SAFRA DE INHAME DE TAPIRA� VAI PARA EUA E EUROPA

O inhame, um tub�rculo de uso culin�rio ainda pouco difundido no Estado de
S�o Paulo, est� proporcionando renda em d�lares para cerca de 80 fam�lias de
pequenos agricultores de Tapira�, na regi�o de Sorocaba (SP).

Este ano, eles v�o despachar para os Estados Unidos, Canad� e Comunidade
Europ�ia cerca de 1.200 toneladas, 30% da produ��o de 4 mil toneladas que
ser� obtida nos 242 hectares cultivados.

O pico da safra ocorre entre agosto e setembro, mas alguns produtores
plantam na entressafra para colher de janeiro a mar�o, quando os pre�os
est�o melhores. No fim de janeiro, a caixa de 28 quilos do tipo extra
especial estava cotada em R$ 20,00 para o produtor na Companhia de
Entrepostos e Armaz�ns Gerais do Estado de S�o Paulo (Ceagesp), na capital.

As empresas exportadoras pagam para o agricultor, em d�lar, at� o
equivalente a R$ 1,00 o quilo. A cultura � \"casada\" com o gengibre, outro
produto de exporta��o de Tapira�. O inhame � usado no sistema de rota��o de
culturas dessa raiz.

As exporta��es tiveram in�cio em 1997 meio por acaso. Um importador europeu
de gengibre conheceu o inhame e fez uma encomenda. O produto foi levado para
a Fran�a, pa�s que utiliza o tub�rculo em sua renomada culin�ria. Os
pedidos, a partir de ent�o, n�o cessaram. Segundo o agr�nomo Ricardo Elias
da Silva Diniz, diretor da Divis�o de Agricultura e Meio Ambiente de
Tapira�, a cultura do inhame expandiu-se na carona do gengibre. \"O produtor
aproveita a mesma �rea, que j� foi adubada, e n�o precisa gastar com
insumos.\"

A cultura � r�stica e dispensa o uso defensivos. Como o gengibre n�o pode
ser plantado sucessivamente na mesma �rea por problemas sanit�rios, como a
infesta��o de fungos, o inhame cumpre o papel de cultura de rota��o. \"E
tamb�m garante boa renda a um custo menor de produ��o.\"

Formar 1 hectare desse tub�rculo custa cerca de R$ 3 mil, segundo Diniz, 20%
do custo da mesma �rea com gengibre. A produ��o varia entre 10 e 20
toneladas por hectare. A cultura � anual - do plantio � colheita v�o 12
meses. O inhame, como o gengibre, prefere os solos areno-argilosos, bem
drenados e de clima �mido. O cultivo � feito em sulcos profundos, com
dist�ncia de 1 metro entre as leiras e de 20 cent�metros entre as plantas. �
necess�rio o aterramento, ou seja, a chegada de terra nas plantas, como
ocorre com o gengibre.

Para o plantio, � usada a pr�pria raiz como semente. \"Os produtores
reservam parte da produ��o para a safra seguinte\", diz o agr�nomo. A
germina��o ocorre em 28 dias. A planta atinge at� 1,7 metro de altura e tem
folhas largas, de efeito decorativo. \"H� quem as utilize para esse fim,
como folhagem de jardins.\" Os tratos culturais s�o m�nimos, sendo
indispens�vel o controle de ervas daninhas.

O agricultor Jos� Carlos Simon plantou 2 hectares no S�tio Kikica, em
Tapira�, e estimava uma produ��o de 700 caixas. Ele contratou Marcos Lopes
Gomes e os irm�os Mauro e Marcelo Moreira Neves para a colheita. A produ��o
foi vendida, na ro�a, por R$ 13,00 a caixa. O comprador, Ageo Prestes de
Oliveira, � tamb�m produtor. Ele faz a lavagem, sele��o e embalagem do
produto e entrega na Ceagesp. Al�m da produ��o pr�pria, compra e processa a
de terceiros, fazendo o papel de intermedi�rio. Diz que seu lucro � pequeno:
vai conseguir entre R$ 10,00 e R$ 20,00 pela caixa do inhame embalado,
conforme o padr�o.

Os irm�os Mauro e Marcelo tamb�m s�o produtores. Eles t�m 1 hectare para ser
colhido entre junho e julho. A �rea do agricultor Milton Neves � de 2,4
hectares e ele espera exportar pelo menos 20% da produ��o, que pode chegar a
35 toneladas. Diniz tem se esfor�ado para unir os produtores a fim de
padronizar e agregar valor � produ��o. O inhame pode ser transformado em
farinha. Os testes foram feitos recentemente pelo Instituto de Tecnologia de
Alimentos (Ital) em Campinas. O maior problema, segundo o agr�nomo, � o
excesso de �gua na raiz. \"Desidratada, sobra pouca massa.\"


(Estad�o/SP) - Quinta feira, 13 de fevereiro de 2003

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