Ol�, boa tarde a todos!

Segue anexo o pronunciamento feito na C�mara Federal no em
24 de julho pp. pelo Deputado paulista Antonio Carlos Mendes
Thame.

Senti falta da irriga��o no texto do Deputado Thame. Creio
que o Deputado foi muito modesto ao enunciar apenas o
Moderfrota como fonte de financiamento no
campo. Foi e � um fator de moderniza��o, mas n�o de aumento
de produtividade, como se consegue na irriga��o.

Poderia ter lembrado que o FINAME financiou muitos dos
equipamentos de irriga��o
que contribuiram para o aumento sim da produtividade das
lavouras, agora irrigadas.

Mas n�o tivemos apenas gr�os. O Governo FHC formatou e
operacionou o PROFRUTA, que muito fez pela moderniza��o da
fruticultura brasileira.

Ser� que os recursos alocados para financiamentos
agropecu�rios este ano ser�o suficientes para repetirmos a
performance de 2002/2003?

Abracos e tenha um bom final de semana!

Fernando Tangerino



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Pondo tudo a perder

Antonio Carlos  Mendes Thame*

O Governo do PT recebeu uma heran�a bendita e colhe os
louros de uma safra agr�cola recorde (120 milh�es de
toneladas de gr�os, segundo o Ministro Roberto Rodrigues),
sem que quase nada tivesse sido plantado neste ano. � safra
cujo plantio, com exce��o da �safrinha� de milho, ocorreu em
2002. Os n�meros do campo impressionam. A agropecu�ria j�
responde por 27% do PIB, cria 37% dos empregos e �
respons�vel por 40% das exporta��es brasileiras. Al�m disso,
� o �nico setor que gera super�vit (mais de 20 bilh�es de
d�lares) na nossa balan�a comercial. N�o fosse o
agroneg�cio, o Pa�s estaria em situa��o cr�tica.
O que est� por tr�s desse extraordin�rio sucesso? A nosso
ver, quatro fatores.
O primeiro � a securitiza��o das d�vidas. Em 1996,
iniciou-se a repactua��o, por prazos que superam 20 anos,
das d�vidas de mais de 300 mil agricultores, d�vidas estas
herdadas do per�odo de superinfla��o, quando os indexadores
econ�micos corrigiram os d�bitos dos contratos com os bancos
em percentuais muito acima da varia��o dos valores recebidos
pela venda da produ��o, gerando um descasamento que tornava
impag�veis os empr�stimos.
O segundo fator � a pesquisa agr�cola. N�o � de hoje que ela
vem dando extraordin�rio suporte � produ��o. Sem a pesquisa,
n�o haveria  variedades adaptadas �s nossas condi��es, nem a
agricultura de precis�o, nem ter�amos conseguido incorporar
as terras dos cerrados e estar�amos com a fronteira agr�cola
esgotada. Cerrados  que transformam o Brasil hoje na mais
vigorosa agricultura tropical do planeta.
O terceiro fator � o programa Moderfrota. A agricultura
brasileira registrou nos �ltimos anos um not�vel
crescimento, n�o somente na produ��o por hectare, mas tamb�m
na �rea cultivada por homem, para o que contribuiu
decisivamente o programa  Moderfrota,  linha de
financiamento do BNDES criada para que os produtores, com
juros subsidiados entre 9,75% e 12,5% ao ano e prazos de
pagamento entre 5 e 6 anos, pudessem adquirir tratores,
implementos, colheitadeiras, cultivadores e equipamentos
para secagem e beneficiamento de gr�os. De mar�o de 2000 a
dezembro de 2002, foram aplicados R$5,6 bilh�es para
financiar a aquisi��o de quase 50 mil tratores e mais de 12
mil colheitadeiras.
Quarto fator:  a relativa tranq�ilidade de que os
agricultores n�o teriam suas terras invadidas ou
desapropriadas com base em crit�rios meramente pol�ticos, o
que  s� foi conseguido em parte, gra�as: a) a vigoroso
esfor�o  de assentar fam�lias sem terra; b)  � edi��o de
medida provis�ria, transformada em lei , que impede por 2
anos a desapropria��o de �reas invadidas e exclui os
