Aos que labutam na �rea da agricultura, este artigo do Jornalista Celso Ming sobre a resist�ncia aos transg�nicos e as decis�es que o PT, agora Governo, dever� tomar, pode ser um belo convite � reflex�o.
O assunto desperta muito amor e �dio, assim, vale a pena ler o artigo. Um bom final de semana a todos! Fernando Tangerino NA M�O DE LULA, A DECIS�O DE IMPORTAR MILHO TRANSG�NICO OU DEIXAR O MERCADO � M�NGUA CELSO MING � dentro do PT que a biogen�tica aplicada � agricultura vem encontrando a maior oposi��o. Ironicamente, � o governo PT que, quase inevitavelmente, ter� de aben�oar a importa��o de pelo menos 3 milh�es de toneladas de milho transg�nico destinadas ao consumo interno ao longo de 2003. Existe nas esquerdas brasileiras - e n�o apenas nas �reas ligadas � preserva��o ambiental - uma forte resist�ncia ao desenvolvimento e ao consumo de transg�nicos. Qualquer produto geneticamente modificado �, em princ�pio, tratado como grave risco � sa�de ou ao meio ambiente, mesmo na falta de ind�cios que apontem nessa dire��o. Foi sob patroc�nio e aplauso do PT no governo ga�cho que o ativista franc�s do movimento antiglobaliza��o Jos� Bov� participou, em fevereiro de 2001, no Rio Grande do Sul, da destrui��o de um campo de experimentos de soja transg�nica da Monsanto. Agora, os setores mais radicais do PT entendem que o Projeto Fome Zero est� sendo amea�ado por multinacionais interessadas em empurrar alimentos transg�nicos para a popula��o faminta apenas para arrancar o apoio do PT para a novidade. H� dois meses, por influ�ncia dos radicais europeus, cinco pa�ses africanos (Z�mbia, Zimb�bue e Mo�ambique) recusaram gr�os transg�nicos enviados pelo governo norte-americano para combate � desnutri��o. Conforme relatou mat�ria do jornal The Times, de Londres, o presidente Mwanawasa, de Z�mbia, disse que prefere ver seu povo morrer de fome a aliment�-lo com aquela porcaria. No PT n�o falta quem pense assim. A argumenta��o contra o consumo dos transg�nicos baseia-se na falta de estudos que eliminem todas as hip�teses de preju�zo � sa�de e ao meio ambiente. Nessas condi��es, a posi��o assumida � adotar o princ�pio da precau��o, que � deixar de consumi-lo at� que se juntem evid�ncias de que os riscos estejam definitivamente eliminados. At� agora, ningu�m foi capaz de dizer qual o volume de evid�ncias necess�rio para satisfazer essa exig�ncia. Manga com leite � dif�cil deixar de concluir que esse tratamento n�o passe de pura cisma, parecido com a que predominou durante tantos anos no Brasil (at� o aparecimento do liquidificador) de que ingerir suco de manga com leite acarretaria grave perigo para a sa�de. Curiosamente, o tratamento que esses ativistas querem impor aos transg�nicos n�o � estendido a outros produtos modernos tamb�m objeto de cismas an�logos. N�o falta, por exemplo, quem desconfie de que o uso intensivo do telefone celular provoca c�ncer no c�rebro. E, no entanto, ningu�m dentro do PT ou das esquerdas brasileiras evoca para esse caso a aplica��o do princ�pio da preven��o. Por a� se v�, a carga de irracionalidade que envolve o assunto. H� 15 anos, norte-americanos, canadenses e argentinos consomem milho e derivados de soja transg�nica e, no entanto, n�o h� conhecimento de que algu�m tenha contra�do doen�a ou at� mesmo uma coceira por ter ingerido algum produto da moderna engenharia gen�tica. Mesmo assim, as resist�ncias no Brasil mant�m a proibi��o de cultura e consumo desses produtos. Essa proibi��o n�o se restringe a artigos sobre os quais recaiam s�rias suspeitas. Ela � generalizada, como se todos os resultados da modifica��o biogen�tica fossem uma esp�cie de Talidomida, aquele produto contra enj�o que na d�cada de 70 era receitado para as gr�vidas e, no entanto, gerou crian�as deformadas. Mais, n�o se restringem a alimentos. Alcan�am tamb�m variedades transg�nicas de algod�o ou de �rvores (eucalipto, pinus), supostamente porque poderiam produzir efeitos ecol�gicos adversos. Existem algumas explica��es para essa feroz oposi��o. Uma delas foi a absoluta falta de tino mercadol�gico de grandes compora��es, como a norte-americana Monsanto e a europ�ia Novartis, que