O Brasileiro com todos Nós, tem toda razão do Mundo, só perde por ter votado no 
Sr. Luiz Inácio. ( Ele não sabia... ou melhor não conhecia a Peça)
Abs
JTC

      Do:  interior de um avião da TAM 
      Para:  o Presidente da República 
      Eduardo Antônio Lucho Ferrão 


      Porto Alegre. Aeroporto Salgado Filho. 18 h 30 min. 20.12.2006

      Vôo TAM 8021 Poa-Bsb.

      Estou há cerca de 2 horas dentro de uma aeronave.

      O comandante acaba de avisar que estão suspensas todas as decolagens do 
aeroporto de Porto Alegre.

      Há crianças a bordo. Algumas choram.

      O avião está cheio.

      Alguns passageiros começam a passar mal.

      As comissárias estão escondidas lá no fundo do corredor. Já não atendem 
as chamadas das poltronas.

      Os banheiros exalam um odor fétido.

      Estamos todos absolutamente impotentes. Presos nessa caixola à espera de 
que alguém pare de brincar e "autorize" a decolagem.

      Fico em pé e olho os passageiros. Vejo expressões de desconforto.

      Eta gente acomodada! Passiva. Domesticada.

      A indignação se manifesta e se exaure em resmungos e grunhidos.

      Lembra muito o gado rumando para o próprio abate.

      Ninguém grita. Ninguém perde a paciência. A resignação parece inesgotável.

      Mas, para mim, deu.

      Cheguei no meu limite.

      Começo a sentir asco. Da irresponsabilidade dos controladores. Da 
incompetência patética das autoridades. Deste inacreditável jogo de empurra 
entre Anac, Infraero, Aeronáutica, Ministério disso e daquilo. Dessa omissão 
que me enoja. 

      Afinal, como cidadão e como contribuinte, exijo respeito.

      Pago um monte de impostos todos os meses. Trabalho mais de 16 horas por 
dia. Mantenho dezenas de postos de trabalho.

      Por certo, com o que recolho de tributos, a administração paga o salário 
de diversos servidores públicos, alguns dos quais alegam não ter tempo para me 
receber em audiência. Ou me recebem em pé, de nariz empinado, como se 
estivessem prestando um favor.  Mas, para reuniões sociais, festas, pajelanças 
e rapapés, eles têm todo o tempo do mundo... 

      Perdi a paciência. Com ela foi-se também a parcimônia.

      Não agüento mais.

      Votei no senhor, Presidente. Como o fizeram cerca de 60 milhões de 
brasileiros.

      Acredito na elevação de seus propósitos.

      A legitimidade de seu mandato é inquestionável. A autoridade de seu cargo 
precisa ser exercida. A Constituição permite e a população exige.

      Mas, por favor, exerça.

      Já.

      Dê um basta nesta bagunça.

      Faça o que a Nação espera de seu Presidente.

      Bata na mesa. Demita os incompetentes. Fixe um prazo de 48 horas. Ou 
menos.

      Nada de "grupos de trabalho", de "comissões interministeriais", de 
"nhenhenheim", de lero-lero.

      Essa gente toda já tcve tempo demais e não resolveu nada.

      Tiro do bolso o meu  e-ticket. Está lá: taxa de embarque recolhida. Está 
paga, Presidente. Para onde foi essa grana toda?

      Se alguém quer reivindicar, que reivindique. Que proteste. Que exerça 
seus direitos. Mas, por favor, não "no meu". Na minha paciência. No meu tempo e 
no meu cansaço. 

      Desculpe a linguagem , Presidente.

      Enchi o saco.

      Se algum controlador , se alguém da Anac, da Infraero ou dessa turma 
toda, se algum deles passar por perto, juro que dou um "bife" na orelha.

      Homem ou mulher, não importa, vai levar um bife na orelha, sim.

      P'ra ver como é bom fazer judiaria para os outros.

      Mas, antes disso, faça alguma coisa, Presidente.

      Pelo amor de Deus

      Mande embora toda essa cambada.

      De preferência, aos gritos.

      Solte os cachorros neles.

      Mande o nome deles para o SPC, Faustão, Serasa, Cadin, CPI das 
Ambulâncias e  Conselho de Ética. Com cópia para o Gabeira.

      Deixe a todos sem salário, sem comida e sem água.

      Como eles estão nos deixando nos aeroportos.

      Faça isso, Presidente, e continuará contando com o respeito de seus 
concidadãos.

          Respeitosamente, 

          Eduardo Antônio Lucho Ferrão, advogado, morador de Brasília.
     
             
     



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