Anderson e demais amigos de Fórum,

 

Pois é, as lições aprendidas são muitas.

Entre tantos ou muitos, eu tenho um grande defeito (ou seria qualidade ?). 
Adoro escrever e documentar tudo que faço.

Talvez para não ter que "matar um leão" toda vez que tiver que voltar aquele 
tema ou atividade.

E, com o passar dos anos, nossa cabeça vai começando a dar sinais de cansaço e 
pode vir a nos trair.

Afinal já faz um bom tempo quando no dia 1 de setembro de 1971 cruzei a soleira 
da porta de uma empresa para começar minha vida profissional e me envolver nos 
infindáveis e muitas vezes inexplicáveis bits & bytes.

Mas, de volta ao famoso ITIL / ITSM, são muitas as lições aprendidas, muitos os 
escorregões e tropeços.

Mas pelas várias experiências pelas quais passei, se tivesse que resumir em uns 
poucos itens ou tópicos, uns motivo de preocupação eu citaria:

1.    Existe um distanciamento considerável entre o time de interessados / 
executivos das empresas que "compram" a idéia do ITIL / ITSM e o time 
efetivamente alocado ao projeto. E isso faz toda a diferença, até porque 
internamente nas empresas não percebemos a preocupação e a devida importância 
imprescindível destas diferentes partes conversarem. Então, a "passagem de 
bastão" não se dá da forma correta / recomendada. E o que vemos nos primeiros 
momentos do projeto são desinformações, falta de cultura nesta nova fase ou 
maneira de trabalhar, barreiras naturais devido ao "panorama político" dentro 
da empresa. Não são raras as vezes em que profissionais não compraram a idéia 
do ITIL / ITSM e se vêm numa posição estratégica no time do projeto, e isso 
torna-se um grande obstáculo a ser transposto, com perda de tempo e explicações 
em demasia que se configurado de outra forma desde os primeiros passos teriam 
sido completamente dispensáveis.

NOTA: Aí me faz lembrar a sua frase quando diz enfiar o ITIL goela abaixo. 

A sensação nítida que me dá é que para muitos (e não são poucos não) é 
exatamente isso que passa a acontecer.

2.    Eu não poderia deixar de mencionar um aspecto que muito me impressiona 
nisso tudo. Seria vício do brasileiro ? Seria um cacoete do brasileiro ou é 
típico do ser humano de uma maneira geral ? Sinceramente não sei, mas trata-se 
do "modismo". Ou seja, muitos "compram" a idéia do ITIL / ITSM para não ficarem 
de fora da "onda", da "moda", afinal, o que vão pensar quando um representante 
ou executivo da empresa XPTO disser que eles ainda não tem uma iniciativa de 
ITIL / ITSM em andamento. "Meu Deus, como pode ? Vocês ainda não adotaram as 
melhores práticas do ITIL ? Não implementaram ITSM ?"

NOTA: O perigo, o ruim, e o aspecto por demais nocivo deste modismo é que isso 
um pouco mais na frente acaba desembocando na "falta de foco ou perda de foco", 
porque a coisa não foi comprada efetivamente, ou não ocorreu o "buy-in" como 
diriam nossos irmãos do hemisfério norte. Não havendo este buy-in, uma reação 
em cadeia terá início em poucos tempo pois o foco vai fugindo, os custos (sim, 
eles existem e não podemos dar as costas para eles) seguem acontecendo, vários 
questionamentos são levantados, as prioridades são remanejadas, e o nosso 
projeto, o nosso "vôo" começa a apresentar problemas. 

Em cima do que mencionei no início - do gostar de escrever e documentar as 
coisas - desenvolvi um documento que achei por bem batizar de "Projeto de ITSM 
- Análise da Caixa Preta". Estes escritos surgiram como um apanhado de pontos 
observados durante um projeto de ITSM - que foi bem sucedido sim, afinal a 
Caixa Preta está sempre lá fazendo o log do vôo, seja ele bem ou mal sucedido. 
Mas observamos diversos aspectos ou passagens que poderiam ter tido um outro 
desenrolar. Afinal, quem de nós não erra ? E por que não aprender com os erros ?

Então, meus ingredientes foram: considerei uma suíte de produtos de automação 
das melhores práticas apregoadas pelo ITIL como uma nova aeronave (novidade ? 
pioneirismo? talvez), o projeto em si considerei como o vôo a ser feito por 
aquela aeronave, e o time do projeto, como os tripulantes embarcados e com a 
missão de operar os muitos botões, chaves, switches, manivelas, etc e suportar 
o desenrolar do vôo para que o mesmo chegasse ao seu destino com sucesso e 
segurança, e que não viesse a causar sobressaltos a seus passageiros. E lógico 
que os profissionais da cabine de comando e do cockpit seriam o Gerente de 
Projetos e o Líder Técnico, por que não ?

