Prezados (as),

Prezado Marcos,

No mundo inteiro as universidades são avaliadas pelos trabalhos cientificos. 
Como o seu texto vei cheio de caracteres estranhos posso não ter entendido 
corretamente, mas fiquei com a impressão que discorda deste critério?

O meu livro de governança está conforme o site submarino, saraiva e etc  entre 
os mais vendidos de administração do portal. As vezes estamos mais na frente, 
outras nem tanto. Os outros livros de autores nacionais que fazem ou não parte 
desta lista estão todos em extraordinárias e relevantes posições também. Tenho 
certeza que em pouco tempo o seu livro estará tb neste nivel de vendas. Lembro 
que vender muito não significa nem que o livro seja bom nem que o autor ficou 
rico. Mas mostra que existe uma enorme procura pelos temas e trabalhos.

Alguns destes autores estão presentes no dia-a-dia das universidades, outros 
não. Em particular prefiro ficar apenas na iniciativa privada e fazer palestras 
em um numero não excessivo em alguns congressos internacinais e universidades 
publicas. Posso falar com propriedade como aluno de universidades brasileiras e 
americanas, pois como professor de mestrado de macroeconomia não consegui ter 
forças para suportar mais que um semestre na profissão.

Universidades precisam produzir trabalhos cientificos de aplicação de curto, 
médio e longo prazo. Sempre uso o mesmo exemplo para os que falam que a 
indústria no Brasil encontra baixa utilidade nos trabalhos da universidades. A 
fibra optica passou a ser uma possibilidade real no começo do século XX e 
apenas no final dos anos 1990 ela virou uma realidade para a indústria.

Como realidade pessoal eu posso dizer que hoje em 2010, a minha tese de 
mestrado é mais consultada e lida do que ela era quando produzida em 1994. Ela 
tem 16 anos de velhice. Em 1986 estava em empresa na Suécia no desenvolvimento 
de centrais de grande porte e chegamos a um produto conhecido hoje em dia como 
bluetooth. De 1986 na Europa como solução de laboratório passaram-se quase 
vinte anos para realidade de dia-a-dia na mesma Europa. É preciso cuidado 
quando o indicador uso da produção científica da USP, por exemplo, é avalidado. 
Se for levado em conta o indicador em função do tempo, nós vamos encontrar um 
nível extremamente elevado.

Lamentavelmente as minhas oportunidades como aluno estão mais ligadas com as 
escolas da região sul e sudeste do Brasil. Algumas vezes aceito convites de 
universidades dos Estados Unidos, mas o fator tempo me impede de ser palestar 
por lá com frequência. A ultima vez que estive no MIT foi em 2008 falando sobre 
governança de TI. Por isto não tenho conhecimento sobre as realizações de 
diversas universidades brasileiras. Conheço em função da lista alguns trabalhos 
nas universidades federais do nordeste que estão sendo patrocinados por 
empresas de renome internacional na área de governança de TI porque os 
envolvidos entraram em contato comigo. Posso dizer que existem trabalhos 
extraordinários.

Sobre a questão do GSTI, a leitura simples do trabalho da SOFTEX sobre os 
resultados da nossa indústria mostra o motivo de tantas dificuldades. O meu 
artigo sobre a avaliação foi publicado em divresos sistes do mercado 
financeiro, na revista de tecnologia da informação e no meu blog. Informações 
existem e estão disponiveis para todos. No final de 2008 foi possivel atender 
algumas demandas para a questão de TI e ROI e em 2010 todos alcaçaram os 
resultados esperados. Foi preciso demitir muita cabeça de TD para tal, mas os 
cabeças de TI venceram.

A nova era dos grandes jogos não permitiu a continuidade e avanço de muitas 
solicitações, mas ficou claro para mim que o fator é apenas e tão somente 
tempo. Já existem em bom número os que sabem que comprar um elefante pq ele é 
barato não representa um boa gestão. Os caçadores de ROI sabem bem onde 
procurar e o que fazer com TI. E os investidores tem total clareza sobre a 
questão capital intelectual.

 


Cordialmente
Ricardo Mansur
http://itgovrm.blogspot.com
http://twitter.com/itgovrm
  ----- Original Message ----- 
  From: mandrepmp 
  To: [email protected] 
  Sent: Wednesday, July 14, 2010 12:09 PM
  Subject: [itsm_br] Re: itSMF Websites


    
  Mansur,

  Não sei se você está se referindo ao meu livro em parceria com a 
Universidade Estacio, mas como ele se enquadra na sua colocação, vou tentar 
explicar por que lançar um livro em parceria com uma Universidade...

