no projeto, organizar reuniões
e etc, etc, etc.
Tinha uma secretária também a minha disposição, mas a
mocinha era apenas para enfeite, já que sua ocupação
principal sempre foi jogar paciência, nunca contei com ela
para nada além de fazer telefonemas, era o protótipo de
loira burra e infelizmente funcionária concursada da qual
nunca consegui me livrar.
Além disso, lidava diretamente com os administradores de
rede e com os gerentes dos postos de qualificação (mais de
80) que tinha que visitar um a um para poder entender as
necessidades do trabalhador, já que o site era voltado
para estes.
Nunca usei os termos web-tal ... no meu registro de
trabalho constava "Assessor especial de informática" e no
organograma aparecia como diretor de informática.
As minhas duas funcionárias diretas também eram
contratadas respectivamente como designer e programadora
de computador.
Ou seja, os termos web-qualquer-coisa, são - por enquanto
- apenas uma espécie de nome fantasia, mesmo porque a
realidade de muitos não é a que citei acima. É meu caso,
onde atualmente acumulo todas as funções, não por entender
que não preciso dos outros profissionais, pelo contrário o
resultado dessa experiência foi enriquecedor e o trabalho
final foi aprovado em todos os níveis, comprovando que o
trabalho em equipe rende mais, independente dos nomes que
se dá a cada um.
Mas quero aproveitar esta mensagem para narrar o citado
case em uma visão bem particular, demonstrando quais são
os resultados de uma equipe bem estruturada, salário
adequado e disponibilização de recursos:
O SINE (que marquei anteriormente com asterisco para poder
explicar depois o que era) é um banco de dados mantido
pelo governo federal, nele estão informações de todos os
trabalhadores que procuram em suas cidades os postos de
atendimento ao trabalhador, sejam os mantidos pelo governo
federal, estadual ou municipal.
Paralelamente a este cadastro existe um outro nível de
atuação junto as empresas, cujos RH fornecem as
necessidades empresariais ao governo, a partir de diversos
formatos.
E em conjunto é efetuado um trabalho que envolve os cinco
"S" (Senai, Sesc, Senac, Sesi e Sebrae) e milhares de
empresas particulares que se dedicam a ministrar
capacitação profissional.
Tudo é integrado, mas creio que poucos sabem da existência
deste banco de dados, eu mesmo não sabia quando fui
chamado para tornar seu acesso mais público, mas ele
existe e funciona muito bem.
O ponto é que o secretário de trabalho, que na época era
Jayme W Cardoso, queria este banco de dados disponível na
Internet e após anos tentando fazer isso de várias formas,
acabou me pedindo socorro. Esclareço que o chamado se deu
porque o secretário havia sido meu aluno em aulas de
Computação Gráfica, muitos anos antes e sabia que eu tinha
qualificações para o trabalho.
Inicialmente recusei, pois não gosto de trabalhar para o
governo, não gostava antes e continuo não gostando.
Mas ele insistiu, chamou-me ao seu gabinete, mostrou que
existia tudo isso em jogo e que precisava de alguém para
fazer o trabalho que não fosse ligado as instituições
governamentais, pois estas estavam apenas enrolando.
Fui contratado no final de outubro de 1999 e exatamente no
dia 05/01/2000 o site estava sendo inaugurado, com TUDO
funcionando e acesso direto ao SINE por qualquer um, em
qualquer lugar, via Internet.
A apresentação a imprensa foi antes, ocorreu entre Natal e
Ano Novo e exceto por uma parceria com o jornal O Dia, que
dava bastante destaque ao trabalho foi ignorada por quase
todos os meios de comunicação.
A pergunta mais recorrente de todos que eram contra o
projeto era: "Como o trabalhador desempregado vai acessar
a Internet?" e o secretário tinha a resposta sempre na
ponta da lingua.
O site não era - em principio - apenas para o trabalhador,
mas também para o empregador e ao disponibilizar as
informações para qualquer pessoa simplesmente cada um tem
que se virar para chegar a ela, ninguém é obrigado a ter
um computador para acessar a rede, pode-se pedir a um
amigo, usar uma lan house (se não souber usar chame alguém
que saiba) pedir ao filho pra fazer na escola, enfim,
existem opções, inclusive a função das associações de
trabalhadores é essa, oferecer a seus associados a
inclusão digital.
Outro problema era com relação as empresas que ministram
cursos profissionalizantes para o governo, são muitas e
recebem verbas gigantescas para dar os cursos, mas a
maioria delas mente descaradamente sobre o que realmente
fazem, colocam nomes falsos em seus relatórios, fingem
trabalhar e na maioria dos casos não prestam o serviço e é
muito complicado fiscalizar isso ...
Com o site estes dados passaram a poder ser acessados por
qualquer pessoa, então qualquer jornalista poderia fazer
uma investigação, uma pessoa citada num curso que nunca
fez poderia entrar em contato com a Corregedoria
diretamente pelo site e denunciar a mentira.
E o mais interessante ... qualquer trabalhador poderia
entrar no site, colocar sua profissão, seu endereço e ver
quais ofertas de trabalho estavam disponíveis, isso sem
enfrentar filas imensas e com a informação chegando on
line, sem intermediarios.
Ficou lindo, é um dos trabalhos que mais me orgulho de ter
feito não por ser "bonito" mas por efetivamente permitir
que seja feito o que se espera de um governo.
Curiosamente isso foi feito no governo do Garotinho,
contra o qual tenho reservas particulares, mas que não me
impediram de participar de uma atividade realmente
eficiente em seu governo.
O site causou algumas polêmicas, muitas vozes se
levantaram contra, especialmente a dos pilantras que viam
suas malandragens serem disponibilizadas para conferência
na Internet.
O fato é que no dia seguinte ao Garotinho passar seu
governo para a Benedida o site foi tirado do ar e no lugar
dele entrou a bobagem que lá está até hoje, que nada mais
é do que simples propaganda, nenhum serviço ON LINE está
realmente disponível e o acesso ao SINE voltou a ser
privilégio de uns poucos, o que só posso lamentar.
Caramba ... nem me perguntem como uma pergunta tão simples
virou tudo isso, mas não tenho culpa se meu cérebro faz
tantas associações, de qualquer forma quem leu até aqui é
porque achou interessante, então compartilhar estas
experiências sempre vale a pena.
Grande abraço,
Divino Leitão
Conheça www.minimidia.com.br mais informação em menos espaço.
Pra rir e pensar (não necessariamente nesta ordem)
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