deixaram o consumidor sozinho na parada. Mas h� outras. O ministro da Agricultura, Marcos Vinicius Pratini de Moraes, atribui essa resist�ncia das esquerdas brasileiras (e tamb�m europ�ias) a uma velha deforma��o stalinista, que condenou indiscriminadamente experimentos baseados nos trabalhos do pai da gen�tica moderna, Gregor Mendel. Em seu lugar, a Uni�o Sovi�tica, adotou as teorias de Trofim Lysenko (falecido em 1976), fundadas no princ�pio da "heran�a das caracter�sticas adquiridas". Intoler�ncia Essa condena��o, segundo Pratini, ficou no inconsciente do pessoal do "Partid�o", que at� agora n�o tolera a tecnologia transg�nica derivada em �ltima an�lise da gen�tica de Mendel. Admite ou tolera o despejo de agrot�xicos para assegurar a produtividade de gr�os convencionais, pouco se importando com as conhecidas conseq��ncias sobre a sa�de humana ou sobre o meio ambiente, mas n�o aceita transg�nicos, mesmo os que foram desenvolvidos para dispensar o uso de venenos ou para resistir a pragas devastadoras, como � o caso do feij�o resistente ao v�rus do mosaico dourado, obtido pela Embrapa. O professor Luiz Antonio Barreto de Castro, chefe de Recursos Gen�ticos e Biotecnologia da Embrapa, informa que no mundo inteiro se cultivam hoje cerca de 60 milh�es de hectares com variedades de vegetais geneticamente modificadas. Nada menos que 25% desse cultivo corresponde a plantas resistentes a insetos e que, portanto, dispensam inseticidas que, no caso do algod�o, por exemplo, correspondem a 54% do custo de produ��o. Defesa de interesses Outra argumenta��o absurda das esquerdas � a de que defender os transg�nicos � fazer o jogo das multinacionais, como Monsanto e Novartis, que os desenvolveram. Por coer�ncia deveriam admitir que os que atacam os transg�nicos est�o defendendo os interesses dos produtores dos defensivos agr�colas, como Dow Chemical, Dupont, Syngenta, Bayer e Basf. A China est� importando soja do Brasil. Por enquanto compra apenas 600 mil toneladas por ano, cerca de 10% das importa��es. Para importar mais, quer que o governo brasileiro passe um certificado de origem gen�tica do produto. A China n�o faz nenhuma restri��o � soja transg�nica. Apenas quer saber o que est� importando. E, no entanto, o governo brasileiro n�o pode passar esse certificado porque, nesse caso, estaria admitindo que no Brasil est� sendo produzida soja transg�nica, o que est� proibido pela Justi�a desde 1998. O arranjo acertado na semana passada foi de que o governo brasileiro garantiria que a soja embarcada n�o apresenta risco � biosseguran�a, mesmo que o lote contenha produtos transg�nicos. Mas, se essa garantia pode ser dada, por que ent�o n�o liberar o plantio? O empres�rio Roberto Rodrigues, cotado para assumir a pasta da Agricultura, adverte que est� chegando a hora em que essa postura irracional vai ser duramente questionada. Como ficou dito, o Brasil ter� de importar pelo menos 3 milh�es de toneladas de milho para suprir o d�ficit interno. Nesse volume s� h� dispon�vel milho transg�nico, nos Estados Unidos e na Argentina. � pegar ou largar e enfrentar as conseq��ncias. -- Fernando Braz Tangerino Hernandez Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira - UNESP Chefe do DEFERS - Departamento de Fitossanidade, Engenharia Rural e Solos Area de Hidraulica e Irriga��o (Hydraulics and Irrigation Division) Caixa Postal 34 (P.O. Box 34) 15.385-000 - ILHA SOLTEIRA - SP - BRASIL Phone / Fax: (0##18) 3742-3294 / 3743-1180 http://www.agr.feis.unesp.br/defers.html (Institucional - Departamento) http://www.agr.feis.unesp.br/irrigacao.html (Institucional - Irriga��o) http://www.agr.feis.unesp.br/fbth.htm (Home page pessoal) ====================================================================================== Saiba o que j� foi discutido na IRRIGA-L em: http://www.agr.feis.unesp.br/irriga-l.htm Para sair da lista IRRIGA-L, envie um e-mail para: [EMAIL PROTECTED] e no corpo da mensagem digite: unsubscribe irriga-l (seu endereco eletronico) Nao envie mensagens com este conteudo diretamente para a lista. ======================================================================================