  Quando temos a oportunidade de trocar experiências com profissionais de 
outros países, temos a nítida noção de que estamos muito atrasados em 
relação às iniciativas do primeiro mundo. Lá fora uma Universidade é 
fomentadora de inovações e pesquisa e trabalha fortemente junto a provedores 
de serviços e clientes seja desenvolvendo novas tecnologias ou boas práticas. 
Os alunos se beneficiam dessa massa de conhecimento através dos cursos 
oferecidos pela Universidade e essa cadeia de conhecimento se alimenta por si 
só.

  Pesquisa = provedores de serviços + clientes + cases

  Inovação = Pesquisa + prática

  Conhecimento = pesquisa + prática + alunos

  Antes que pensem que isso é purismo, as Universidades vivem de alunos, ou 
seja, quanto maior a quantidade e qualidade de conhecimento gerado, maior o 
número de clientes (alunos) satisfeitos.

  Enquanto isso no Brasil, o conhecimento é represado por empresas de 
consultoria e profissionais que utilizam esse diferencial como moeda de troca 
para benefício próprio. Tenho ouvido de clientes que a literatura disponível 
no Brasil ainda é superficial e pouco prática, fato esse comprovado por 
inúmeras horas de consultoria desperdiçadas em tentar alinhar o entendimento 
básico de terminologia padrão ITIL. Ainda é muito comum a discussão sobre a 
diferença entre Incidentes X Problemas ou a diferença entre Mudança 
Emergencial, Mudança Padrão e Solicitação de Serviço. Outras duas 
evidências disso são as constantes discussões na lista sobre assuntos 
recorrentes (isso me parece Incidentes recorrentes, será que não está na 
hora de buscarmos a Causa Raiz?) e a outra evidência foi um post do amigo 
Marcus Soares que está no Canadá e questionou por que não estávamos falando 
sobre Estratégia. Se me recordo, o sentimento nacionalista que aflora em 
época de copa do mundo deflagrou inúmeros comentários contra a posição 
dele. Reitero, em relação a outros países, que ainda estamos focados em 
certificação Foundation (pra colocar na assinatura) e conseguirmos horas e 
mais horas de consultoria sem gerar retorno esperado para os clientes. 
Infelizmente o ROI de TI ainda é mensurado por quanto deixamos de fazer 
besteira, e continuamos alimentando Nicholas Carr de exemplos para que ele 
afirme categoricamente que TI será commodity, ou até Peter Weill, tido como o 
papa da Governança de TI, que afirmou recentemente que a Governança de TI 
irá acabar. Ao invés de reclamarmos, porque não tentamos entender o que 
está por trás disso? Será que faz sentido? Quantos profissionais brasileiros 
fazem parte do ITIL V3 Refresh? Ou quantos são citados no desenvolvimento do 
COBIT e ISO 20000? Nossas iniciativas se resumem a tradução e glossários.

  As poucas iniciativas existentes no Brasil são clubes herméticos onde 
somente quem estudou com o outro, ou é parente, amigo, chefe, colega de 
trabalho, deve favor, etc. pode fazer parte. Nos queixamos do nepotismo dos 
políticos, mas fazemos a mesma coisa com a alcunha de "networking".

  Você citou a USP como sede. Quem são as pessoas? Onde foi divulgado que 
seria a sede? Quem foi convidado para participar? Desde quanto é sede? Quais 
são as iniciativas? ...

  Por que escrevi um livro em parceria com a Estacio?

  A idéia do livro surgiu pois gasto muito tempo em empresas explicando a 
terminologia básica do ITIL e vejo muitas falhas em projetos por 
desentendimento básico sobre ITIL. Existe um GAP no mercado em relação aos 
cursos ITIL, ou são muito caros para a maioria dos profissionais técnicos 
(cobramos de um profissional que ganha 1.000 que faça um curso de 2.000) ou 
então são cursos não oficiais com material copiado ou sem qualidade (os meus 
preferidos são os "Combos"). Realmente não precisava do logo da Estacio na 
capa já que o livro é um projeto meu desde 2005. A idéia de colocar o logo 
na capa foi uma forma de agradecimento pelos 10 anos em que sou professor de 
graduação e pós-graduação e pela liberdade e apoio em desenvolver 
atividades de pesquisa e inovação dentro da Universidade. Aliado a isso, 
temos no Rio de Janeiro a iniciativa do GE-ITIL-RJ e alguns eventos que fazemos 
para melhorar o nível de conhecimento dos profissionais. Para não dizer que 
mais uma vez é purismo, nos tornamos a primeira universidade da América 
Latina acreditada pelo EXIN e nossos planos vão além disso. Por questões 
estratégicas, limito-me a dizer que ofereceremos o curso Foundation como 
extensão e o conteúdo está diluído dentro da graduação a nível nacional, 
mas meu objetivo vai além disso, quero tentar colocar o Brasil entre as 
empresas e instituições internacionais que não só consomem, mas também 
desenvolvem o assunto. Depois reclamamos de que os conteúdos das práticas 
não se adéquam a nossa realidade. E onde estamos sendo ouvidos para 
contemplarem a nossa realidade?

