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Sexta-feira, 28 de dezembro de 2001 - N� 931 Bahia investe na produ��o de caf�s finos
Esse tipo de cultura pode ser op��o para driblar os problemas da queda no pre�o do produto no mercado internacional
Mariana Carneiro
de Salvador
O sucesso alcan�ado pelos caf�s especiais produzidos na Bahia durante um leil�o internacional realizado este m�s atrav�s da internet deve motivar produtores do Estado a investir com mais aten��o no setor. Esta � a expectativa da Associa��o de Produtores de Caf� da Bahia (Assocaf�). O presidente da institui��o, Jo�o Lopes Ara�jo, defende que o cultivo de caf�s finos � a melhor alternativa para driblar os problemas da queda no pre�o do produto no mercado internacional e da redu��o do n�vel de rentabilidade dos produtores.
Os lotes de caf� gourmet originados do munic�pio de Mucug�, na Chapada Diamantina, foram comercializados a pre�os recordes de US$ 400 a saca. Os compradores foram empresas dos Estados Unidos e Jap�o. Os lotes foram selecionados inicialmente entre 300 produtos de todo o Brasil, por uma equipe de provadores internacionais.
Nas etapas posteriores, este n�mero foi reduzido para 80 e depois para 30 lotes, que foram a leil�o. Os da Bahia conquistaram o 11� e o 18� lugares, originados respectivamente das fazendas Sol do Paraguassu e Horacin�polis. O pre�o de US$ 400 � bastante superior � m�dia at� ent�o alcan�ada pelos caf�s finos do Estado, em torno de US$ 100, e fica muito distante do valor pago pelo caf� tradicional, de US$ 50 a US$ 60 cada saca.
"Nossa expectativa � de que os patamares alcan�ados pelo caf� baiano no leil�o sirvam para alertar aos produtores do Estado sobre as possibilidades oferecidas por esse nicho de mercado, que � o futuro da cafeicultura", afirma o presidente da Assocaf�. De acordo com ele, o excesso do produto de qualidade inferior chega, em n�vel mundial, a 7 milh�es de sacas, ao mesmo tempo em que aumenta a procura pelos caf�s finos.
Ara�jo ressalta que enquanto o consumo de caf�s comuns cresce apenas 1,5% por ano, o incremento da procura pelos especiais varia de 16% a 20%, dependendo do pa�s. "Este � um mercado muito maior do que o produtor imagina e por isso � necess�rio um trabalho de conscientiza��o para mostrar que a margem de lucro compensa at� o custo de produ��o mais elevado, em m�dia 10% maior em rela��o aos caf�s comuns", aponta.
Diferencial
Dados da Secretaria de Agricultura do Estado (Seagri) indicam que os chamados caf�s especiais - aqueles onde h� pelo menos o diferencial da retirada da polpa - respondem por cerca de 10% do volume total de caf� produzido na Bahia, atualmente de 2 milh�es de sacas. "Nossa meta � chegar a 40% nos pr�ximos dois anos, principalmente considerando que muitos produtores j� contam com instala��es adequadas e mercado consumidor", diz Ara�jo.
No Brasil, o consumo do gourmet responde por apenas 2% dos 12 milh�es de sacas anuais, segundo o Sindicato da Ind�stria de Caf� do Estado de S�o Paulo (Sindicaf�). A meta � elevar essa quantidade para 600 mil sacas em cinco anos, o dobro da marca atual, seguindo os passos de pa�ses como a Col�mbia, que sa�ram na frente ao investir na melhoria da qualidade dos gr�os e na divulga��o de seus caf�s especiais.
Ara�jo ressalta que h� tr�s anos a Assocaf� vem recomendando aos produtores investir nos caf�s finos. Os produtos selecionados em concursos como os realizados pela Associa��o Brasileira de Caf�s Especiais e pela torrefadora italiana Illy s�o os que alcan�am os melhores pre�os. A Fazenda Sol Paraguassu, por exemplo, comercializou recentemente cerca de 3 mil sacas de caf� especial para a Illy por R$ 210 a saca.
Com 150 hectares plantados e irrigados, a propriedade produziu na �ltima safra um total de 12 mil sacas de caf�s comuns e especiais e j� negocia a comercializa��o da pr�xima safra com importadores noruegueses. "A possibilidade de estabelecer parceria com compradores internacionais abre um mercado ainda maior para o caf� gourmet", observa Ara�jo.
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� GAZETA MERCANTIL
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