Respondendo a Monica:
> ... Minha pergunta para o grupo é se essa postura é apropriada, em
> termos empresariais? Ou seja, eticamente e humanamente a gente sabe
> que não é, mas como gigantes da área, elas podem fazer isso sem
> ficar impunes comercialmente falando? E a longo prazo, essa imagem
> negativa não gera descrédito de investidores? O que vocês acham?
O que acho é que na conta final vai acontecer algo muito ruim.
Corremos o risco de ver acontecer o que aconteceu com a Varig a
outra destas empresas e em seguida corremos o risco do Brasil ficar
completamente orfão da aviação comercial (se é que já não está).
Este último acidente, se no Brasil as leis fossem levadas mais a
sério, já seria o suficiente para enterrar a TAM como companhia
aérea pois independente do que se diga ou se fale ou das
"conclusões" que as instituições irão nos impor é evidente que houve
um descaso da empresa no quesito segurança e ainda que não se possa
responsabilizar apenas isso como causa do acidente não podemos
esquecer que este descaso resultou na morte de centenas de pessoas,
boa parte delas os próprios funcionários da TAM e não é a primeira e
nem me parece que foi a última vez que isso ocorre, será que o nome
TAM resiste a outro acidente com vítimas fatais?
O acidente da Gol foi diferente, podemos entende-lo como uma
fatalidade ainda que se possa impor irresponsabilidade pessoal a
este ou aquele controlador de vôo (na verdade a responsabilidade é
da entidade que permite que eles trabalhem sem condições para isso)
ou aos pilotos do jato que aparentemente tiveram sua
responsabilidade definida, mas dois aviões se chocando no ar não é
algo tão comum quanto o caos que reina em Guarulhos.
Guarulhos tem outro nome, chama-se "dinheiro fácil" concentrando
tantos vôos e operações em um só lugar me parece evidente que alguém
lucra com isso mas a partir do momento em que este lucro foi
manchado com o sangue de tantas vítimas será mais complicado manter
o processo, embora seja evidente que é do interesse de algumas
pessoas e sem necessidade pois por mais que os defensores desta
situação digam que a economia será afetada e etc e tal é apenas uma
balela, por mais gente que voe usando Guarulhos é ainda uma parcela
ínfima da população deste país.
As perguntas que deveriam ser feitas não é o que vai acontecer com a
aviação comercial, ela vai se reestruturar e continuará como está,
mas não é na aviação que está a raiz dos problemas mas sim na falta
de investimentos em outras áreas, como por exemplo em outro meio de
transporte entre Rio/Sampa, já que a Ponte Aérea é atualmente um dos
maiores problemas de transporte entre estas duas importantes
cidades.
Sai muito mais em conta construir uma linha de trem entre as duas
cidades do que construir um novo aeroporto e os resultados seriam
obviamente melhores pois um trem de alta velocidade poderia fazer a
ligação entre as duas cidades em poucas horas, resolvendo a questão
de transporte seguro e rápido para quem precisa estar em ambas as
cidades por questões de trabalho ou particulares.
A construção deste tipo de transporte entre Sampa e Rio abririam
frentes para que fossem construídas outras linhas, dotando o Brasil
de uma malha ferroviária que já existia desde os tempos do império e
foi sucateada sabe-se lá por quais interesses.
As pessoas saem do Brasil para viajar de trem pela Europa e no
entanto nosso pais de dimensões continentais não tem uma malha
decente para este transporte, como existe também nos EUA, embora lá
a aviação comercial tenha outro nível de existência e reduza esta
necessidade.
Não é só recuperar o trem, evidentemente, o Brasil carece também de
investimentos na malha rodoviária, faz anos que o governo passou
esta "responsabilidade" para a iniciativa privada e em alguns
lugares melhorou muito a qualidade das estradas e do atendimento a
quem as utiliza, mas apenas nos lugares economicamente viáveis, os
outros 90% de malha rodoviária do pais estão entregues a própria
sorte e a ela também estão entregues quem usa estas rodovias.
Não morrem 200 pessoas de uma vez nas estradas, mas ao longo de um
ano a quantidade de mortes em rodovias supera em muitas vezes este
número e no entanto não existe uma comoção nacional por conta disso
e pelo menos metade destas mortes não ocorreriam se não fosse por
conta da manutenção inadequada das estradas, grande parte dos
acidentes não ocorre porque o motorista ou o veículo eram ruins mas
por falta de sinalização, de uma via de escape ou de estradas
inadequadas ao volume de trânsito local, há estradas - por exemplo -
em que grandes caminhões praticamente tornam o trânsito de pequenos
veículos um risco constante e nada é feito para mudar isso.
A vida humana deveria valer mais que todas as contas que o governo e
os interessados em explorar estes lugares fazem, mas infelizmente
essa gente anda em jatinhos ou aviões particulares e quando vão para
a estrada é com carros super-seguros, que mesmo em caso de acidente
normalmente saem destruídos com as pessoas vivas, estão pouco se
lixando para o povo, que é sempre quem paga a conta, com dinheiro ou
com a vida.
Em termos empresariais não muda nada... as empresas valorizam mais o
lucro do que o bem estar da espécie humana, isso é praticamente uma
regra.
Grande abraço,
Divino Leitão
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Pra rir e pensar (não necessariamente nesta ordem)
Sob a democracia, um partido devota suas principais energias à
tentativa de provar que o outro partido é incompetente para governar - e ambos
conseguem e ambos estão certos.
=== Cópia da Mensagem respondida acima ===
Tenho acompanhado esta crise na aviação brasileira, desde o
acidente
de setembro do ano passado, e devido ao fato de eu ter
constantes
contatos com agências de viagens e companhias aéreas, tenho
notado
que estas últimas não estão demonstrando tanta preocupação em
solucionar o caos nos aeroportos. Estão tão certas de sua
primazia
nesse setor, afinal a TAM e a GOL dominam o mercado, que pouco
fazem
diante daquilo que poderiam exigir, para a solução do problema.
Em fevereiro deste ano, o ministério público havia vetado a
pista de
Congonhas para grandes aviões, mas as cias pressionaram a ANAC
e
conseguiram a liberação para seus aparelhos, principalmente
baseados
na questão financeira. Agora, depois da tragédia do dia
17, "aceitaram" utilizar Guarulhos, mas muito mais por pressão
dos
pilotos do que bom senso dos diretores destas cias. Tão logo a
poeira
abaixe, farão novas pressões para voltarem pouco a pouco para
Congonhas.
Pois bem, estas empresas não estão cuidando de sua imagem
porque
dominam o mercado e como não temos outros meios de transporte
eficazes (trens ou malha viária decente), dão de ombros para
seus
consumidores, deixando-os como baratas tontas nos saguões dos
aeroportos, sem as mínimas informações a que têm direito. Minha
pergunta para o grupo é se essa postura é apropriada, em termos
empresariais?
Ou seja, eticamente e humanamente a gente sabe que não é, mas
como
gigantes da área, elas podem fazer isso sem ficar impunes
comercialmente falando? E a longo prazo, essa imagem negativa
não
gera descrédito de investidores?
O que vocês acham?
Monica