Não foram esquecidas as diversas intervenções da equipe de terra para ajustes 
de rotas, controle de vôo, etc.

E o vôo transcorreu dentro do esperado. Muitos trechos com um céu de 
brigadeiro, de um azul invejável, mas também pontuado com uns trechos de uma 
certa turbulência, mas nada que justificasse a vinda daquela voz cavernosa de 
lá da cabine de comando com o tradicional: "Estamos atravessando uma zona de 
turbulência, o serviço de bordo está interrompido; senhores passageiros e 
tripulantes permaneçam sentados e com seus cintos de segurança afivelados". 

3.    Um projeto de ITSM é sem dúvida alguma uma coisa linda, linda, linda, mas 
efetivamente exige todo um planejamento e preparo prévios. Voar numa aeronave 
de alta tecnologia como a tecnologia contida e embarcada em um Airbus A-380 ou 
num Boeing 747-800 não é a mesma coisa que voar nos saudosos e imortalizados 
aviões T6 da querida Esquadrilha da Fumaça. Não podemos nos esquecer que estes 
aviões geniais primavam pela agilidade e destreza de manobras radicais e 
alterações súbitas de percurso, e as muitas piruetas, e loopings, etc. Mas 
manejar um A-380 ou um 747-800 é uma operação muito mais delicada, as mudanças 
deverão ser mínimas, suaves, calculadas, repensadas, discutidas para que não 
ocorra um estresse do equipamento / do material. Aeronaves do porte de um A-380 
ou 747-800 não dão margens a piruetas e manobras radicais. O decolar é suave, 
as manobras suaves, tudo muito suave e pensado. Podemos, ainda dentro de nossa 
associação de idéias, dizer que todas as muitas horas de preparo e setup de um 
Airbus A380 (o tal monstro de 2 andares) são equivalentes às reuniões iniciais 
do projeto e todo o setup para que o vôo (projeto) transcorra dentro do 
esperado.

NOTA: Não podemos desprezar ou apressar ou reduzir ou espremer estas muitas 
horas de planejamento e de preparo de um projeto desta envergadura. Entendo 
(entendemos) a agonia, o desespero, a ânsia de se começar logo, para que os 
primeiros resultados apareçam, mas devemos ter calma e dar tempo ao tempo. O 
vôo é longo - não existe projeto de ITIL / ITSM que dure umas poucas semanas - 
são muitas as refeições que precisam ser embarcadas, e o "bichão" precisa estar 
abarrotado de combustível, e as bagagens dos passageiros precisam ser 
embarcadas e manuseadas com todo o cuidado, é imprescindível que haja um 
"double check" no checklist e no plano de vôo (cronograma do projeto).

 

 

"Senhores passageiros com destino a XPTO, Final Call - Gate 11"   

 

                       "Senhores tripulantes, portas em automático"

 

                       "Durante a decolagem as luzes da cabine serão reduzidas"

 

                       "Em caso de despressurização súbita da cabine, máscaras 
como estas cairão a sua frente ..."

 

                       . . . . . . . . . . 

 

                       "Relax and enjoy the flight !"

 

 

Um abraço a todos.

 

Rui Natal 

 

 

________________________________

De: [email protected] [mailto:[email protected]] Em nome de 
Anderson Marcelino Pereira
Enviada em: sábado, 14 de agosto de 2010 18:12
Para: Anderson Marcelino Pereira
Assunto: [itsm_br] Lições aprendidas em projeto de ITSM

 

  

Gostaria de compartilhar algumas lições aprendidas em projetos de implementação 
de ITIL que eu participei desde de 2005:

 

*         Não dá para fazer tudo perfeito e tudo de uma única vez;

*         Não sair comprando ferramenta para automatizar os processos sem 
benchmarking;

*         Não entre em um projeto só por estrelismo ou modismo;

*         Não deixe de levar em consideração as coisas que já acontecem de 
positivo antes do projeto.

*         Não começar um projeto sem uma matriz RACI/ARCI ou seja papéis e 
responsabilidades de cada um;

*         Entender a diferença entre envolvido e comprometido no projeto;

*         Não enfiar goela abaixo a ITIL nas pessoas, tenha argumentações com 
fundamentos sólidos;

*         Não tenha pressa mas tenha cronogramas factíveis

*         Não entre no projeto sem saber os objetivos claros dos resultados 
esperados;

 

 

E vocês o que levam de lições aprendidas nos projetos de ITSM que já 
participaram ou participam?

 

 

Abraços

 

 

Anderson Marcelino Pereira

ITIL Manager Certified

 (11) 8317-5537

[email protected] <mailto:[email protected]>  

msn: [email protected]

skype: hashijd

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