invasores, que eram cadastrados, de assentamentos em outras
�reas; c) ao cabal cumprimento das decis�es judiciais para
reintegra��o de posse de �reas.
A reforma agr�ria feita sem alarde no governo anterior foi o
mais ambicioso plano de distribui��o de terras j� executado
de forma democr�tica em todo o mundo. O governo FHC destinou
R$ 13,2 bilh�es  para retalhar quase 20 milh�es de hectares,
�rea maior que o Uruguai, e neles assentou 588.000 fam�lias.
Quase 2 milh�es de brasileiros receberam terras, entre 1995
e 2002.
Se boa parte dos assentados ainda n�o prosperou, foi porque
s� assentar n�o � suficiente: faltou cr�dito (nem mesmo os
vultosos R$ 14,5 bilh�es em 7 anos de PRONAF foram
suficientes), faltaram recursos t�cnicos para cultivar o
solo de maneira produtiva e tamb�m faltou, em muitos casos,
voca��o para a vida e o �rduo trabalho no campo.
De toda forma, o  governo FHC mostrou: a) que � poss�vel
iniciar e promover no Pa�s ampla reforma agr�ria, sem
desrespeitar as leis,  superando os longos entraves
burocr�ticos que come�am com as vistorias e v�o at� a
imiss�o na posse de uma �rea para nela proceder ao
assentamento de fam�lias; b) que n�o s�o excludentes (ao
contr�rio, podem e devem coexistir)  pol�ticas de apoio ao
agroneg�cio e � agricultura familiar; c) que existe uma
crucial diferen�a entre uma efetiva e desej�vel reforma
agr�ria (que agrega e promove) e um mero processo de
invas�es (que desagregam e desestimulam a produ��o).
O que mudou no Governo Lula?  Em primeiro lugar, o governo
parou de assentar. A meta inicial do Governo do PT era
assentar 37 mil fam�lias neste ano, mas o  Or�amento s�
disp�e de R$250 milh�es, suficientes  para assentar 27 mil.
Meio ano j� se passou, e o Governo praticamente assentou
ningu�m. Somente iniciou a desapropria��o de 197 mil
hectares de terras, nas quais, quando conclu�dos os
processos, poder�o ser assentadas apenas 6 mil fam�lias. Em
segundo lugar, o Governo criou t�citos est�mulos �s invas�es
de terras, ao sinalizar que nada far� para impedi-las, ou
seja, n�o aplicar� as leis atinentes � mat�ria. Com  isso,
desaparecem  as a��es pol�ticas para  levar seguran�a,
assegurar o exerc�cio da justi�a e dar estabilidade ao
campo, a fim de  que  possa em paz e continuar a produzir.
Em seu lugar, intensificam-se as invas�es e inaugura-se uma
escalada de crescente desobedi�ncia civil, desrespeito ao
Estado de Direito, de afronta e enfrentamento, para
desmoralizar as autoridades e, o que � pior, as pr�prias
institui��es.
Nenhum Governo tem condi��es de impedir completamente as
invas�es, mas pode e deve desestimul�-las, acelerando os
assentamentos, aprimorando as condi��es de vida dos que j�
foram assentados e zelando pelo cumprimento das leis e das
decis�es judiciais.
A presente omiss�o ou aus�ncia de consistente pol�tica
fundi�ria  pode redundar em tremendo retrocesso e colocar a
perder um processo de desenvolvimento social que j� est�
transformando o Brasil num dos principais celeiros de um
mundo que tem fome.

*Antonio Carlos  Mendes Thame, Deputado Federal (PSDB/SP), �
professor (licenciado) do Departamento de Economia da
Escola  Superior de Agricultura �Luiz de Queiroz� / USP.
(e_mail: [EMAIL PROTECTED])


--
Fernando Braz Tangerino Hernandez
Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira - UNESP
DEFERS - Departamento de Fitossanidade, Engenharia Rural e
Solos
Area de Hidraulica e Irriga��o (Hydraulics and Irrigation
Division)
Caixa Postal 34 (P.O. Box 34)
15.385-000  -  ILHA SOLTEIRA - SP - BRASIL
Phone / Fax: (0##18) 3742-3294 / 3743-1180
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