  Enquanto isso, as universidades brasileiras, por causa do modelo falido do 
governo de “produção científica”, avalia a universidade de acordo com a 
quantidade de artigos e teses publicadas. Quanto dessa produção é realmente 
útil? Quantas empresas buscam nos artigos e teses material que pode ser 
utilizado no seu dia a dia? Quantos “pesquisadores chefes” são sócios de 
empresas incubadas ou utilizam fundações para fazerem consultoria?

  Engraçado que ao colocar o logo da Estacio na capa, me perguntei se ele não 
seria uma barreira para o livro. Mas rapidamente me lembrei de uma coisa: O MIT 
não lê um material de Harvard só porque é de Harvard? Se formos por essa 
linha, acho que ninguém deveria reajustar os preços pela IGP, afinal ele é 
produzido pela FGV...

  Ontei no 8º. Gerentes de Projeto in Rio, evento promovido pelo PMI Rio, ouvi 
do pessoal de outra universidade que irão adotar o livro. Quando questionei 
sobre a questão do logo do concorrente, ouvi que se o livro é a única 
literatura oficial em português no Brasil, não há porque não adotá-lo (já 
que a tradução dos livros já está concluída, mas a política impede ele de 
ser publicado, desculpe, política não, networking). Uma empresa de 
treinamento de SP também está utilizando o livro com material de apoio ao seu 
curso e o EXIN está divulgando em suas palestras mundialmente que há somente 
3 iniciativas semelhantes no mundo: ORSYP da França, Telefonica da Espanha e 
Estacio no Brasil.

  Se para melhorarmos o nível dos treinamentos, consultorias e debates sobre o 
assunto, teremos que cortar na própria carne, acho que esse será um caminho 
que a médio e longo prazo trará muitos benefícios para o Brasil. Agora a 
prova de ITIL V3 Foundation pode ser feita com material oficial acreditado pelo 
EXIN, de fácil acesso a qualquer um que queira comprá-lo nas livrarias. Minha 
teoria é a de que se mais pessoas souberem os conceitos básicos de ITIL, mais 
o mercado de Gerenciamento de Serviços de TI amadurecerá para todos, 
provedores de serviço, consultorias, clientes e universidades. Menos para quem 
se beneficiava desse modelo hermético atual.

  Enquanto a área de TI ainda está discutindo ITIL, estamos estudando a parte 
comportamental da mudança organizacional nas empresas. Por que as empresas, 
mesmo após terem vários profissionais com várias siglas na assinatura do 
e-mail, ainda não conseguem obter benefícios com a adoção de GSTI? O que 
está impedindo? Medo da mudança? Mudança de paradigmas? Qual é a barreira?

  Acho que uma delas é a qualidade dos treinamentos e consultorias que estamos 
oferecendo no Brasil... mas é só uma teoria. Gostaria de estudar mais essa 
teoria, mas não faço parte do networking, sou só um professor e consultor 
que escreveu um livro...

  Para quem se interessa por mudanças de paradigmas, sugiro a leitura do 
Princípio da Incerteza de Heisenberg.

  Abraços e desculpe por alguma coisa,

  Marcos Andre
  br.linkedin.com/in/marcosandre
  twitter.com/marcosandreitsm

  --- In [email protected], "MansurR" <mansur...@...> wrote:
  >
  > Prezados (as),
  > 
  > Como eu sempre digo a aus�ncia de CTP acaba com qualquer neg�cio. Se a 
sede esta na USP pq lan�ar livros em parceria com uma outra universidade?
  > 
  > 
  > Cordialmente
  > Ricardo Mansur
  > http://itgovrm.blogspot.com
  > http://twitter.com/itgovrm
  > ----- Original Message ----- 
  > From: Marcos Roberto Schiezaro 
  > To: [email protected] 
  > Sent: Tuesday, July 13, 2010 12:49 AM
  > Subject: [itsm_br] itSMF Websites
  > 
  > 
  > 
  > 
  > Algu�m j� teve a curiosidade de olhar a lista de pa�ses com 
cap�tulos do itSMF? (link abaixo)
  > 
  > http://www.itsmfi.org/content/chapters
  > 
  > 
  > 
  > Reparem a mensagem colocada apenas cap�tulo Brasil... 
  > 
  > 
  > 
  > 
  > 
  > Abra�os,
  > 
  > 
  > 
  > Marcos.
  >



  

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